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Quarta-feira, 10 de agosto de 2022

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Cirurgia bariátrica: médico explica o que é necessário saber antes de procurar um especialista

Foto: Shutterstock

Cirurgia bariátrica: médico explica o que é necessário saber antes de procurar um especialista
Apesar de ser um assunto corrente, já bastante difundido, a cirurgia bariátrica, que é um procedimento indicado para tratar casos de obesidade grave, ainda envolve muitas dúvidas. E boa parte delas está relacionada à indicação ou não e os tipos existentes. Os especialistas em cirurgia geral e bariátrica Edson Anchieta Junior e Felipe Mota, do Hospital H-Bento, em Cuiabá (MT), tratam de esclarecer os principais pontos, com informações simples e diretas.

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O principal ponto, salienta Edson Anchieta, está relacionado ao Índice de Massa Corporal (IMC). É ele que vai dizer se há ou não necessidade de indicação. Segundo o especialista, quando está acima de 40, que é a chamada obesidade mórbida, o paciente está automaticamente eleito para o procedimento. Neste caso, explica Edson, tanto os planos de saúde como a rede SUS são orientados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) a oferecer o tratamento.

Com um IMC abaixo de 40 os casos precisam ser analisados para que se indique ou não. A pessoa com IMC de 35 a 39,9, que se enquadra na obesidade 2, deve ter a cirurgia prescrita, por exemplo, no caso da presença de comorbidades, como hipertensão arterial ou diabetes. "Com o IMC entre 30 e 34,9, que é a obesidade 1, normalmente não são indicadas cirurgias. Mas, em casos extremos, com justificativas, pode ser enquadrado na cirurgia também", frisa.

Já em relação aos tipos, Edson Anchieta explica que no Brasil e no mundo os mais utilizados são Sleeve e Bypass. "O primeiro é um método de restrição alimentar, em que você faz uma gastrectomia vertical, e o segundo é uma cirurgia em que você faz um desvio de trânsito intestinal, o que chamamos de Y de Roux. São tipos de cirurgias específicas para cada paciente. Em uma você faz uma alteração metabólica maior e na outra você promove uma restrição maior", diferencia.

Não é, portanto, algo tão simples e será necessário fazer uma avaliação completa, alerta Edson. Vários fatores podem entrar nessa análise. Se o paciente come poucas quantidades ou grandes volumes, se é diabético ou não. "Se é uma mulher jovem, normalmente, que ter filhos e não quer ter problemas de desabsorção, se o paciente tem refluxo ou não, já que a Sleeve dá mais refluxo do que a Bypass. Isso tudo nós precisamos verificar em conversa com a pessoa. Depois de uma série de exames conseguiremos então concluir qual é a melhor cirurgia".

De acordo com o médico Felipe Mota não é preciso que haja a indicação de um clínico geral para procurar um especialista, bastando que o paciente se encaixe naqueles exemplos em que o IMC se encontra em níveis altos. O cirurgião bariátrico tem como avaliar se a pessoa é candidata a uma cirurgia ou uma reeducação alimentar e acompanhamento com endocrinologista.

Mesmo no caso afirmativo, a resposta final só virá depois de uma análise completa, salienta. "Todo paciente tem que passar antes por uma série de especialistas para ser autorizada a cirurgia. Ele passa por psicólogo, psiquiatra, pneumologista, endocrinologista, cardiologista e nutricionista. É uma cirurgia multidisciplinar no final das contas". Além disso, existem situações específicas que contraindicam a realização da cirurgia bariátrica. Por exemplo, ela não é indicada para menores de 16 anos, gestantes, pessoas com diagnóstico de doenças cardiopulmonares graves, com quadro de transtorno psiquiátrico não controlado, incluindo uso de álcool ou drogas ilícitas.

A obesidade é uma doença crônica, com origem em diversos fatores que precisam ser trabalhados de forma integrada para garantir os resultados eficazes no decorrer da vida do paciente. Por este motivo, é fundamental uma investigação profunda de cada caso antes do procedimento, ponderando as mudanças associadas à cirurgia e a capacidade do paciente de aderir a elas no pós-cirúrgico.

Por fim, ele acrescenta que fazer ou não uma cirurgia bariátrica não é uma decisão do paciente. "Não é 'eu quero!'. É preciso saber se ele tem necessidade e reúne as condições para isso. Você precisa fazer a cirurgia para ter uma qualidade de vida melhor? Então vai fazer a cirurgia. Nós não vemos questões estéticas, mas a qualidade de vida", define Felipe Mota.

Benefícios

Estudos mostram que os benefícios da cirurgia bariátrica são inegáveis, como o Life Expectancy after Bariatric Surgery in the Swedish Obese Subjects Study. Depois de 24 anos de pesquisa os especialistas verificaram que houve 23% de redução de morte, sendo 30% de redução por doença cardiovascular e 23% por câncer. Além disso, eles apuraram que há um aumento de três anos na expectativa de vida.
 
 
 
 
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