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Quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

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Martinello desautoriza uso da marca em uniformes do Operário após possível contratação do goleiro Bruno

Da Redação - José Lucas Salvani

21 Jan 2020 - 14:08

Foto: Reprodução

Martinello desautoriza uso da marca em uniformes do Operário após possível contratação do goleiro Bruno
A Eletromóveis Martinello desautorizou o uso da marca em uniformes do Clube Operário Futebol Clube diante da possível contratação do goleiro Bruno, condenado a mais de 20 anos de prisão pelo sequestro, assassinato e ocultação do cadáver de Eliza Samudio, em 2010. A informação foi divulgada por meio de nota pública divulgada nesta terça-feira (21) nas redes sociais da empresa. Na nota, a Martinello acrescenta que o time também não pode conceder entrevistas em frente ao painel com a sua marca.

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A empresa afirma que é preciso dar uma nova chance aos reeducandos, mas que “não se pode deixar de considerar a extrema gravidade do crime de feminicídio que ainda hoje choca e comove todo o país”. Desta forma, a Martinello alega não concordar “que condenado por crime tão grave e torpe seja elevado ao patamar de ídolo esportivo, pois o esporte é para cidadãos exemplares que cultivam a vida, o respeito ao próximo e o espírito de equipe”.

A desautorização quando ao uso da marca será mantida enquanto o goleiro estiver atuando. “Seguiremos acreditando e investindo nos valores essenciais do esporte, cumprindo o nosso papel social de incentivar o desenvolvimento humano através das práticas esportivas. Acima disso, seguiremos combatendo as injustiças e lutando pelo respeito e os direitos das mulheres”.

A Martinello não foi a primeira a desvincular sua marca ao time de futebol. Na segunda-feira (20), a cooperativa Sicredi anunciou que irá retirar sua marca dos uniformes, mas alega que ausência do logo nas camisetas do Operário ocorre em função da estratégia da empresa.

Ao Olhar Direto, a assessoria informou que o Sicredi patrocina a Federação Mato-Grossense para o Campeonato Estadual de Futebol 2020 e não o Operário. Acrescentou ainda, por meio de nota, que não comenta as contratações de jogadores feitas pelos clubes.

A vinda do goleiro para Várzea Grande causou uma divisão entre os torcedores. Há quem defenda e outros que repudiam. Um grupo de mulheres organiza um protesto contra a vinda dele na terça-feira (21), às 19h, na Arena Pantanal, em Cuiabá. No ato organizado pelo Bloco das Mulheres também haverá manifestação contra feminicídio, crime de ódio baseado no gênero, amplamente definido como o assassinato de mulheres, e outras violências sofridas.

Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Leonardo Campos, defendeu a reinserção de condenados pela Justiça à sociedade, citando o caso do goleiro Bruno. A Comissão de Direito da Mulher da OAB-MT, por meio de nota, disse que repudia atos de violência contra as mulheres, mas que também defende a ressocialização e a reinserção no mercado de trabalho de condenados que cumpriram pena.

A presidente da Fundação Nova Chance (Funac), Dinalva Oriedi da Silva Souza, também defende a contratação do goleiro e acredita que a sociedade ainda quer puni-lo. “A sociedade quer puni-lo novamente. Eu acho que tem que ter essa oportunidade. Se a sociedade fecha as portas para ele, como vai provar que realmente mudou e que hoje é uma nova pessoa?”, questiona a presidente

Bruno Fernandes ficou nove anos preso pela morte de Eliza Samudio e deixou a prisão em julho de 2019, após conseguir na Justiça a progressão de regime para o semiaberto. Em agosto de 2019 ele assinou contrato com o Poços de Caldas F.C., porém deixou o clube dois meses depois.

Confira a nota da Martinello na íntegra:

A Eletromóveis Martinello, copatrocinadora do Campeonato Mato-grossense de Futebol de 2020, em função das notícias recentemente veiculadas sobre a possível participação no campeonato do “Goleiro Bruno”, condenado em 2013 por homicídio triplamente qualificado, vem a público esclarecer o seguinte:

É louvável que a comunidade proporcione nova chance a reeducandos. Nesse caso, porém, não se pode deixar de considerar a extrema gravidade do crime de feminicídio que ainda hoje choca e comove todo o país.

