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Terça-feira, 21 de setembro de 2021

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depoimento de delegado

Funcionários terceirizados avisavam sobre momentos sem fiscalização para caminhoneiros ‘furarem’ posto

14 Set 2021 - 14:02

Da Redação - Isabela Mercuri / Do local - Max Aguiar

Foto: Reprodução

Funcionários terceirizados avisavam sobre momentos sem fiscalização para caminhoneiros ‘furarem’ posto
O delegado Valder de Melo, da Delegacia Fazendária, explicou que os ‘furos’ ao posto fiscal localizado em Barra do Garças eram facilitados por funcionários terceirizados que avisavam aos caminhoneiros os momentos em que não havia fiscalização no local. Cerca de 15 a 20 caminhoes ‘furavam’ o posto diariamente. As descobertas foram feitas por meio da Operação Mustela Putorius.

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Os resultados da operação foram apresentados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta segunda-feira (13). Segundo o delegado, as informações partiram da secretaria de Fazenda. “Foram 31 medidas judiciais que foram cumpridas nessa primeira fase da operação, e a gente agora está fazendo a análise dos dados que foram obtidos através das buscas e apreensões, e nós apontamos aqui na CPI que esse grupo criminoso basicamente fazia o monitoramento do posto fiscal”, explicou.

As informações sobre o posto fiscal eram compartilhadas via aplicativos de mensagens. Além dos funcionários terceirizados, havia ainda ‘batedores’ que passavam com carros de passeio e, caso verificassem que não havia fiscalização no momento, avisavam aos caminhoneiros. A apuração da operação foi feita durante um ano e verificou prejuízo de cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.

O delegado afirmou que os envolvidos se aproveitavam das fragilidades do Estado para conseguir realizar a sonegação. “A gente acredita que existe uma limitação que é própria do Estado, a gente sabe que o Estado não tem condição de implementar o ideal em todos os segmentos, mas o que contribuiu para essa fraude especificamente foi realmente a pouca estrutura que existe no posto tanto em termos físicos, com a criação de barreiras, ou de um local para retenção dos caminhões, e também o número de pessoal que trabalha na unidade. Então eles se aproveitando de uma questão estrutural eles desenvolveram essa modalidade de fraude”, afirmou.

Com estas descobertas, a operação deve ter uma nova fase, em que se irá investigar quem são os beneficiários diretos destes golpes. “Essa análise é demorada, o volume de dados é muito grande, e nós vamos evoluir aí nessa investigação com certeza, fazer a análise de vínculos e chegar em outras pessoas que possam também ter envolvimento”, explicou Valder. “Esse primeiro momento foi para a gente cessar essa sangria que estava ali no posto, com essa atividade ilícita que ocorria ali. Agora, num segundo momento da operação a gente tem que identificar quem que é o beneficiário da sonegação, eventualmente pode ser uma transportadora, pode ser um corretor de grãos, eventualmente você pode ter um produtor, vamos dizer, a gente só vai chegar ao pleno conhecimento desses fatos quando a gente obter maiores informações”, completou.
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