A torcida reflete o desempenho do time: com esse diagnóstico que o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, avaliou a queda de público na Arena Pantanal em 2025, durante a pior temporada da história recente do auriverde. A casa só voltará a encher, na sua avaliação, se o Dourado melhorar as aparições com vitórias e classificações importantes. Ponto intrigante levantado por Dresch foi o fato de que os próprios jogadores caíram em descontentamento e desmotivação, o que teria resultado na campanha irregular.
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Em entrevista concedida após o encerramento da Série B, o dirigente disse compreender o afastamento do público em 2025 — ano marcado por baixa média de espectadores, arrecadação reduzida e resultados aquém das expectativas — e reforçou que “a resposta virá quando o Cuiabá voltar a ganhar”.
Dresch avaliou que o torcedor cuiabano ficou “muito chateado” com o rebaixamento e com a sequência de eliminações do clube, mas afirmou acreditar na reconstrução dessa relação. “
É uma conquista lenta, gradativa. A gente faz um trabalho de formiga que muitas vezes as pessoas não veem. Tivemos mais de 8 mil pessoas contra o Remo. Acho que o torcedor vai voltar assim que o Cuiabá voltar a fazer boas exibições, orgulhar a população e brigar lá em cima”, disse. O dirigente lembrou que chegou a cobrar reciprocidade em momento de tensão, mas reiterou ter “paciência total” para reconquistar a confiança da arquibancada.
A fala ocorre após a pior temporada recente do clube no quesito público. Em 2025, o Cuiabá teve a 7ª menor média da Série B, com apenas 2.378 torcedores por jogo. A queda de público resultou também em arrecadação limitada: foram R$ 649 mil em 19 partidas na Arena Pantanal, 15ª melhor marca da competição. A oscilação do time na missão do acesso, frustrada, a perda do título estadual para o Primavera e a eliminação precoce na Copa do Brasil contribuíram para esvaziar o estádio, mesmo com apelos diretos da diretoria nos meses finais do campeonato.
Para 2026, Dresch disse que o clube aposta em uma reformulação ampla do elenco como passo essencial para recuperar competitividade e retomar a sintonia com o torcedor. Segundo ele, a lista de saídas e chegadas será anunciada até 27 de dezembro.
“Vai ficar pouca gente. A gente tem que manter jogadores que estejam com o mesmo objetivo do clube. Tem atletas há muito tempo no Cuiabá que criam uma perda de foco. Vamos mudar bastante o elenco”, afirmou. O presidente relatou que o vestiário perdeu reação após derrotas e que o time deixou de demonstrar a postura aguerrida que caracterizou campanhas anteriores.
Jogadores mais experientes e que estavam emprestados, como Bruno Alves, Mateusinho, Lucas Mineiro, Alejandro Martínez, Juan Christian e Alisson Safira, já não fazem parte do grupo. Em paralelo, o clube ampliou a aposta na base.
O gol da vitória sobre o Criciúma, marcado pelo jovem David Miguel, de 18 anos, ilustrou o movimento. Ele e o lateral Marcelo, de 20, renovaram contrato até 2028 — gesto que, para Dresch, reforça o processo de reconstrução. “A gente conseguiu preparar uma base para o ano que vem. O foco é o resultado, o acesso, mas também resgatar a identidade que levou o Cuiabá lá em cima”, afirmou.
O presidente avaliou que o time perdeu a capacidade de decidir jogos no fim, marca registrada em temporadas anteriores. “Quem acompanha o Cuiabá sabe que dificilmente a equipe perderia um jogo depois dos 45 minutos. A gente perdeu isso.” O volante Denilson, porém, afirmou que o grupo manteve a competitividade, mas reconheceu falhas decisivas ao longo da campanha.
Dresch encerrou a entrevista reiterando que o torcedor é parte fundamental do processo de reconstrução, mas que a reconexão passa, inevitavelmente, pelos resultados. “A gente vai tentar resgatar a identidade do Cuiabá. Não é fácil fazer futebol com menos recursos que muitos concorrentes, mas vamos em busca disso. Quando o time voltar a ganhar, a Arena volta junto”, concluiu.