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Quinta-feira, 22 de outubro de 2020

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Anticiclones influenciaram em altas temperaturas e chuva volumosa deve começar na segunda quinzena de outubro

Da Redação - Fabiana Mendes

01 Out 2020 - 07:35

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Anticiclones influenciaram em altas temperaturas e chuva volumosa deve começar na segunda quinzena de outubro
Cuiabá registrou temperaturas históricas várias vezes ao longo deste ano. Além disso, ficou tomada pela fumaça das queimadas do Pantanal mato-grossense por meses e chegou em níveis críticos de umidade relativa do ar. Foram cerca de 120 dias sem registro de chuva.

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O professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), doutor Rodrigo Marques, explica ao Olhar Direto que o calor fora do normal foi influenciado por anticiclones, centros de alta pressão atmosférica onde os ventos possuem movimentos anti-horário, diferente dos ciclones que giram no sentido horário.  

“Este calor ocorreu porque em quase todo mês atuou o anticiclone por volta de 5km de altura. Ele sopra um vento seco de cima para baixo. Quando o ar chega aqui em baixo se comprime (é apertado) e se aquece. Ou seja, o ar que já estava quente foi sendo ainda mais aquecido ao longo do mês”, afirma.

Na tarde desta quarta-feira (30), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 44ºC às 14h, em medição realizada na sombra pela estação manual. Esta é a maior temperatura da história, desde que as medições começaram em 1911. 

As chuvas começaram em setembro, mesmo que tímidas. No entanto, não foi suficiente para dar fim ao intenso calor. O climatologista diz que no último dia 20, a estação automática não chegou a registrar 1 milímetro. Já a convencional apontou 1 mm no dia 20 e 5.8 mm no dia 24. O volume ainda é considerado baixo.

“As chuvas devem começar a ter seu ritmo normal após a primeira quinzena de outubro”, acrescenta Rodrigo Marques, que cita alguns dados do calor ao longo do mês. “Em setembro foram 19 dias com máxima de pelo menos 40°C e sete dias acima de 42ºC”.

Em estudos, o professor verificou um grande aumento da temperatura após 2009. “Por exemplo, em agosto nunca tinha sido registrado 40°C. De 2010 para cá já registrou 18 vezes, sendo nove só este ano. Nas últimas décadas está com tendência de aumento de temperatura, e vemos agora que números nunca antes registrados, passaram a ser”.

Nos últimos 30 anos, Cuiabá perdeu cerca de 17% das áreas verdes de seu território. Se mantido o ritmo, pouco restará do cenário que inspirou o apelido de cidade verde. Isso tem grande influência no surgimento de ilhas de calor.

Como forma de amenizar o calor, o climatologista diz que o primeiro passo é entender que entre maio e setembro sempre foi quente e seco  na Capital. “Precisamos aprender a lidar com isso”, conta. Entretanto, ele pontua a necessidade da manutenção de sombra, grama e arborização na substituição de concreto.

“As casas cuiabanas antigas eram totalmente adaptadas ao calor. Pé direito alto, parede de adobo, quintais sombreados, totalmente adaptados ao calor.... Uma sabedoria tradicional que foi perdida em nome do ‘progresso', que na pratica é um atraso em relação a nossa maneira de lidar com o calor cuiabano", finaliza. 

Rodrigo é licenciado e Bacharel em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso (2005), mestre em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso (2006), Doutor em Ciências (Meteorologia) pelo Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo - USP (2011). 
 

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