Olhar Direto

Segunda-feira, 08 de março de 2021

Notícias / Ciência & Saúde

Mulheres trans têm menos risco de desenvolver câncer de próstata, mas precisam fazer exame, alerta urologista

Da Redação - José Lucas Salvani

30 Nov 2020 - 15:03

Foto: Luiz Alves

Mulheres trans têm menos risco de desenvolver câncer de próstata, mas precisam fazer exame, alerta urologista
As mulheres transsexuais são menos propensas a desenvolver câncer de próstata, mas ainda precisam realizar exames, alterou o urologista Doutor Newton Tafuri, durante uma palestra na prefeitura de Cuiabá, promovida pela Secretaria Municipal da Mulher. O Olhar Direto esteve presente no evento, que também promoveu o debate de políticas públicas para a comunidade trans.

Leia mais:
Superar preconceito é desafio para prevenir câncer de próstata

“As transformações hormonais, quando são feitas com o devido acompanhamento médico, independente se fez a cirurgia, o risco de câncer de próstata diminui muito”, explica o urologista. Mesmo com menos risco, o recomendado é que mulheres transsexuais façam os exames necessários para um possível diagnóstico, como o toque retal: “apesar do risco ser muito baixo, a gente tem que considerar que ele existe, por menor que seja”.

“Independente de qual seja a cirurgia, a próstata em si nunca é retirada, ela fica lá cumprindo suas funções. Acontece que quem faz o seu tratamento hormonal com acompanhamento médico vai ter uma diminuição da testosterona então, obviamente, o câncer de próstata diminui bastante a incidência. Não dá para falar que é risco zero”.

Elis Regina Prates, secretária da Mulher de Cuiabá, explicou ao Olhar Direto que a pasta resolveu abrir o espaço para debater sobre o novembro azul justamente pelas mulheres transsexuais poderem ser vitimas de câncer de próstata. O encontro também visou estreitar uma relação com esta população que precisa de um melhor atendimento no âmbito da saúde.

“Para nós, interessa sim o tema. Nós aproveitamos a oportunidade para estreitar os laços. O que nós queremos é isso: que as pessoas compreendam que a secretaria da mulher não existe só para vítimas de violência doméstica, mas que ela é muito mais ampla. Estamos aqui para acolher a mulher de maneira geral (...) Eu penso que toda pessoa merece carinho, atenção e respeito. A gente compreende que muitas vezes para a comunidade LGBT [isso] fica muito a desejar”, explica.

Ambulatório trans

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá, por meio do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), devem oferecer tratamento hormonal para pessoas transsexuais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com a criação de um ambulatório trans no Hospital Júlio Muller. A previsão inicial era oferecer atendimento ainda no primeiro semestre de 2020, mas devido a pandemia do novo coronavírus o projeto precisou ser adiado.

O quadro de profissionais será vasto. Segundo Kamylla dos Reis, o Júlio Müller irá oferecer endócrino, dermatologistas, clínico geral, infectologista, psiquiatra, urologista e ginecologista. Já o SAE ficará responsável pela enfermagem, nutrição, psicologia e fonoaudiologia, além de serviços sociais e prestar assistência jurídica, que contará com ajuda de profissionais voluntários. “Dentro deste quadro, tem servidores do município, mas também têm profissionais voluntários que são pós-graduandos da UFMT e professores. Eles vão atuar como voluntários para atendimento”.

O atendimento visa para além de uma futura cirurgia de redesignação, visto que muitos sequer cogitam o processo. O objeto é oferecer um atendimento integral e também trabalhar na redução de danos pessoas que, por exemplo, fizeram mal uso de hormônios. “A proposta também do ambulatório é trabalhar com a redução de danos de pessoas que fazem o uso e tentar orientar a fazer corretamente, e fazer o acompanhamento”.

De acordo com a técnica de Saúde, Maria José, a oferta cirurgia de redesignação sexual (CRS) em Mato Grosso é almejada para 2022. As pessoas transsexuais que desejarem realizar o CRS antes desta data serão encaminhadas a Goiânia por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD). “A cirurgia só pode ser realizada no hospital quando ele foi credenciado. Por isso temos poucos hospitais que fazem esse cirurgia no Brasil. O ambulatório só pode ser credenciado depois que ele cumpre todos os requisitos que o Ministério da Saúde solicita”, explica Kamylla.

Câncer de próstata 

O câncer de próstata é um dos cânceres mais assintomáticos, ou seja, nem todos os homens manifestam a doença. Muitas vezes os sintomas podem ser confundidos ou atribuídos a outras patologias.

A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. A consulta com o médico especialista irá conscientizar sobre a importância do exame, riscos e sequelas. O urologista através do exame de toque e do PSA (antígeno prostático específico) poderá detectar alterações na glândula, que sugerem câncer. Quando diagnosticado um tumor em estágio inicial, há uma maior possibilidade de tratamentos, menos agressivos e com menos consequências.

Comentários no Facebook

Sitevip Internet