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Quinta-feira, 22 de outubro de 2020

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Furacões acima do normal nos EUA contribuíram para fogo e falta de chuvas no Pantanal

Da Redação - Wesley Santiago

21 Set 2020 - 10:50

Foto: Noaa

Furacões acima do normal nos EUA contribuíram para fogo e falta de chuvas no Pantanal
O ser humano, apontado como um dos principais causadores dos focos de incêndio que assolam o Pantanal este ano, também pode ser apontado como o causador das condições climáticas que propiciam que tais condições se potencializem. O aquecimento global, que tem sido ponto de preocupação ano após ano, tem feito em 2020 algo parecido com o que aconteceu em 2005. A temporada de furacões acima da média nos Estados Unidos da América (EUA), o que gerou até a escassez de nomes para eles, tem ‘puxado’ a umidade do oceano para longe do Brasil, causando menos chuva no Brasil.

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Responsáveis por levar tanta chuva e ventos, os furacões têm sido mais frequentes este ano. As águas do Oceano Atlântico estão mais quentes, o que propicia a formação deles. Este ano, conforme dados de diversas pesquisas, tem sido muito parecido com o de 2005, quando o ‘Katrina’ devastou a cidade de Nova Orleans, que fica no estado americano da Luisiana.
 
“Até este ano, 2005 tinha sido o pior em termo de furacões e tempestades nos EUA. Coincidentemente, foi o ano que mais se queimou no Pantanal. Quando olhei para os dados de 2020, vi claramente o mesmo padrão. É fácil fazer esta conexão entre o que acontece na temperatura dos oceanos com o que acontece na Amazônia”, disse Ana Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, em entrevista ao Fantástico.
 
A umidade do oceano, que entraria na Amazônia para ajudar a formar os corredores de chuva no país, acaba sendo sugada pelos furacões e levada para longe. Com menos umidade, o Brasil conta com menos chuva. Isso faz com que os períodos de seca sejam ainda maiores, o que contribui para que os incêndios sejam cada vez mais devastadores.
 
Além disto, também há impacto no principal setor econômico do país, que é o agronegócio. Com menos chuvas, a colheita também é prejudicada.
 
A pesquisadora Michele Sato, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), disse – durante audiência pública remota sobre queimadas no Pantanal realizada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT) – que o desastre no bioma é consequência de mudanças climáticas.

Pesquisadora da UFMT afirma que desastre no Pantanal é consequência de mudanças climáticas 
“Estamos vivendo uma crise planetária sem precedentes. Projeções indicam que vai piorar”, disse a pesquisa. Já Solange Ikeda, pesquisadora da Unemat destacou a importância de conservar o Rio Paraguai e seus afluentes e explicou a dinâmica dos chamados ‘rios voadores’.
 
“A água evapora do Oceano Atlântico, chega na Amazônia e é barrada pela cordilheira dos Andes. Então a água chega aqui no Centro-Oeste e no Sudeste e deságua em forma de chuva”, disse a pesquisadora da universidade estadual.
 
“Pantanal não é só onde alaga. Tudo que acontece no planalto interfere na planície. É importante haver política integrada para planalto e planície, para não permitir plantio de soja, como é permitido em outros biomas”, disse a professora Onelia Rossetto, da UFMT. Ela apontou ainda o plantio de espécies exóticas de pasto para engordar o gado e o baixo índice de áreas protegidas como fatores que agravam os incêndios no Pantanal.
 
André Luiz Siqueira, da Ecologia em Ação (Ecoa), criticou a postura do governo federal de culpar as unidades de conservação e defender a troca da vegetação do Pantanal por pasto. “Gado não é bombeiro do Pantanal. O principal regulador de desmatamento e incêndios do Pantanal é o Rio Paraguai, seus afluentes e suas áreas de inundação”, afirmou.
 
Mais de 1,3 milhão de hectares foram queimados neste ano, ou seja, 22% do bioma. “Este é o período que mais queimou desde o início do monitoramento de queimadas, em 1998”, informou Fabiano Morelli, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao exibir imagens de satélite que mostram o avanço do fogo e o rastro de destruição.

Sem nomes

Foram tantas as tempestades tropicais no Atlântico este ano que a Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por nomeá-las, está ficando sem nomes pela segunda vez na história.

Desde 1953, as tempestades tropicais no Atlântico recebem um nome a partir de listas elaboradas pelo Centro de Nacional de Furacões dos Estados Unidos e depois por um comitê internacional da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Inicialmente, as listas incluíam apenas os primeiros nomes de mulheres. Em 1979 foram introduzidos os nomes masculinos e agora se alternam com os femininos. Seis listas com 21 nomes são utilizadas, uma atrás da outra.

A temporada de tempestades tropicais no Atlântico deste ano, que termina em 30 de novembro, foi tão ativa que a ONU em breve ficará sem nomes e terá que recorrer às letras do alfabeto grego: Alfa, Beta, Gama, Delta e assim sucessivamente.

Furacão Katrina

Um dos furacões mais conhecidos da história dos Estados Unidos teve efeitos devastadores para os habitantes de Nova Orleans. Ocorrido em 2005, o Katrina matou pouco menos de duas mil pessoas.

Muitos americanos ficaram deslocados ou desapareceram, como é comum acontecer durante ciclones tropicais. O custo total dos danos foi estimado em cerca de 108 bilhões de dólares. Foi um dos piores casos de destruição natural na história mundial.

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