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Em desabafo, Selma diz que cassação foi recado para que Moro e Dallagnol não entrem para política

Da Redação - Vinicius Mendes

11 Dez 2019 - 10:15

Foto: Roque de Sá / Agência Senado

Em desabafo, Selma diz que cassação foi recado para que Moro e Dallagnol não entrem para política
A senadora cassada Selma Arruda (Podemos) disse que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que manteve a perda de mandato, foi um recado ao ministro Sérgio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, para que eles não entrem para a política. A ex-juíza disse que recebeu informações de que ministros oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) não têm simpatia por pessoas que saem da Justiça para a política. Ela afirmou que ficará afastada deste meio.
 
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Após confirmação de cassação, Selma diz que sofreu perseguição por combater corrupção
 
O Pleno do TSE, por maioria, manteve a cassação da senadora Selma Arruda em sessão na noite desta terça-feira (10), declarando-a inelegível por oito anos. A ex-juíza já havia se manifestado afirmando que sofreu perseguição política por causa de seu histórico de combate à corrupção.
 
Em áudio enviado em grupos de Whatsapp, a senadora afirmou que a cassação serviu como um recado do TSE ao ministro Sérgio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, para que não entrem para a política.
 
Os dois, assim como Selma, são figuras oriundas do Sistema de Justiça que ganharam projeção por causa de atuação no combate à corrupção. A ex-senadora ainda disse que isto foi confirmado por dois membros do Pleno do TSE.
 
“Eu sei que eu sou o exemplo que eles querem dar para Sérgio Moro e Dallagnol, para não ousarem entrar para a política. Me disseram isto, inclusive, os dois ministro que vem da advocacia, disseram que os ministros em geral não têm simpatia pelas pessoas que saem da Justiça e vão para a política, portanto, a gente sabe que o que aconteceu comigo é um recado para o Moro”.
 
Por não ter um quadro próprio, o TSE é composto de, no mínimo, sete membros, entre eles três juízes escolhidos dentre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dois juízes dentre os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados. Na atual composição do Pleno, os dois ministros juristas são Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Silveira Banhos.
 
No áudio, Selma diz que “toda guerra tem baixas” e que desta vez a baixa foi ela. A senadora disse que sai de cabeça erguida e que o caso serve de exemplo para mostrar que não o sistema não é correto. Ela também afirmou não entrará mais para a política.
 
“Não vou mais para a política, mas nem que a vaca tussa, não contem comigo para mais nada nesta política. Agora vou aproveitar a minha aposentadoria, como deveria ter feito antes, agora vou entregar os pontos, mas não sem a consciência tranquila de ter tentado”.
 
Ao final ela agradeceu aos seus amigos, colegas e apoiadores por todas as palavras de conforto e enalteceu o ministro Edson Fachin, único que votou por reverter a cassação, dizendo que o voto “lavou” sua alma. Curiosamente, Fachin é ministro oriundo do STF, e não jurista.
 
Entre os colegas que agradeceu, um em particular foi o senador do Rio Grande do Norte, Capitão Styvenson Valentin (Rede-MA). Selma disse acreditar que ele será governador daquele Estado e que ela atuará lá como secretária de segurança.
 
“Eu vou ser sua secretária de segurança ainda moço, você vai ser governador do Rio Grande do Norte, e que quero ser secretaria de segurança na beira do mar, eu quero a secretaria montada na beira daquele marzão”.
 
Votação por unanimidade no TRE
 
Em abril deste ano, por unanimidade, os membros do Pleno do TRE-MT votaram pela cassação e convocaram novas eleições. O desembargador Pedro Sakamoto havia votado para que Carlos Fávaro (PSD) ocupasse o cargo até que o novo senador fosse eleito. Porém os seis membros restantes do Pleno divergiram neste ponto, fazendo com que, desta forma, o cargo fique vago até o final das novas eleições.
 
Em seu voto o relator, desembargador Pedro Sakamoto, argumentou que a senadora promoveu arrecadação de recursos e fez gastos com serviços considerados de natureza eleitoral antes do período de campanha.
 
O relator ainda narrou que foram feitos pagamentos à empresa  Genius At Work para a produção de materiais de áudio e vídeo (como jingles) antes do período de campanha. Os pagamentos foram feitos com cheques, no nome do primeiro suplente de Selma, Gilberto Eglair Possamai (PSL).
 
"No caso concreto, depreende-se de forma incontroversa que Selma pactuou com a Genius At Work para prestação de serviços publicitários para promoção de sua candidatura", disse o desembargador.
 
Outros gastos de campanha de Selma, que não teriam sido contabilizados, ou que ultrapassaram o teto de gastos de campanha, além do empréstimo no valor de R$ 1,5 milhões que recebeu de seu suplente também foram citados pelo magistrado.
 
A juíza aposentada Selma Arruda foi acusada de caixa 2 na campanha vitoriosa que a conduziu ao Senado como candidata mais votada por Mato Grosso. Recairam sobre ela as suspeitas de contratações de serviços de campanha antes do período permitido. A senadora nega as acusações. A ação sobre o suposto caixa 2 foi movida pelo adversário de Selma nas eleições de 2018, o então candidato Sebastião Carlos (Rede).

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