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Segunda-feira, 18 de novembro de 2019

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Defesa de professora presa ao defender 'Lula livre' contesta laudo e representará contra perito

Da Redação - Fabiana Mendes

18 Out 2019 - 08:10

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Defesa de professora presa ao defender 'Lula livre' contesta laudo e representará contra perito
A defesa da professora universitária Lisanil da Conceição Patrocínio Pereira, detida no último domingo (13), durante evento em uma igreja na cidade de Campos de Júlio (a 533 quilômetros de Cuiabá), por se manifestar politicamente a favor do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, informou que deverá representar criminalmente contra o primeiro profissional que realizou o exame de corpo de delito. O advogado Paulo Lemos alega que o exame foi defasado e omisso, pois uma nova análise apontou vários hematomas não identificados inicialmente.

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Ao Olhar Direto, a assessoria de imprensa da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (ADUNEMAT) informou que a professora se manifestou, em seu direito de expressão, a favor da esquerda durante o evento. Porém, como aquele era um ambiente conservador, os presentes ficaram incomodados com a presença dela e pediram sua retirada.  Em protesto contra 
à violência, a Adunemat promoverá, hoje (18), às 15h, ato público na Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso para reivindicar que o Estado apure os fatos.

Inicialmente, conforme o advogado Paulo Lemos, a defesa se preocupou com o restabelecimento das condições físicas, morais e psicoemocionais da professora. A Ouvidoria da Polícia Civil também foi acionada para que acompanhasse o caso e prestasse algumas orientações a respeito da realização de novo exame de corpo de delito.

Os policiais que conduziram Lisanil até à Delegacia também serão denunciados na Corregedoria.

Ainda segundo a defesa, a professora não oferecia risco para ninguém e, mesmo assim, teve sua intimidade violentada, pois foi exposta para aos frequentadores da igreja, que ao invés de ajudarem, teriam dado risada da situação.

"Por fim, avaliaremos a responsabilidade da paróquia em si, pelo fatídico evento, que tomou conta do noticiário regional e nacional, requerendo de todos os envolvidos nessa sequência de eventos delinquentes, o ressarcimento dos danos causados contra a honra e dignidade de um ser humano, que não tinha a mínima condição de oferecer resistência ou ter desacatado autoridade, diante de praticamente um batalhão de homens, que quase viraram ela de cabeça para baixo, mesmo estando usando saia", diz trecho da nota.

"Imaginem se isso tivesse acontecido contra a mãe ou irmã de uma de nós. Qual seria o sentimento? Como ela superará as sequelas desse trauma, depois de toda violência e exposição constrangedora de sua imagem? Quanto custa isso?", finaliza.

Formada em Administração, pedagogia e geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a professora tem diversas especializações, além de um mestrado realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e um doutorado concluído na Universidade Federal Fluminense (UFF).

O caso chamou atenção dos deputados petistas Lúdio Cabral e Valdir Barranco, que usaram a tribuna da Assembléia Legislativa para repudiar a Secretaria de Segurança Pública do Estado pela forma como policiais civis trataram a professora.

Para Barranco, o Estado demonstrou despreparo na forma truculenta como agiu com a professora universitária, que, segundo ele, vem sofrendo com sua exposição nas redes sociais, além de todo o transtorno que passou ao dormir na delegacia.

Já Lúdio Cabral declarou que a professora foi atacada de forma covarde por pessoas intolerantes, apenas por expor seu pensamento político à favor do ex-presidente Lula. O tucano Wilson Santos (PSDB) e João Batista (Pros) também manifestaram repúdio à forma como a professora universitária foi tratada durante sua manifestação.

Em nota, a ADUNEMAT também repudiou a forma como a professora foi tratada, além de expor, que ela após ser detida, foi encaminhada à uma unidade de saúde, onde injetaram tranqüilizantes, que a deixou impossibilitada de prestar depoimento, motivo pelo qual precisou passar uma noite na delegacia.

No vídeo em questão, é possível ver o momento em que a professora está no palco, acenando com os dois braços. Logo em seguida, diversas pessoas chegam e a retiram à força. 

Veja: 

 

17 comentários

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  • Davi
    18 Out 2019 às 20:00

    Esquerda intolerante levou o Brasil a isso.

  • Raimundo
    18 Out 2019 às 15:56

    Eu achava que estudos deixava a pessoa mais inteligente.

  • celso
    18 Out 2019 às 14:43

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • ANA
    18 Out 2019 às 14:09

    Um absurdo o que aconteceu com essa professora. Para uma coisa a eleição do novo presidente serviu, estão caindo as máscaras e as pessoas se revelando mais e mais intolerantes. Já que ñ tem consciência e nem respeito ao próximo que arque com as consequências e onde dói mais, no bolso... Seria interessante, após o desfecho, postarem tb os valores da indenização e a punição para que sirva de alerta, se vc ñ gostar de alguma forma de protesto, vc tem todo o direito de reclamar, mas a pessoa que está protestando de forma pacífica ñ tem obrigação nenhuma de te obedecer, nunca, nunca encoste em ninguém para impedir tal ato, (a não ser que vc queira pagar indenização) a liberdade de expressão é um direito fundamental garantido pela nossa constituição, ela te incomodando ou não.

  • Rogeres Cassol
    18 Out 2019 às 14:01

    Estou compartilhando a opinião de quem estava no local: "Estou vendo na mídia a repercussão do caso da professora da UNEMAT que foi retirada do palco de uma festa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida em Campos de Júlio e percebo que a notícia está sendo bastante distorcida. Então, como cidadão campos-juliense e testemunha ocular do fato gostaria de dizer algumas coisas que os sites de notícias não estão divulgando: Foi solicitado educadamente inúmeras vezes que a professora deixasse o palco e permitisse que o sorteio de prêmios continuasse havendo negação da docente O locutor solicitou que se houvesse algum amigo, conhecido ou parente dela no recinto ajudasse a convencê-la de descer do palco. Ninguém se manifestou A professora estava completamente transtornada, alterada, desequilibrada, visivelmente embriagada Ela já havia ameaçado processar a banda que animava o evento caso eles não tocassem músicas de Mato Grosso pois a banda estava tocando músicas gauchescas (provando mais uma vez sua embriagues). Sendo assim a polícia civil, juntamente com a brigada militar, populares e posteriormente a polícia militar, zelando pela continuidade do evento e segurança de todos (inclusive dela mesma) retirou-a do evento encaminhando para o batalhão de polícia militar e como ela não se acal

  • Levi Cuiabano
    18 Out 2019 às 13:22

    Em terra de agronegócio, a reação será sempre truculenta! O problema, é o fato de agentes públicos agirem desssa forma. Os fatos terão que ser apurados com todo rigor, senão, isso se tornará regra em nosso Estado. A extrema direita, através dos seus apoiadores, se sentirão á vontade para agredirem aqueles que não coadunam com suas idéias/ideais. A Professora Lusanil, merece todo nosso respeito e apoio.

  • Yasmim
    18 Out 2019 às 13:18

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Carolina
    18 Out 2019 às 12:42

    A professora se acha no direito de manifestar sua opinião em evento privado onde as pessoas estavam reunidas com o intuito de arrecadar fundos para os mais pobres. Não era local público, não era assunto político. Parabéns aos que devolveram a ordem ao local! Esse povo tem que aprender que nosso ouvido não é penico e que se eles querem se manifestar, vão se manifestar longe de nós!

  • Paolo
    18 Out 2019 às 12:35

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Dora Aventureira
    18 Out 2019 às 11:15

    Engraçado né? Se fosse o contrário, estariam batendo palmas, pela "agressão" que aconteceu.

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