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Sábado, 22 de fevereiro de 2020

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Operário queria Bruno por um ano e com salário até R$ 5 mil; perda de patrocínio foi decisiva em recuo

Da Redação - Fabiana Mendes e Vinicius Mendes

22 Jan 2020 - 17:01

Foto: Alexandre Guzanshe/ EM/ D.A Pres

Operário queria Bruno por um ano e com salário até R$ 5 mil; perda de patrocínio foi decisiva em recuo
Sob pressão da torcida, imprensa nacional e patrocinadores, o Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense (CEOV) desistiu de seguir adiante com a intenção de contratar o goleiro Bruno Fernandes, cuja negociação vinha acontecendo há semanas. Olhar Direto apurou detalhes desta transação e as condições oferecidas pelo clube várzea-grandense para atrair o ex-atleta do Flamengo, condenado pelo feminicídio de Eliza Samúdio.
 
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A ideia dos dirigentes do Operário era pagar ao jogador entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, a mesma faixa salarial oferecida aos demais atletas, em um contrato que deveria ser de um ano. Se viesse para Várzea Grande, Bruno não teria participação nos recursos que provenientes de publicidade.
 
O comunicado sobre a desistência das negociações foi emitido à imprensa no começo da tarde desta quarta-feira (22). O clube cedeu à pressão da opinião pública e ao medo de perder recursos importantes para o ano em que disputará a Copa do Brasil e tem feito um planejamento visando o Campeonato Mato-grossense. Diante da onda de manifestações contrárias, as empresas Pork Premium e Locar Gestão de Resíduos haviam desistido de patrocinar o time, para não terem a imagem associada à do atleta condenado pela Justiça.
  
"A gente acabou perdendo alguns patrocinadores que eram do clube, isso foi fazendo a gente repensar muito, porque sem dinheiro você não consegue fazer futebol", informou André Xéla, supervisor de futebol do Operário.
 
Anteriormente, a Martinello e a cooperativa Sicredi, que patrocinam o Campeonato Mato-grossense, desautorizaram o uso das respectivas marcas nos uniformes do time e em painéis utilizados em entrevistas. Na noite de terça-feira (21), manifestantes se reuniram no entorno do estádio Dito Souza, instalado no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, onde seria realizada uma partida de futebol do tricolor e protestaram contra a contratação. As mulheres estavam vestidas de preto e, além de cartazes, seguravam um cartão vermelho nas mãos, que indica a expulsão de um jogador em uma partida de futebol.


 
"Metade apoiava, mas a outra metade que não, consegue fazer um barulho muito grande. Estavam pressionando bastante os patrocinadores, quando saiu a camisa 2020, eles sabiam quem eram", acrescentou Xéla.
 
No fim da manhã desta quarta-feira (22), o Operário encaminhou nota à imprensa informando que a contratação seria reavaliada. A decisão saiu poucas horas depois, após reunião dos dirigentes do clube. “A gente vai dar todo respaldo jurídico para finalizar esse processo, porque agora tem a volta de domicilio, já existia um trâmite na Justiça, a gente vai continuar com isso até finalizar", afirma.
 
Além disso, os diretores do clube estariam sofrendo ameaças. "Outra questão é a vida pessoal dos dirigentes, eles estavam recebendo ameaças, inclusive eu. Tem coisas que é melhor você parar. Apesar de que como goleiro, a gente acreditava muito no potencial, mas a briga era muito grande e a gente acabou desistindo disso", conta André Xéla.
 
Em entrevista anterior à desistência da negociação, Xéla havia afirmado que a intenção do clube ao fazer a proposta para contratar o goleiro Bruno não foi atrair mídia. De acordo com ele, o Operário busca ser campeão e apostava no potencial do atleta que vinha sendo negociado.
 
 “O Bruno é notícia 24h por dia, por conta de tudo o que aconteceu, mas de verdade, o clube não pensa na contratação do Bruno para trazer mídia, positiva ou negativa. Apesar de sabermos que o Operário é o clube mais falado de Mato Grosso hoje, nós acreditamos mesmo que se o Bruno chegar aqui e defender um pênalti numa final, por exemplo, e dar o título para o Operário, é isso que nós buscamos, não tem nada a ver com esta questão de mídia, o Operário já está há um tempo querendo ser campeão e só estamos tentando formar um time forte”, disse André, na ocasião.
 
