O governador Mauro Mendes (União) qualificou como “lamentável” os ataques feitos ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em meio à repercussão da mais letal operação policial da história do Estado fluminense. Em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta segunda-feira (03), Mauro também afirmou que os governadores de orientação de direita, reunidos por meio de videochamada logo após a ação, “temeram retaliação” por parte do governo federal. Ao final, posicionou-se contra o texto atual da PEC da Segurança Pública, em tramitação na Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo em que cobrou a criação de instrumentos mais eficazes no combate às facções criminosas.
Leia também
PRD quer eleger até quatro deputados estaduais em 2026 e confirma permanência de Chico Guarnieri na sigla
Mauro reagiu à operação que, em 28 de outubro, deixou oficialmente 119 mortos no Rio, sendo quatro policiais - número que pode chegar a 121 segundo balanço atualizado. Ele disse que “é preciso reconhecer que as facções cresceram em todo o Brasil e estão presentes em todos os estados e na grande maioria das cidades”, atribuindo à ação no Rio apenas o caráter de “episódio” que expôs o fenômeno nacional.
Segundo o governador, os governadores fizeram uma videochamada para tratar da operação e reconheceram “o risco de uma retaliação talvez do governo federal, pois ele deu, em muitos momentos, sinais um pouco confusos” à atuação mais firme contra as organizações criminosas. Ele acrescentou que, “nessa semana devemos ter outras conversas e reuniões” e que “a grande janela de oportunidade é nessa PEC que o governo federal apresentou”.
Sobre a proposta constitucional, Mauro declarou: “da forma que foi proposta não significa nada. Não precisa fazer uma PEC para dizer que vai integrar as forças de segurança, e nós precisamos sim é criar instrumentos mais inteligentes, mais duros e mais eficientes para botar um fim no crescimento e acabar com essas facções criminosas no país”.
A PEC da Segurança Pública, enviada ao Congresso em abril de 2025, tem por objetivo conferir status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criar o Fundo Nacional de Segurança Pública e dar diretrizes gerais à política de segurança da União, estados, Distrito Federal e municípios. Contudo, a proposta enfrenta críticas e resistências no parlamento, principalmente em relação à atribuição da União de formular o plano nacional de segurança pública.
Mauro afirmou que, em Mato Grosso, “não é diferente da maioria dos estados, porém, em níveis um pouco diferentes, pois temos combatido duramente”. Ele citou iniciativas estaduais como o programa “Tolerância Zero” e o “Disk Extorsão”, o qual, segundo ele, foi criado para atacar a principal fonte financeira das facções: a extorsão. O governador observou a dificuldade de manter detenções efetivas: “Duro que você prende um cara que está praticando extorsão e, um ou dois dias depois, pela lei brasileira, a Justiça coloca em liberdade. Daí ele recruta outro que é réu primário. Então, é muito difícil combater as facções com os atuais instrumentos que temos.”
Em relação à operação no Rio, Mauro declarou que o governador Cláudio Castro foi corajoso. "Está de parabéns, enfrentou, os bandidos reagiram e a polícia bem-preparada deu no que deu”. Ele questionou a cobertura feita por ONGs e entidades de direitos humanos, afirmando que “todos os dias essas facções matam no Brasil… foi mais de 40 mil no ano passado … As facções criminosas representam 80% desses assassinatos.” Para ele, “ninguém foi convocado a depor? Estão fazendo alarde, as ONGs estão se comovendo com essas mortes que estão diariamente acontecendo no Brasil? Não estão”.