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Quinta-feira, 11 de agosto de 2022

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Tragédia ambiental

Desmatamento, fogo em terra indígena e ‘encontro das chamas’; laudos detalham incêndios no Pantanal

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Desmatamento, fogo em terra indígena e ‘encontro das chamas’; laudos detalham incêndios no Pantanal
Os laudos confeccionados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), assim como as investigações da Delegacia Especializada de Meio Ambiente (DEMA), apontaram a origem dos focos de incêndios que assolaram o Pantanal este ano e identificaram os responsáveis pelas áreas. Diversos inquéritos estão sendo finalizados, com o objetivo de responsabilizar os culpados pelos diversos crimes ambientais.

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“A ação humana foi preponderante para que o ocorrido este ano, no Pantanal e na Baixada Cuiabana, que resultou em perda do bioma e da nossa qualidade do ar. Foram identificados responsáveis. Como não há violência contra pessoas, é mais difícil um deferimento de pedido de prisão, ainda mais por conta da pandemia. Mas pretendemos atuar tecnicamente para responsabilizar, dentro da parcela de pertencimento criminal de cada indivíduo”, explicou a delegada Alessandra Saturnino, titular da Dema.
 
O perito Alberto Pavan explicou que no caso do incêndio do Hotel Sesc Porto Cercado, foram três focos que deram início ao fogo devastador. Dois deles foram em propriedade privada e outro dentro de terra indígena, fato este que será investigado pela Polícia Federal.
 
“Um dos focos surgiu após um crime de desmatamento, em que foi colocado fogo posteriormente. O outro foi por conta de um maquinário agrícola que também se incendiou, não sabemos ainda se por ação humana intencional ou não e o terceiro dentro de uma terra indígena, o que é de competência federal”, explicou o perito.
 
Ainda conforme Alberto, alguns fatores já levavam a crer que a ação humana foi preponderante para os incêndios no Pantanal: “Estávamos em uma época em que não havia incidência de raios e também eram locais sem rede elétrica, o que já praticamente descartava as causas naturais”.
 
Sobre o carro que pegou fogo na Transpantaneira e que deu início a um incêndio de grandes proporções, o perito explicou que não foi possível determinar se ele foi intencional ou se o veículo pegou fogo por problemas mecânicos.
 
A delegada Alessandra Saturnino ainda fez questão de citar o caso da onça-pintada Amanaci, resgatada durante incêndio que atingiu o Pantanal, em Poconé (104 quilômetros de Cuiabá), com as patas totalmente queimadas. Ela se faz presente no inquérito e foi salva no dia em que um fato extremamente grave ocorreu.
 
“Houve um determinado dia e quem os três incêndios (surgidos destes três focos diferentes) se encontraram, foi quando resgataram aquela onça com as patas queimadas. Ela teve a sorte de ser resgatada, foi inclusive mencionada no laudo pericial, mas quantos outros animais não escaparam, quantas carcaças foram encontradas. Agora, o animal se recuperou, mas não poderá mais viver na natureza, devido às sequelas”, finalizou a delegada.
 
Onça recuperada
 
A onça-pintada Amanaci, resgatada durante incêndio que atingiu o Pantanal, em Poconé (104 quilômetros de Cuiabá), se curou após mais de 70 dias em tratamento contra as queimaduras que sofreu. Porém, sua rotina nunca mais será a mesma, uma vez que sofreu danos permanentes na pata, que a impedem de sobreviver em seu habitat natural, a natureza.
 
Curada das feridas, a onça finalmente voltou a caminhar sem as botas que protegiam suas queimaduras. A onça-pintada, que pesa aproximadamente 60 kg, foi uma das centenas de animais resgatados pelo Instituto Nex nos incêndios que atingiram o Pantanal nos últimos meses.
 
Na última quarta-feira (9) a equipe de veterinários fez sua última captura, na qual foi feita anestesia e um último curativo nas patas queimadas, quando, então, observaram a possibilidade de alta para o animal.
 
Apesar da recuperação das feridas causadas pelo fogo, infelizmente, a onça-pintada Amanaci não tem mais condições de voltar a viver livre na natureza, já que perdeu funções que a impedem de executar funções básicas para sua sobrevivência, como caçar e escalar, explica o veterinário Thiago Luczinski.
 
“Ela não vai poder voltar para a natureza porque ela perdeu os tendões que expõem as garras; foram todos queimados. Por causa disso, ela não consegue caçar, escalar, não expõe mais as garras; com isso ela não volta mais para a natureza”.
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