O prefeito Abilio Brunini (PL) afirmou que a invasão das terras na região do Contorno Leste é culpa da omissão do governador Mauro Mendes (União) e do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). Segundo ele, a ocupação ilegal começou em 2023, quando ambos já estavam nos respectivos cargos, e não foi impedida nem pela Polícia Militar nem pela estrutura municipal. Abilio também mencionou que deputados estaduais apoiaram a ocupação às vésperas das eleições, sugerindo motivações políticas, e que há suspeita de envolvimento de um policial civil no assassinato do antigo proprietário da área.
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“Não fui eu que pedi a invasão. Não foi na minha gestão. A invasão começou em 2023, início de 2023. Quando uma pessoa começa a invadir uma propriedade, o que o proprietário faz? Chama a polícia. Quem que devia ter impedido a invasão? A Polícia Militar do Estado de Mato Grosso”, afirmou o prefeito. Ele acrescentou que a Prefeitura também foi omissa: “Quem que deveria dar continuidade nesse processo? A Ordem Pública do município de Cuiabá. Quem era o prefeito da época? Emanuel. Também não fez”.
Abilio ainda criticou as falas do governador Mauro Mendes sobre não apoiar a invasão, que quando irculou na imprensa deu a entender que o próprio prefeito estaria sendo favorável a ocupação ilegal ao propor a desapropriaçao da área para fazer regularização fundiária em favor dos invasores.
“Eu ouvi uma fala do Mauro sobre esse assunto, inclusive, que ele não apoia invasão. Eu também não apoio. Mas a invasão aconteceu enquanto ele era governador”, disse. O prefeito lembrou que o próprio Mauro Mendes, quando era prefeito de Cuiabá, entre 2013 e 2016, realizou a regularização fundiária de três bairros frutos de invasões: Renascer, Doutor Fábio e Jardim Vitória.
“Eu tenho o meu pensamento, eu defendo que não haja invasão no município de Cuiabá. Mas, uma vez que todo mundo foi omisso nesse processo, a Polícia Militar, a Prefeitura, o governo do Estado, todo mundo foi omisso nesse processo [...] E nós encontramos uma saída. E essa saída não é a saída mais doce, mais amável, é a saída amarga, uma saída difícil. E eu vou tomar essa decisão”, afirmou Abílio.
Durante a entrevista, o prefeito ainda afirmou que o apoio político à ocupação foi explícito. De acordo com ele, existem vários vídeos de reuniões realizadas na invasão com a presença do então presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (União), além dos deputados Wilson Santos (PSD) e Valdir Barranco (PT). Ele ainda cita o interesse eleitoral em ter o apoio daquelas famílias.
“Os envolvidos naquele processo de invasão eram o presidente da Assembleia Legislativa na época, Eduardo Botelho, Wilson Santos, o Barranco, outros deputados. Eles estavam envolvidos lá, dando apoio. Na véspera da eleição, fizeram uma reunião lá”, declarou. Eduardo Botelho foi candidato a prefeito de Cuiabá em 2024.
Ele ainda mencionou que assassinato do antigo dono da área, João Pinto, foi cometido por um policial civil: “As pessoas parecem que estão envolvidas no assassinato do seu João Pinto e tem até uma suspeita de que seja um policial civil ou alguma outra coisa assim”, dando a entender que isso também é parte da responsabilidade do Estado.