Embora seja lícito que o ex-atleta tenha pretensões de voltar ao trabalho e se reintegrar à sociedade, não concordamos que condenado por crime tão grave e torpe seja elevado ao patamar de ídolo esportivo, pois o esporte é para cidadãos exemplares que cultivam a vida, o respeito ao próximo e o espírito de equipe.

Não é nosso papel ou direito intervir nas decisões administrativas das equipes participantes do campeonato, mas não permitiremos, ainda que por força de medidas judiciais, que a equipe OPERÁRIO FUTEBOL CLUBE seja vinculada à nossa empresa utilizando uniformes que contenham a nossa marca ou que conceda entrevistas em frente ao painel com a nossa marca, enquanto mantiver a decisão de integrar ao seu quadro o ex-atleta em questão.

Em nossos 30 anos de história atuamos com convicção e vigor no incentivo ao esporte profissional e amador, patrocinando, apoiando e investindo em milhares de eventos em todos os 54 municípios mato-grossenses onde atuamos.

Em nossa empresa promovemos a igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres.

Seguiremos acreditando e investindo nos valores essenciais do esporte, cumprindo o nosso papel social de incentivar o desenvolvimento humano através das práticas esportivas. Acima disso, seguiremos combatendo as injustiças e lutando pelo respeito e os direitos das mulheres.

28 comentários

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  • Juliao Petruquio
    23 Jan 2020 às 10:32

    Aiai. Como as pessoas esquecem das coisas. A Martinello ameaçou tirar a marca da camisa do Operário. Mas o operário que nem deveria ter esta marca estampada. Poucos lembram.ou sabem mas eles foram citados na delação de Silval Barbosa, em que pagavam 1 milhao propina para ter um beneficio do prodeic.

  • CELINA
    22 Jan 2020 às 11:53

    QUE ESSE MONSTRO VOLTE PARA A CADEIA ONDE É O LUGAR DELE. ENTREGUE O CORPO DA ELISA SEU MONSTRO.

  • Julimar
    22 Jan 2020 às 10:41

    Vejo muitas defendendo esse assassino. Só digo uma coisa, coloque-se no lugar da familia da Eliza que foi brutalmente assassinada. Ainda teriam a mesma opinião?

  • Pedro JOSE
    22 Jan 2020 às 07:56

    BOM SE OS POLITICOS ROUBAM ANOS APÓS ANOS E OS BRASILEIROS SEMPRE DÃO UMA NOVA CHANCE TODO ANO DE ELEIÇÃO, PORQUE NÃO DAR UMA CHANCE AO GOLEIRO.

  • Alguém
    22 Jan 2020 às 00:45

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • JOSE SANTANA ROSA DO NASCIMENTO JUNIOR
    21 Jan 2020 às 23:05

    Galera , é uma situação delicada . Um lado o clamor Social , outro lado , um profissional que cometeu um crime e esta pagando caro , vejo que o mesmo esta tentando se inserir novamente no mercado do futebol . É importante ressaltar a todos que , NÃO HAVERA JUIZO O TRIBUNAL DE EXCEÇÃO , é clausula petria , prevista no ART 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL , vamos deixar isso para as AUTORIDADES COMPETENTES .

  • Lucia
    21 Jan 2020 às 20:49

    Se houvesse algum arrependimento dele ele teria entregue o corpo de Elisa a mãe e ao filho para fazerem um enterro digno, como querer dar uma segunda chance para uma pessoa que não se arrepende do que fez. É a família de Elisa tem alguma chance de saber o que fizeram com o corpo?

  • olavo
    21 Jan 2020 às 18:23

    hummm bom saber martinello, loja precoceituosa, não quer dar a chance a ninguém né, nunca mais compro nessa loja, e nem minha família...

  • LUIS
    21 Jan 2020 às 18:09

    Do ponto de vista de marketing eles agiram certo. Imagina você ter a sua marca em repercussão nacional quando tirarem fotos do Bruno com a camisa? Fica marcado- fica ligada a marca à pessoa eternamente- pela internet. Então, do ponto de vista de marketing da marca, eles estão com a razão.

  • Observadora
    21 Jan 2020 às 18:04

    Quem é a favor dele, entregue suas mães, filhas, esposas e irmãs nas mãos dele! CONFIEM, ele merece, não é? Fácil encher a boca para pagar de bom samaritano. Quero só ver ele vindo morar em VG e começar a matar suas parentes.

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