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Sexta-feira, 07 de agosto de 2020

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Conselho de Corretores de Imóveis e empresa são investigados pela PF por venda de diploma

Da Redação - Max Aguiar

01 Jul 2020 - 16:44

Foto: Reprodução

Conselho de Corretores de Imóveis e empresa são investigados pela PF por venda de diploma
A superintendencia da Polícia Federal em Mato Grosso está investigando fraudes dentro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-MT), por supostamente vender diplomas e autorização de trabalho para pessoas que nunca passaram pelo curso e que sequer possuem ensino médio completo. 

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Os policiais começaram a investigação após um depoimento colhido em março de 2019. Desde então o Creci está na mira dos agentes que ainda apuram uma segunda suposta fraude: 90% dos diplomas de nível médio que chegam até o Conselho, para que novos corretores ingressem no mercado de trabalho, seriam de uma empresa apontada como tendo ligação com o ex-secretário de Educação de Cuiabá, Alex Vieira Passos. Em contato com a reportagem, no entanto, Alex explicou que não é mais sócio desde 2010. Reforçou também que não tem nada a ver com o Creci.

Segundo informações prestadas pela denunciante aos policiais federais, o Conselho estaria fazendo o registro retroativo do diploma, o que faz a declarante acreditar que isso seja feito mediante diploma falso. "Isso não é comum, mas vem sendo feito com muita frequência", diz a depoente. 

"No momento que os fiscais do Creci fazem a fiscalização do exercício irregular da profissão, ao autuar o trabalhador, na mesma hora eles oferecem a venda do diploma e da carteira de corretor no valor de R$ 10 mil". 

Na verdade, quem compra nem faz o curso e nem paga o valor real. Pois segundo ela, o curso chega a ser de seis ou oito meses e o valor da carteira, ao final das aulas é de R$ 1.600 e para ser corretor o candidato precisa ter nível médio. No entanto eles pagariam R$ 10 mil pelo registro e pelo diploma, sem possuírem esse nível de escolaridade. 

Nesse momento que entraria em cena a empresa Ceteps, que é uma rede de escolas técnicas especializadas em cursos à distância, que teria ligações com Creci-MT. A suspeita é de que para facilitar a entrada e inscrição de novos corretores, a escola de ensino à distância é indicada e em troca libera com mais facilidade o diploma de corretor. Segundo a declarante, a maioria dos diplomas de corretores vem da Ceteps. "Apesar de ter mais de dez escolas aptas a fornecer diplomas, cerca de 90% são da Ceteps", comentou. 

Ainda segundo o depoimento, que o Olhar Direto teve acesso com exclusividade, um dos fiscais, que recebe um salário de R$ 3 mil mensais do Creci, tem vida desproporcional aos ganhos mensaia. Esse fiscal seria um dos responsáveis por oferecer facilidades em troca de R$ 10 mil. 

Essa declarante ainda diz que houve uma denúncia dessas possíveis facilitações dentro do Creci e isso fez com que o Conselho Federal tomasse atitudes e ela foi retirada do cargo e colocada para trabalhar no setor jurídico. Isso para lhe dar mais segurança dentro da instituição, pois antes ela fazia parte do setor administrativo e sabia como aconteciam as irregulares homologações de novos corretores. 

Depois que o caso passou a ser investigado pelo Conselho Federal e posteriormente pela Polícia Federal, a declarante, antes de ser retirada do cargo administrativo, teve que tirar férias. Um dia antes, os dois fiscais que eram responsáveis por fazer as cobranças exorbitantes e fraudes documentais pararam de falar com ela. 

Ainda na Polícia Federal ela disse que uma mulher, que seria a advogada do Creci-MT, tirou a carteirinha de corretora sem precisar fazer o curso. Tudo com aval de Benedito. 

No fim, a declarante confirmou que as irregularidades dentro do Creci-MT acontecem há muitos anos e com isso outros funcionários poderiam confirmar tal tese. Inclusive, ela deixou algumas mensagens de WhatsApp para poder confirmar que algumas conversas eram tratadas em grupos e outras no particular, pedindo aval de documentação e informações sobre andamento da confecção de diplomas e carteirinhas. 

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a empresa Ceteps, mas até o final da reportagem o proprietário não tinha emitido sua nota explicativa, nem seus advogados. 

Os advogados do ex-secretário de Educação de Cuiabá Alex Vieira Passos disseram que a Ceteps não têm mais ligação alguma com a família. 

Através de sua assessoria, o Creci-MT, 19ª Região, manifestou  que a denúncia foi formulada por Claudeci Roque Contreira, que é um dissidente da diretoria. Inclusive, ele seria o responsável por assinar os diplomas, pois na época ele era diretor secretário e por conta disso já foi punido.

Ainda segundo a assessoria, a investigação já foi esclarecida para a Polícia Federal e para a auditoria do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis também não teria encontrado. 

A reportagem também tentou falar com outros envolvidos na declaração, mas por ninguém quis se manifestar sobre o assunto. 

Por enquanto, a Polícia Federal prefere não comentar a investigação, tendo em vista que outras pessoas serão ouvidas e mais provas serão colhidas antes de ser tomadas qualquer atitude jurídica. 

4 comentários

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  • Paulo
    02 Jul 2020 às 15:01

    Esse CRECI 19 região e só maracutaia

  • Edivaldo
    01 Jul 2020 às 17:55

    A maioria dos credenciais pela cresci não tem segundo grau completo e ainda estão fazendo avaliação de impáveis urbanos e rurais sem ter competência técnica para isso pois não são Florestai e nem tão pouco agrônomos isso é um absurdo

  • fabinn
    01 Jul 2020 às 17:53

    Olha, posso estar muito enganado, mas o vice presidente, que pagou essa mnateria, deveria se explicar pelos atos de racismo que ele responde na justiça, asséedio sexual, ofensas de toda ordem. Ora Olhar Direto, tinha grande prestigio pelo conteudo deste site, porém, vejo que se vendem por mixaria sem sequer saber o que esta ocorrendo.

  • Velho Chico
    01 Jul 2020 às 17:40

    Que vergonha! Esse Alex foi meu colega de faculdade.

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