O deputado Valdir Barranco (PT) criticou o projeto encaminhado pelo governador Mauro Mendes (União) que amplia de 4,26% para 5,40% a Revisão Geral Anual (RGA) de 2026 dos salários dos servidores públicos. Em entrevista na tarde desta quarta-feira (21), o parlamentar afirmou que o percentual não recompõe as perdas acumuladas do funcionalismo e classificou a proposta como insuficiente.
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“Atualmente, 19,52% é o que nós temos de déficit da RGA. Aí o governo quer dar 5% e ainda acha que está fazendo demais, né? Um absurdo. Eu, se os servidores fossem me ouvir, eu diria, não aceitem, não aceitem”, declarou.
A proposta foi definida após reunião do chefe do Executivo com deputados da base aliada, realizada no Palácio Paiaguás. Após articulação de deputados estaduais da base governista, o governador Mauro Mendes concordou em ampliar o percentual da RGA.
Na reunião, ficou definido que, além do índice oficial da inflação medido pelo IPCA, de 4,26%, o governo concederá um acréscimo de 1,14%, totalizando 5,40%.
O deputado criticou o argumento fiscal do Executivo e comparou o reajuste proposto com o desempenho da arrecadação estadual ao longo do mandato.
“Primeiro que já passou o dia 20, não tem mais nenhuma sangria desatada. Segundo que, para quem teve um aumento de receita de mais 200% durante seu mandato, que é o governador Mauro Mendes, querer negar 19% com ceder só 5% é um absurdo”, afirmou.
Questionado sobre como votaria caso o projeto seja levado ao plenário, Barranco disse que não se colocará contra os servidores.
“Não, não é que eu vou votar contra, eu jamais vou votar contra os servidores. Quem vai dizer se aceita ou não são eles. Se eles disserem que aceita e que, portanto, vai estar colocando em votação, ótimo, eu vou votar com eles”, explicou.
O parlamentar também elevou o tom das críticas ao governador e defendeu articulação coletiva da oposição e de deputados alinhados às reivindicações do funcionalismo.
“Eu acho uma falta de vergonha na cara desse governador. Vamos ver, vamos aguardar nos reunir com as lideranças. Eu acho que temos que fazer, pelo menos, aqueles que estão coerentes com os servidores, algo que seja coletivo. Individualmente não adianta, porque não tem força”, completou.