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Sexta-feira, 24 de setembro de 2021

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Perito destaca influência de séries como CSI e Dexter em profissão e mantém rede social contando o trabalho

Foto: Arquivo pessoal

Perito destaca influência de séries como CSI e Dexter em profissão e mantém rede social contando o trabalho
Foi assistindo séries como a famosa CSI (Crime Scene Investigation) que Daniel Soares começou a ser apaixonar pela profissão de perito. Determinado que era isso que ele queria para vida, em 2003, decidiu prestar vestibular para cursar Química e depois de assistir Dexter, traçou o destino com a área que atualmente é sua especialidade.

O perito que já foi gerente de Mortes Violentas, está lotado no Grupo de Atuação em Perícias Especiais (Gape) da Perícia Técnica de Mato Grosso (Politec). Ele também é especialista em local de crime, com ênfase nos crimes envolvendo mortes violentas, especialista em Manchas de Sangue e membro da Associação Internacional de Analistas de Manchas de Sangue (IABPA). Em entrevista ao Olhar Direto falou um pouco sobre a sua profissão.

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"Desde de adolescente eu gostava muito das séries do CSI’s e isso foi me motivando, envolvendo e por fim fiquei apaixonado pelas ciências forenses, então vi que não tinha mais volta, que o que eu realmente queria ser era perito criminal. A Química é muito versátil e a perícia multidisciplinar, portanto eu poderia atuar em diversas áreas, inclusive na área que é a minha paixão, a área de Crimes Contra a Vida, a qual acho muito intrigante, um verdadeiro quebra cabeça a ser formado até você chegar em um panorama geral do fato", conta.

"Durante a faculdade comecei a assistir Dexter e conheci uma outra paixão dentro de mim, a análise de manchas de sangue, e assim que entrei para a perícia comecei me aprofundar no assunto", afirma. Ao concluir a faculdade, em 2007, ele aguardava pela abertura de um concurso público. Foi então que surgiu a oportunidade em Mato Grosso e ele percorreu mais de 1.500 quilômetros, em 2009, quando saiu de São Paulo e veio para a Capital. "Cidade pela qual me apaixonei, devido as pessoas, a cultura, o clima e culinária. Sim, eu amo o calor de 40ºC de Cuiabá", assevera.

Na época da abertura do concurso público, foram disponibilizadas apenas sete vagas. Mesmo com uma rotina de aulas durante o dia e noite, Daniel traçou algumas metas. "Estudava tudo, direito penal, direito administrativo, direito processual penal, história e geografia de Mato Grosso, física, matemática, informática, lógica e química. Sim, eu estudava química para o concurso também, era necessário mesmo dando aula da matéria, tinha que estar o mais afiado possível, afinal era a minha chance de ser perito e a única pessoa que poderia tirar ela de mim, era eu mesmo".

"Era essa minha rotina, dia após dia, durante os finais de semana eu usava pra estudar mais ainda, tentando sempre superar as metas que havia me proposto a alcançar. Enfim chegou a data da prova, prestei e passei, mas ainda faltava o curso de formação, etapa classificatória e eliminatória do concurso, o jogo ainda não havia terminado", lembra.

"Durante o curso de formação ralei mais ainda, mais algumas noites sem dormir, mas dessa vez, estudando tudo aquilo que sempre quis estudar, aprendendo a profissão que um dia tanto sonhei, foi ralado, suado e sofrido, mas valeu a pena, passei no curso de formação e depois de muitos meses, saiu a posse", comemorou.

Ao passar a integrar o quadro de servidores do Estado, ele ainda tinha a meta de trabalhar com crimes contra a vida. O que assusta a maioria das pessoas, sempre encantou o perito. "Tive e tenho a honra ao longo de minha jornada de aprender com grandes peritos de Mato Grosso e de outros Estados, referências para o Brasil inteiro, e isso me motiva a sempre continuar estudando, procurando por capacitações e também a ministrar capacitações na minha área pelo Brasil todo. Cada aula que ministro, aprendo um pouco mais sobre o assunto, tanto estudando quanto com a experiência trocada com os colegas".

Neste ano, ele realizou um sonho, fez o curso de Análise de Perfis de Manchas de Sangue e passou a ser membro da IABPA. Atualmente ele é o único especialista no Estado com tal capacitação. Daniel, porém, pondera que custeou tudo com dinheiro do seu trabalho, sem qualquer incentivo do Governo ou de outra instituição. "Mesmo com todas as dificuldades, mal posso esperar para fazer o curso avançado e me tornar um profissional ainda mais capacitado para atender a sociedade mato-grossense".

CSI Mato Grosso

Daniel Soares também é um dos administradores da página CSI Mato Grosso, que conta com pouco mais de 3,6 mil seguidores. Segundo ele, a ideia surgiu de uma conversa com uma amiga, que também é perita. "Falávamos da nossa vontade de trazer a Politec mais a luz do conhecimento do cidadão, mostrando a importância do nosso trabalho, desmistificar algumas coisas e esclarecer as dúvidas da população em geral", recorda.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Onde muitos olham apenas uma mancha de sangue, o Perito enxerga além. Vemos qual o tipo de instrumento que foi empregado, qual a direção e sentido de produção das manchas, a dinâmica do fato, a recenticidade do fato e em muitos casos até a autoria. O CSI em seu dia a dia analisa constantemente perfis de manchas de sangue, e eles são fundamentais para auxiliar a investigação criminal. #orgulhodeserperito #csimatogrosso #orgulhoseserpolitec #politec #politecmt #periciacriminal #segurancapublica #policiacientifica #cienciaafavordajustica #forensics #forensicscience #peritocriminal #cienciaforense #localdecrime #cenadecrime #crimescene #crimesceneinvestigation #investigacaocriminal #manchas de sangue #peritacriminal #peritocriminal #perfisdemanchasdesangue

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"Foi onde demos o start inicial no projeto e ao longo dos meses, conseguimos outros dois colaboradores para administrar junto a nós, o que enriqueceu ainda mais o conteúdo das postagens, uma vez que cada um dos administradores é especialista em uma área diferente e todas as postagens passam por um aval de todos antes da sua publicação". Eles também foram inspirados por colegas de outros Estados, que apesar das dificuldades, impressionavam a população com seu trabalho.

Daniel conta que para se tornar um perito criminal é necessário ter curso superior devidamente reconhecido pelo Ministério da Educação e passar em todas as fases de um concurso público. "Na maioria dos Estados tais fases são: prova teórica, prova psicotécnica, TAF (Teste de Aptidão Física), investigação social e academia de formação".

Geralmente os cursos de graduação mais aceitos nos concursos públicos para Perícia Criminal são: Física, Química, Biologia, Engenharias, Farmácia, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Matemática, Arquitetura, Geologia, Direito, Economia, Administração, Ciências Contábeis, Ciências da Computação, Informática e Biomedicina.
 
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