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Aulas no CEJA Cesário Neto só serão ofertadas durante a noite e alunos reclamam de reestruturação

Da Redação - Fabiana Mendes

09 Jan 2021 - 07:30

Foto: Daniela Toviansky/Guia do Estudante/VEJA

Aulas no CEJA Cesário Neto só serão ofertadas durante a noite e alunos reclamam de reestruturação
Gerou críticas da comunidade escolar do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) Antônio Cesário de Figueiredo Neto, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, a exclusão de aulas no período matutino. Com uma reestruturação da Secretária de Educação (Seduc), alunos de outras três instituições irão ser remanejados para o local durante o dia e os alunos adultos só poderão estudar no período noturno.

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O CEJA Antônio Cesário de Figueiredo Neto atendia cerca de 1000 alunos de diversos bairros de Cuiabá no período matutino e noturno. O futuro incerto desses estudantes que só podiam comparecer as aulas durante o dia causa preocupação. 

Isabel Cesário, que assumiu a direção do CEJA Cesário Neto há cerca de uma semana, disse que ao chegar na unidade, se deparou com um turbilhão de informações.

“A primeira é que a CEJA vai ser extinta no estado inteiro. Vão mudar isso para uma Edieb [Escola Estadual de Desenvolvimento Integral de Educação Básica]. Vai poder atender tanto EJA, quanto regular. Até aí é um projeto muito bonito que ampliaria nossa forma de atendimento. O problema é que teve uma reunião no ano passado, eles foram falar dessa transformação e o Cesário Neto nem aparecia na lista. Ele seria extinto. Teve algumas reuniões e com muita luta, conseguiram transformar o Cesário Neto para essa nova modalidade de Edieb. Só que foi autorizado somente o período noturno para atendimento aos alunos”, explicou.

Entretanto, o atendimento somente para o período noturno reduziria as oportunidades, já que muitos alunos que trabalham à noite, por exemplo, precisam assistir aula no período matutino. 

“O CEJA tem um público diferenciado. São pessoas que foram excluídas por algum motivo durante a vida da escolarização regular e se sentem à vontade de retornar conosco. Temos senhoras que foram mães cedo e não conseguiram estudar e agora conseguem deixar as crianças na escola e vem de manhã estudar com a gente. Tem o pessoal que trabalha a noite bar/restaurante do centro mesmo, e tem a possibilidade de fazer a modalidade do EJA durante o período matutino. Só a gente que atende na região esses alunos. Fora os alunos especiais. A escola em 2018/2019, contava com mais de 60 alunos com necessidades especiais. 2020 foi um ano atípico por conta da pandemia, os números caíram um pouco, mas não representam nossa realidade”, acrescentou.

A redução das aulas gerou comoção dos alunos que se manifestaram em defesa da escola.

“Solicito que seja garantida a possibilidade de terminar meus estudos da mesma forma que comecei, como a Seduc tinha divulgado, o calendário contínuo com carga horária/Etapa que garante para o aluno trabalhador a possibilidade de terminar o ano de estudo de forma mais rápida, já que o mercado de trabalho exige o Ensino Médio completo. Percebo que com estas modificações que a Seduc fez no calendário das aulas do EJA, meu direito está sendo negado”, pediu Júnior Sylveter.

Veja dois depoimentos de alunos:




 
Outro lado
 
Procurada pela reportagem, a Seduc informou que a mudanças realizadas na escola atendem a três Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) feitos com o Ministério Público do Estado em relação às escolas Nilo Póvoas, Barão de Melgaço e Santos Dumont. Elas ainda vão permitir a construção simultânea de duas novas unidades.

A Escola Estadual Barão de Melgaço vai deixar o prédio do antigo Nilo Póvoas para que esta última unidade seja reformada. O local vai receber um Centro de Referência de Formação e Atendimento de Alunos Especiais. Os alunos da Barão De Melgaço, que estavam no Nilo Póvoas, passam a ocupar as salas do Cesário Neto no período diurno.

Outro TAC é referente ao Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Casies), que hoje ocupa um prédio alugado e com estrutura precária. A transferência dos alunos para o Cesário Neto visa melhorar o atendimento, além de representar uma economia anual de R$ 149.341,44.

Em relação à Escola Estadual Santos Dumont, a Seduc informou que o prédio será demolido este ano para a construção da nova sede com 16 salas de aula e demais dependências e quadra poliesportiva coberta. Neste período de construção os alunos serão atendidos na EE Barão de Melgaço, que foi para o Cesário Neto.

Mesmo com todas as alterações, frisou que com as adequações que serão feitas na unidade, a escola terá 25 salas de aula e todas elas estarão disponíveis para os alunos do EJA no período noturno. O atendimento no antigo CEJA Antônio Cesário Neto é feito na forma de Carga Horária Etapa onde o aluno não tem o compromisso de ir os cinco dias da semana. Além disso, haverá espaço de sala de aula para eventuais atendimentos aos alunos do EJA no período matutino.

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