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Quinta-feira, 05 de agosto de 2021

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Secretário de mobilidade critica mudança: "Assusta dizer que BRT custará R$ 470 milhões sem projeto executivo"

Foto: Gustavo Duarte

Secretário de mobilidade critica mudança:
O secretário de Mobilidade Urbana do município de Cuiabá, Juares Samaniego, criticou o fato de uma obra que custará R$ 470 milhões para implantação não tenha projeto executivo, durante audiência pública sobre o modal de transporte, VLT ou BRT, na Câmara de Cuiabá na última semana. O Governo do Estado argumenta que o projeto não é necessário neste momento de escolha.

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"Como engenheiro, o que me assusta muito em uma apresentação de um grupo de trabalho (GT) na consulta pública do Estado de Mato Grosso, onde um profissional fala de obra de engenharia no valor de R$ 470 milhões não precisa de projeto executivo? O primeiro erro cometido nessa discussão a favor do BRT foi a comparação do modal. Conforme informações dos fabricantes, o VLT tem vida útil de 30 anos e o BRT de 15 anos. Eles apresentaram que o valor é de R$ 35 milhões para 54 ônibus. Mas não, o valor é R$ 142 milhões”, argumentou o secretário.
 
“Isso é falta de estudo de viabilidade. Só aí já tem uma diferença de R$ 110 milhões. A bateria do ônibus de até 8 anos de vida e 3 trocas fica em 15 anos, são mais de R$ 58 milhões. No final, o custo, se você for comparar a vida útil, chutando vai ser de 820 milhões. Para concluir, a obra do VLT é de R$ 400 milhões.  É diferente comparar um modal que tem projeto e outro não tem. Quero parabenizar a audiência, mesmo que o representante do Governo Rafael Detoni tenha reclamado do [tempo para fala de] 6 minutos. Mas quero lembrar que a audiência do Governo só durou 2 minutos e ainda, com séries de problemas na transmissão”, pontuou. 
 
Quem também argumentou contra o BRT foi a presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Anptrilhos), Silvia Cristina Silva. Ela destacou três pilares para que a Capital não implante o BRT: "São três aspectos fundamentais para balizar. Estamos em 2021 e não 2012; temos um sistema com 70% executado e o outro que não tem projeto; e terceiro ponto, para o engenheiro, uma obra sem projeto é o mesmo que o médico fazer cirurgia no escuro”, defendeu.
 
“Tenho notado muito que o tema VLT está sendo discutido como se estivéssemos em 2011, mas estamos em 2021. Foram investidos valores significativos oriundos do FGTS do trabalhador brasileiro. E quando o trabalhador era do conselho curador, foi aprovado o VLT. É por essas razões, porque existem normativas que não permitem a mudança do objeto. Tenho batido muito na falta de projeto executivo.  Nós, engenheiros, não podemos ter ideia de um empreendimento sem projeto. Isso está na lei brasileira, a lei de licitações pede isso. Como vou discutir se eu não tenho o projeto da estrutura?  As decisões estão sendo tomadas em números simbólicos, sem precisão. E desde 2018 exige-se no governo federal, o projeto executivo. (...) Sem isso, o recurso público não será bem aplicado", completou. 
 
O presidente da Casa de Leis, vereador Juca do Guaraná Filho (MDB), reiterou que o Legislativo cuiabano deveria ter sido ouvido no processo de mudança do modal de mobilidade urbana,  "Essa audiência pública vai muito além do que tratar de mudança de modal do VLT para o BRT, vai de ouvir a população cuiabana e várzea-grandense, ouvir pessoas que de fato vão usar o transporte coletivo para ir ao trabalho, para ir ao colégio, ao médico, essas pessoas precisam ser ouvidas, mas a Câmara de Cuiabá sequer foi ouvida. Quando assumi a presidência desta Casa solicitei uma audiência com o governador Mauro Mendes para tratar sobre o assunto, mas a audiência foi marcada quatro meses depois. Queremos mais informações da mudança do VLT para o BRT", destacou.
 
Coordenador do Movimento Pró-VLT, o economista Vicente Vuolo parabenizou o debate ao qual ele classificou por ”democrático" e lamentou que o Governo queira "jogar o VLT" no lixo depois de um investimento bilionário. "Esse debate aqui é uma verdadeira audiência pública. E não aquilo que o Governo fez, uma farsa, impedindo as pessoas de participarem - isso é o que o governador quer, jogar no lixo, toda a obra do VLT, que foram investidos R$ 700 milhões no centro de operações, e ainda, paga 4 milhões mensal até o ano de 2047. Ele tem 40 vagões e trilhos prontos- tudo isso, ele [Mauro Mendes] quer jogar no lixo", criticou. 

A audiência foi solicitada pelo vereador Sargento Vidal, que, citou a audiência de hoje como um grande debate. “Foram levantadas questões que ainda persistem sem respostas suficientemente claras, sobre uma das principais obras que fizeram parte de uma série de realizações que visavam preparar Cuiabá para receber a Copa do Mundo de 2014 - O que vale nessa audiência é esclarecer a verdadeira opinião da população. Desde o início desta obra, nenhuma autoridade quis ouvir a população e o objetivo é esse dar voz ao povo", concluiu. 

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