Mais de 35% dos estudantes concluintes de Medicina em Mato Grosso vão se formar em universidades consideradas insatisfatórias pelo Ministério da Educação (MEC). O dado consta nos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 e motivou um posicionamento crítico do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), que voltou a defender a criação de um exame nacional obrigatório de proficiência para o exercício da profissão.
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Das sete instituições de ensino superior do estado avaliadas pelo MEC, duas receberam notas 1 e 2, classificações consideradas reprovadas. Uma delas é o Centro Universitário Estácio do Pantanal (Unipantanal), em Cáceres, que apresentou o pior desempenho entre as 304 faculdades de Medicina avaliadas no país. Dos 26 alunos concluintes que realizaram a prova, apenas quatro atingiram a nota mínima exigida pelo MEC. A Universidade de Cuiabá (Unic) também obteve nota 2.
Para o presidente do CRM-MT, Diogo Sampaio, os resultados confirmam problemas estruturais na formação médica. Segundo ele, o desempenho evidencia que parte significativa dos novos profissionais não atinge um patamar mínimo de conhecimento para atuar na área da saúde.
O dirigente também criticou os critérios adotados pelo MEC, que considera cursos com nota 3 como minimamente aceitáveis. Mesmo com esse parâmetro, um em cada três estudantes avaliados em Mato Grosso é formado em instituições reprovadas. Para o Conselho, o índice revela fragilidade no modelo de avaliação e fiscalização do ensino médico no país.
Sampaio destacou ainda que o Enamed apresenta um nível de exigência baixo se comparado a exames aplicados em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, médicos precisam ser aprovados no United States Medical Licensing Examination (USMLE), dividido em três etapas, para obter licença profissional. No Canadá, os estudantes passam por exames nacionais antes de ingressar em programas de residência e exercer a profissão de forma plena.
Diante do cenário, o CRM-MT defende a aprovação do Projeto de Lei que institui o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), em tramitação no Senado. A proposta prevê a aplicação de uma prova obrigatória como condição para a concessão do registro profissional aos novos médicos.
Segundo Sampaio, o texto atual do projeto ainda é insuficiente, pois prevê a exigência apenas para estudantes que ingressarem no curso após a vigência da lei. Para o Conselho, isso permitiria que, por até seis anos, profissionais sem formação adequada continuem ingressando no mercado de trabalho.
Paralelamente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) iniciou discussões para a elaboração de uma resolução que submeta novamente à avaliação os estudantes que não alcançaram a nota mínima no Enamed antes da liberação do registro profissional.
O presidente do CRM-MT também criticou as sanções aplicadas pelo MEC às instituições reprovadas. Dos 99 cursos que sofrerão algum tipo de penalidade em todo o país, apenas oito terão o ingresso de novos alunos suspenso. A maioria seguirá funcionando, com redução parcial ou manutenção das vagas, mesmo após resultados considerados insatisfatórios.
Para a avaliação, o MEC estabeleceu que um estudante é considerado proficiente quando atinge nota superior a 6. As instituições recebem nota 1 quando menos de 40% dos alunos alcançam esse patamar; nota 2 entre 40% e 59,9%; nota 3 entre 60% e 74,9%; nota 4 entre 75% e 89,9%; e nota 5 quando 90% ou mais dos estudantes são considerados proficientes.