A anulação, pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, da condenação por tentativa de feminicídio do advogado Nauder Júnior Alves Andrade, sob o argumento de “desistência voluntária”, reacendeu o debate sobre violência de gênero e vieses institucionais no país: o réu, que segundo o Ministério Público perseguiu e agrediu a ex-namorada com uma barra de ferro após ela recusar relação sexual — levando-a a perder a consciência em diversos momentos —, aguardará um novo julgamento em liberdade com monitoração eletrônica, enquanto a Defensoria Pública reforça a necessidade de credibilidade à palavra das vítimas e o Ministério Público prepara recurso e aponta sensação de impunidade em um estado que registrou 47 feminicídios em 2024 e já soma 51 casos em 2025; na decisão, o desembargador Wesley Lacerda sustentou que o acusado “podia prosseguir, mas não quis”, entendimento que motivou reação da promotora Claire Vogel Dutra, para quem o impacto social da sentença é imediato e evidencia que “o machismo atravessa também as instituições”.