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‘Colar’ em Bolsonaro, mostrar o que já foi feito, investir em diferentes formatos: veja estratégias de candidatos nas redes sociais

Da Redação - Isabela Mercuri

24 Out 2020 - 13:58

Foto: Reprodução

‘Colar’ em Bolsonaro, mostrar o que já foi feito, investir em diferentes formatos: veja estratégias de candidatos nas redes sociais
A eleição para o Senado em 2020 é uma eleição atípica por diversos motivos. Primeiro, por ter sido mudada de data e contar com uma campanha mais curta. Segundo, por ser realizada em meio à uma pandemia, em que o ‘corpo a corpo’ deve ser evitado. E terceiro, por ser uma eleição suplementar, que acontece somente em Mato Grosso, após um dos senadores do Estado – a ex-juíza Selma Arruda (PODE) – ter sido cassada. Sem elencar a importância de cada um destes acontecimentos, o fato é que eles levaram a campanha eleitoral cada vez mais para as redes sociais, e é ali que os candidatos buscam se reinventar e chegar ao maior número de pessoas no menor tempo possível. O Olhar Direto traz, nesta reportagem, as ‘cabeças’ por trás das redes de três candidatos ao Senado, para entender as estratégias de cada um em meio a tanta novidade.

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Coronel Fernanda: do anonimato à queridinha de Bolsonaro

Com vinte anos de experiência em marketing digital e redes sociais, Alexander Setuguti, 45, encontrou as redes sociais de coronel Fernanda praticamente ‘abandonadas’. Antes de ser candidata, ela sempre quis manter o máximo de sigilo sobre sua vida, para proteger a família e a própria imagem. Quando decidiu ser candidata, precisou começar o trabalho do zero.

“Ela mesmo postava, e tinha praticamente pouquíssimos posts que ela fazia, para preservar tanto a intimidade dela quanto da família, pelo fato de ela não ser uma pessoa pública”, contou Alexander ao Olhar Direto. “Nosso primeiro passo como equipe foi justamente fazer com que evidenciasse, em um primeiro momento o apoio do presidente e a história como aconteceu esse convite”.

A primeira história apresentada foi a do convite, em formato de storytelling, e evidenciá-la como “a escolhida” de Bolsonaro. Já na pré-campanha, sem se apresentar enquanto candidata, a Coronel já surgia na timeline dos bolsonaristas, com linguagem mais profissional e criada por especialistas. Somente após o início da campanha que a tônica mudou, com apresentação de propostas e das viagens para o interior.

Com o trabalho, o número de seguidores no Facebook – rede mais importante para ela – foi de mil para 19 mil, e o engajamento no Instagram também cresce significativamente. Um fato incomum que ajudou nas redes sociais da candidata foi a queda do avião em que ela estava, recentemente. “Outra situação também, durante a campanha, foram os sucessivos ataques que ela vem recebendo”, contou Alexander. “Ela não era uma pessoa pública, nunca teve vida política pregressa, mas começaram a vir vários ataques que de uma certa forma acabaram a favorecendo, porque ela era uma pessoa totalmente desconhecida no cenário, e quanto mais eles falavam mal, mais as pessoas tinham curiosidade de saber quem é essa mulher”.

Para além de evidenciar o apoio de Bolsonaro à Coronel, o objetivo é também mostrar porque Fernanda foi a escolhida. “Ela é uma pessoa extremamente inteligente, e a gente procurou também trazer no programa quais foram as prerrogativas que levaram o presidente a escolhê-la, porque ela foi chamada por alguns de poste, que ela era uma marionete... e ela tem duas faculdades, cinco pós-graduações, inclusive algumas na área de gestão pública, então a gente procurou mostrar nas redes sociais, que ela é uma pessoa preparada para assumir esse cargo caso seja eleita”.
 
Nilson Leitão: velho conhecido

Totalmente ao contrário do que a situação da coronel, o candidato Nilson Leitão (PSDB) já é um velho conhecido no estado. Foi prefeito, vereador e deputado federal duas vezes. Seu desafio, então, é outro. E quem está por trás dele é Gabrielle Araujo de Barros, 32, que trabalha com redes sociais há 12 anos.

