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Medalhista de ouro, Ana Sátila relembra choque ao descobrir que as Olimpíadas haviam sido adiadas: ‘não esperava’

Da Redação - José Lucas Salvani

28 Nov 2020 - 16:47

Foto: Hélder Faria

Medalhista de ouro, Ana Sátila relembra choque ao descobrir que as Olimpíadas haviam sido adiadas: ‘não esperava’
Medalhista de dois ouros na Copa do Mundo da Canoagem 2020, Ana Sátila, que cresceu em Primavera do Leste, relembrou em entrevista ao Olhar Direto como foi o dia que descobriu que os Jogos Olímpicos foram adiados devido a pandemia do novo coronavírus. A atleta foi a mais jovem brasileira a participar da competição, em 2012, e se prepara para competir na edição de Tokyo, prevista para julho de 2021.

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“Eu não esperava. Continuei meu treinamento normal, como se nada tivesse acontecido. Estava me cuidando como muita gente e estava seguindo todas as normas de restrição. Só que querendo ou não, ainda tinha uma dúvida no ar. Eu realmente não esperava que seria adiado de verdade. Quando recebi a notícia, foi um choque muito grande”, relembra.

Apesar de se surpreender com a decisão do adiamento, Ana entende que esta foi a melhor medida a ser tomada diante do caos em que o mundo se encontra devido ao novo coronavírus. Por enquanto, as Olimpíadas de Tokyo estão marcadas para julho de 2020 e o Japão se prepara de todas as formas conseguir fazer um evento seguro a todos participantes, desde atletas a espectadores e imprensa. Entre os preparativos, meio bilhão de doses de vacina foram compradas.

Ana desembarcou no Brasil há alguns dias, após ganhar duas medalhas de ouro nas duas etapas da Copa do Mundo de Canoagem, que passou pela Eslovênia e França, na categoria C1. As vitórias servem como uma motivação maior para seguir para as Olimpíadas de Tokyo.

“Eu acho que essa edição dos Jogos vai ser a mais especial de todas. Acredito que nós, atletas, a gente precisou se superar muito desde o início. Eu nunca fui acostumada a treinar em casa ou sozinha, sem técnico e sem uma equipe. Ter passado por isso, essa superação, eu aprendi muito. Foi um aprendizado incrível, uma bagagem de experiência muito grande que a gente continua usando em outros desafios. Eu consegui crescer muito e acho que foi um fator que ta me ajudando bastante. Eu conseguir sentir isso já nessas duas competições e o meu objetivo é levar essa experiência e aprendizado para os Jogos Olímpicos”.

Beneficiária do Programa Bolsa Atleta, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Seel), existente na época, ela aos 16 anos pisou em Londres para sua primeira participação nas Olimpíadas, mas sua carreira começou muito antes disso. Aos 12 anos, ela já era campeã brasileira.

“Para mim, o esporte muda a vida das pessoas, como mudaram a minha e de minha família inteira. A experiência e a bagagem que ele traz como profissional e pessoa, eu não consigo te citar outra coisa que te ajuda e impulsiona tanto quanto o esporte. Mudou minha vida. Tem sido um diferencial. Claro que é uma superação a cada dia. É difícil e árduo, mas esse gostinho quando você termina, se superou e conseguiu vencer, desde o campeonato municipal até o mundial, esse gostinho de superação é incrível e te marca. Com certeza para mim, a minha modalidade é um esporte incrível que mudou minha vida, mas tenho certeza que qualquer esporte ou modalidade tem esse dom de ajudar as pessoas”.

Quando ela começou, o cenário de mulheres dentro do meio esportivo era completamente diferente de agora. Na sua primeira ida aos Jogos Olímpicos, em Londres, ela era a única mulher da seleção.

“As mulheres têm dominado muito o cenário esportivo no Brasil. A gente viu isso nos jogos pan-americanos, que já tinha uma quantidade muito maior de mulheres competindo e de medalhas quando terminou. Para mim, as mulheres estão conquistando um espaço que é nosso e que está ali para ser conquistado. Eu me sinto muito orgulhosa, como mulher, em fazer parte desta equipe, e de estar conquistando o meu espaço lutando. Eu acho que a gente tem muito para fazer”, finaliza.

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