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Domingo, 23 de janeiro de 2022

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Ainda é cedo para dizer que Ômicron é menos agressiva, alerta especialista

Foto: Reprodução / Ilustrativa

Ainda é cedo para dizer que Ômicron é menos agressiva, alerta especialista
A variante Ômicron do novo coronavírus, descoberta na última semana na África, segue se espalhando pelo mundo e despertando a preocupação das autoridades sanitárias. No Brasil, o quinto caso foi registrado nesta quinta-feira (2). Para entender a cepa, que até o momento não possui registros em Mato Grosso, o Olhar Direto entrevistou a infectologista Danyenne Rejane de Assis do Hospital Universitário Júlio Muller. 

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No final de novembro, quando a Ômicron tinha registros apenas na África do Sul, Botsuana, Hong Kong e na Bélgica, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificou como variante de preocupação. Menos de uma semana depois, a variante já havia tido registro em todos os continentes. De acordo com Assis, a rápida infestação está relacionada ao fato da cepa ter 50 mutações, das quais 32 estão na proteína Spike, estrutura por onde o vírus se infiltra e infecta as células humanas. 

“Essa variante é preocupante porque ela carrega em si várias mutações na proteína spike e essa proteína é a que baseia o uso das vacinas. É utilizada para garantir a imunogenicidade na produção de anticorpos pela vacina”, diz a infectologista. Outro impacto que decorre desta mutação é, também, a possível facilidade com que o vírus poderia infectar indivíduos, vacinados ou não. 

“Existe essa preocupação de que as vacinas não tenham a mesma eficácia contra essa variante, que a eficácia seja reduzida, mas isso ainda não foi comprovado porque [a Omicron é] muito recente”, pontua Rejane, ao mesmo tempo em que esclarece que ainda é cedo para traçar análises mais concretas sobre o comportamento da Ômicron. 

Baseado no comportamento observado na África do Sul, onde o vírus foi registrado pela primeira vez, a infectologista diz que o que se tem visto é um aumento no número de infecções. Ao mesmo tempo, porém, não é percebido aumento real no número de mortes e nem o agravamento dos sintomas dos quadros de Covid-19 relacionados à variante. 

“Mas é claro que se há o aumento no número de infecções, existe essa preocupação disso se traduzir em uma maior mortalidade. Mas tudo isso ainda vai se desenrolar, ainda vai ser avaliado nas próximas semanas, porque é uma doença muito dinâmica”, alerta Rejane ao enfatizar que o índice da taxa de mortalidade, necessariamente, não significa que a variante não seja preocupante. 

Para a infectologista, o surgimento da Omicron na África do Sul reflete a importância da imunização. De acordo com dados do portal Our World Data, o país imunizou apenas 24,6% de sua população contra o vírus da Covid-19. 

“O surgimento dessa variante na África do Sul é uma prova de que uma cobertura vacinal baixa é propícia para o surgimento de novas variantes e variantes que possam ser preocupantes. Essa variante já foi classificada como uma variante de preocupação pela OMS”.

Por fim, Rejane adverte que o momento demanda cautela e a continuidade das medidas de proteção. Entre elas, por exemplo, evitar aglomerações, a continuidade do uso de máscara em ambientes com ventilação reduzida e a higienização das mãos. Além disso, também, a adesão ao cronograma de vacinação determinado pelo Ministério da Saúde. 

“A orientação agora é que as pessoas respeitem o calendário de imunização, façam as doses da vacina conforme preconizado”, disse. “Agora o Brasil tá com a terceira dose de reforço para todos os adultos acima de 18 anos, a partir de 5 meses depois da segunda dose. Diante desse novo cenário, e também de novas ondas de Covid em países em que a vacinação começou primeiro, é importante que as pessoas se atentem para essa dose de reforço”. 

Casos no Brasil

Até quinta-feira (2), o Ministério da Saúde havia confirmado cinco casos da variante Ômicron no Brasil. Destes, três foram registrados em São Paulo e dois no Distrito Federal. Entre eles, quatro homens e uma mulher, que cumprem isolamento.

De acordo com o Ministério da Saúde, todos infectados são vacinados contra a Covid-19 e, com a excessão de um deles, que apresenta sintomas leves, todos estão assintomáticos. Ainda conforme a pasta, há oito casos em investigação no país, sendo um em Minas Gerais, um no Rio de Janeiro e seis no Distrito Federal. 

Situação em MT 

Em Mato Grosso, ainda não há registros oficiais da Ômicron. Na última terça-feira (30), porém, uma mulher desembarcou no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá), após vir da África do Sul.

Ela está sendo monitorada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá. A medida é preventiva conforme o município, já que os testes dela deram negativo para a Covid-19. Porém, mesmo assim, foi orientado que ela faça uma quarentena de 14 dias na residência da família, com quem teve contato.
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