Mesmo sendo político há muitos anos, Leitão não cuidava muito das redes sociais. “A gente encontrou tudo muito parado na verdade, porque ele não tinha o costume de atualizar, não tinha uma pessoa específica pra fazer isso, tinham alguns conteúdos, mas tudo muito esporádito, e o alcance dele era baixíssimo”, contou Gabrielle.

A primeira estratégia, entao, foi criar o que se chama “presença social” do candidato, apresentando-o novamente e mostrando tudo o que ele já fez enquanto gestor, para depois entrar nas propostas de sua atual campanha. “Eu tenho três bases de conteúdo: propostas, depoimentos de pessoas que conhecem ele, e depoimentos de pessoas que já se beneficiaram com seus mandatos, a população de Sinop principalmente”.

Segundo Gabrielle, o que mais gera engajamento nas redes sociais é o próprio candidato enquanto personagem. Uma das publicações com mais alcance, por exemplo, foi a que ele interagiu com a população, pedindo que mandassem perguntas para que ele respondesse em vídeo. Com o trabalho nas redes, o engajamento cresceu 1000%.

No fim das contas, mesmo a interação negativa, segundo Gabrielle, é benéfica. “Na verdade eu acho que rede social em si deve ser usada para criar diálogo, pra conversar com a população, pra conseguir mostrar mais tanto do mandato quanto do que voce pode fazer. Entao eu acho que a importancia é exatamente essa, criar um diálogo com o eleitor”.
 
Euclides: de advogado ‘popstar’ a político multimídia

O advogado Euclides Ribeiro (Avante) representa ainda uma terceira situação nas redes sociais. Por ser uma pessoa influente no mercado da advocacia e processos de recuperação judicial, ele já tinha páginas cuidadas por profissionais. No entanto, precisou mudar a estratégia e o foco ao tornar-se candidato.

Para isso, contratou a ‘Lêmure Comunicação’, sob o comando de Jhenifer Heinrich, 29, jornalista, e Lumara Dalva,28, publicitária. As duas trabalham com redes sociais desde 2010. “A estratégia política é completamente diferente da “comercial”, por isso a necessidade de ter uma equipe especializada cuidando deste período eleitoral”, explicam. Segundo elas, há alguns anos o mundo digital ainda era ignorado pelo meio político. “Ninguém botava fé na força das redes sociais. Com o advento das redes com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, muitas pessoas, inclusive políticos, começaram a enxergar as redes com mais potencial influente”.

Lumara e Jhenifer (Foto: Divulgação)

A primeira estratégia de Euclides, ao mudar o foco de suas redes, foi de falar o que o público queria saber, além de transmitir a verdade do candidato de uma maneira que agrade ao eleitor. Além disso, uma inovação do candidato foi a utilização de diversas redes e formatos, tendo cada uma um público alvo.

“Utilizamos e atualizamos diariamente o Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, Spotify, LinkedIn. Formatos de conteúdo são vários, depende da plataforma e conteúdo criado. Nossos programas de TVs e história do candidato, que são programas mais longos, são publicados no YouTube. Já os podcasts intitulados “700 segundos”, são disponibilizados no Spotify e o vídeo também no YouTube. Facebook e Instagram são os queridinhos dos mato-grossenses, por isso, são mais explorados do que as demais plataformas e os formatos também variam mais entre vídeos mais longos, curtos, fotos, artes alltype, carrossel, enfim”, explicam as responsáveis.

Em todos as redes, o candidato busca mostrar suas propostas, principalmente em relação ao ‘nome limpo’, para que as pessoas consigam mais crédito, e críticas ao mercado financeiro. “Além disso, também trabalhamos temas muito importantes e carentes em nosso estado, como saúde com a defesa e ampliação do SUS, educação com o plano de expandir a internet para os alunos mato-grossenses”.

Com o trabalho atual, o candidato viu seu engajamento crescer exponencialmente. Segundo Jhenifer e Lumara, atualmente número de seguidores não é a principal métrica a ser analisada. “Na última semana tivemos mais de 600 mil pessoas alcançadas, 20 mil pessoas interagindo diretamente com nossos conteúdos e dentro das nossas estimativas, esse número deve dobrar em breve”, finalizam.  

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