Até então, a Justiça de Minas Gerais havia autorizado Bruno a cumprir pena em Mato Grosso, mas a Justiça de MT ainda precisava aceitar a vinda do jogador. Somente o vazamento da informação de que Bruno poderia vir jogar em Várzea Grande foi o suficiente para uma enxurrada de críticas.

24 comentários

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  • Zeca
    23 Jan 2020 às 18:01

    AVISO: Aos descontentes com a decisão de o OPERÁRIO não contratar o goleiro Bruno, queiram se manifestar e formarem um grupo para patrocinar o clube no lugar do SICREDI e da MARTINELLO que rcancelaram o patrocínio!

  • Natanael
    23 Jan 2020 às 15:16

    Revoltadas e mal amadas.

  • ANDRE PORTOCARRERO
    23 Jan 2020 às 13:55

    Um fato que chama a minha atenção é que ninguém está considerando ou questionando a lei. O maior argumento a "favor" do goleiro é que ele, perante a lei está sob a égide de um benefício penal, mesmo cumprindo uma pena ridícula de supostos 20 anos de reclusão ante a gravidade e repulsa do crime e não cumpriu sequer 10 em regime fechado e já estava faceiro na rua. É um escárnio! Do outro lado as pessoas não admitem isto. Pra mim há que se trabalhar que esta situação mostra o ABISMO SOCIAL da nossa legislação penal... é quase uma certeza de impunidade. O criminoso não sente o peso de seus atos e aos demais pretensos marginais e assassinos fica esta certeza. Enfim, não há um esperado temor como freio a incidir sobre quem se dispõe a ser um marginal, um assassino. Amanhã não será Bruno, mas Pedro, Mário, João, José, André...Maria...menores! O BRASIL PRECISA DE LEIS CIVILIZATÓRIAS! Temos que exigir leis mais eficazes e não refresco como são hoje em dia leis desatualizadas, anteriores a 1940.

  • José
    23 Jan 2020 às 10:14

    Olha a cara dessas manifestantes kkkkkk, pelo amor. Ridículo a atitude desses patrocinadores, o cara se não voltar a trabalhar, viverá como ?? Roubando ?? Se ele errou, passou 10 anos preso e continua pagando com o fardo que leva, quanta gente está na cadeira por ter matado alguém, se não puderem voltar a sociedade, deixa preso ou mata. Única solução

  • Bainho
    23 Jan 2020 às 09:40

    Lendo certos comentários vejo como há pessoas de mente diminuta, dizendo que as manifestantes não vão aos estádios. E o que tem a ver isso com a situação? O problema é a rejeição do atleta, pelo crime hediondo que ele cometeu! Quem fala em segunda chance, que dê emprego para ele. Ele é novo, forte e pode muito bem trabalhar numa empresa, que não seja exposto ao público, como num campo de futebol. Outra coisa, patrocinadores não querem o nome de suas empresas expostos em uniformes vestidos por atletas rejeitados, pois a população pode deixar de comprar seus produtos!

  • Chico Bento
    23 Jan 2020 às 09:30

    Por que ele não voltou para o Flamengo?

  • Eliane
    23 Jan 2020 às 09:13

    Eu sei que no Brasil a questão da prisão é reeducar o condenado e não punir. Sou a favor de dar oportunidades para as pessoas que cometeram crimes. Mas nesse caso foi crime hediondo, ele mandou matar a mãe do filho dele, deveria ficar preso no minimo 20 anos, e não voltar a jogar bola, quantos meninos que jogam bem e nunca tiveram oportunidade de entrar em um time. Uma coisa é ele sair quando cumprir toda a pena, e ter um trabalho normal, talvez em alguma escola de futebol, agora ser contrato por um time, e virar ídolo.

  • mad
    23 Jan 2020 às 08:38

    Concordo Suellen, o problema não é o Bruno e sim as leis brasileiras. Perante a Justiça ele está pagando pelo crime que cometeu e se beneficiando da LEI... É ISSO QUE VIGORA NO BRASIL. Se não gostam, não votem nos mesmo crápulas políticos!

  • Felipe
    23 Jan 2020 às 06:01

    Ele errou e tá pagando pra justiça ,so que a sociedade não aceita , honestamente como ele tá querendo voltar pra sociedade ele não vai conseguir,só no crime mesmo aí a sociedade vai continuar a criticar .

  • Raphael
    22 Jan 2020 às 23:52

    Que o time também seja esquecido pelos mato-grossenses, afinal, compactuar com pessoa cometedora de crime bárbaro não pode ficar impune.

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