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"Tenho medo de morrer e meus filhos ficarem sem ninguém", relata mãe que luta contra câncer

Da Redação - Marcos Salesse

08 Abr 2021 - 07:45

Foto: Reprodução

Há pouco mais de duas semanas Dayani Cristina Barbosa, de 36 anos, foi diagnosticada com um nódulo maligno na tireoide. Mãe solo, a confeiteira se desdobra para cuidar dos três filhos, em especial os gêmeos de três anos, que apresentam quadros de Esquizofrenia e Macrocrania. Desempregada e com dificuldades para vender os biscoitos de nata que ela mesma produz, Dayani busca ajuda para seguir lutando. 

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Sua principal fonte de renda vinha dos doces e biscoitos que vendia pelos bares da capital, mas com o agravamento da pandemia, suas vendas caíram drasticamente. "Nos últimos dias tenho tido muita dificuldade para vender, faço postagens nas redes sociais mas não sai nada. Com a pandemia ficou ainda mais difícil conseguir. Não tenho para onde pedir socorro", desabafa. 

Diante da falta de renda, Dayani decidiu recorrer às redes sociais para tentar conseguir alimento. Em uma publicação feita em julho de 2020, a confeiteira oferecia serviços de faxina em troca de leite e frutas. Para a mãe, a pior dor que sente é não ter o que dar de comer para os filhos. "Não posso deixar meus filhos passarem fome, posso até capinar o quintal, faço o que for. É difícil ver o seu filho pedir algo para comer e você não ter para dar", disse. 



Com um diagnóstico apontando a presença de um tumor maligno na tireoide, a confeiteira relata que vem enfrentando dificuldades para conseguir atendimento no Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá (ITC), já que até o momento não conseguiu uma resposta definitiva sobre a cirurgia que precisa fazer para a retirada do nódulo. "Fui ao ITC e não quiseram me operar, mesmo o meu caso sendo de urgência e emergência. Hoje estou desesperada, não sei para onde correr", afirmou. 

Segundo Dayani, a justificativa dada por um dos médicos da unidade de saúde, é que por conta da paciente ter tido um quadro positivo para a Covid-19, seria necessário esperar quatro meses para que a cirurgia fosse realizada. 

Sem a ajuda do pai dos gêmeos, que de acordo com a autônoma não quis ao menos registrar os filhos, a família mora de favor na casa da mãe adotiva da confeiteira e sobrevive com os poucos biscoitos que consegue vender, além da ajuda financeira que chega por meio da pensão que a filha mais velha, de 15 anos, ainda recebe. 

Ainda segundo Dayani, a cirurgia para a retirada do nódulo é a única forma de impedir que o câncer se alastre para outras partes do corpo. "Sinto muita dor. Meus pés e minhas pernas estão sempre muito inchados. Me canso muito. Preciso fazer essa cirurgia, tenho medo de morrer e meus filhos ficarem sem ninguém", finalizou. 

A confeiteira mantém seus canais abertos para as pessoas que quiserem colaborar, seja enviando doações ou fazendo pedidos de biscoitos. Para falar diretamente com Dayani, ligue: (65) 9 9350-3461. E para fazer doação em qualquer valor: Caixa Econômica Federal - Agência: 1681 / Conta Poupança 00061514-3 / CPF 002.943.951-56 

OUTRO LADO

Nossa equipe de reportagem entrou em contato com o ITC na tarde desta segunda-feira (5). Segundo a unidade, não existe nenhum tipo de recomendação institucional sobre a possível espera de quatro meses para que pacientes que tenham tido diagnóstico positivo para Covid-19 serem operados. 

Ainda de acordo com o Instituto, o médico responsável pelo atendimento de Dayani não está se responsabilizando por cirurgias nos últimos dias pois está em um congresso. 

"Nós não temos essa prática institucionalizada. O doutor só não vai atender essa semana pois está em um congresso. Não temos conhecimento deste caso, temos sempre um atendimento bem especial para todos os nossos pacientes", afirmou o ITC. 

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