A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PCdoB), afirmou nesta sexta-feira (6) que o Brasil precisa avançar na transformação do conhecimento científico em produtos e serviços. A declaração foi feita durante agenda no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, onde foram assinados 17 convênios com universidades e instituições de pesquisa de Mato Grosso, que somam mais de R$ 90 milhões em investimentos.
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Segundo a ministra, o país possui produção científica consolidada, mas ainda enfrenta desafios para converter esse conhecimento em soluções aplicadas. “O Brasil é muito forte em pesquisa e desenvolvimento. Estamos no 13º lugar do mundo nesse ranking, mas precisamos transformar esse conhecimento em produtos e serviços”, afirmou.
Os convênios integram o ProInfra, programa voltado à expansão e modernização da infraestrutura de pesquisa no país. Os recursos serão destinados a instituições como a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), com projetos nas áreas de biotecnologia, bioinsumos, saúde, materiais avançados, monitoramento ambiental e tecnologias voltadas ao enfrentamento de emergências climáticas.
Luciana Santos afirmou que os investimentos buscam fortalecer a infraestrutura científica necessária para o desenvolvimento tecnológico. “Não se faz pesquisa e desenvolvimento sem infraestrutura. É preciso ter laboratório, equipamento e condições para que pesquisadores possam desenvolver soluções”, disse.
Durante a agenda, a ministra também destacou o potencial científico e tecnológico do estado. “Esses investimentos demonstram a capacidade técnica do ecossistema de Mato Grosso. Só recebe recursos quem apresenta projetos consistentes”, afirmou.
Ainda nesta sexta-feira, a ministra visitou o Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), onde está previsto o anúncio de um selo de qualidade voltado ao bioma. Segundo ela, a iniciativa busca associar preservação ambiental, produção de riqueza e geração de emprego. “O Pantanal é um bioma singular e precisamos traduzir isso em desenvolvimento sustentável”, declarou.
A agenda em Cuiabá integra o programa Finep pelo Brasil, iniciativa do governo federal voltada à ampliação do acesso a instrumentos de financiamento à inovação. Durante o evento, representantes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) apresentaram 13 editais recém-lançados, que somam R$ 3,3 bilhões para financiamento de projetos de inovação empresarial.
De acordo com o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, as chamadas incluem linhas de crédito e recursos não reembolsáveis para empresas de diferentes portes. “O objetivo é consolidar um ambiente permanente de articulação no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação”, afirmou.
Luciana Santos também destacou a ampliação dos investimentos federais na área desde 2023. Segundo ela, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico voltou a receber aportes integrais, com cerca de R$ 10 bilhões em 2023, R$ 12,7 bilhões em 2024 e quase R$ 15 bilhões em 2025. A previsão é ampliar ainda mais esse volume por meio de um fundo de capitalização.
A ministra afirmou ainda que os investimentos federais buscam reduzir desigualdades regionais. “O Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm vez no nosso governo. Estamos levando investimentos para enfrentar as assimetrias regionais”, disse.
Desde o início da atual gestão federal, Mato Grosso já recebeu mais de R$ 681 milhões em investimentos na área de ciência, tecnologia e inovação. Desse total, cerca de R$ 590 milhões foram aplicados pela Finep no financiamento de 125 projetos de inovação entre 2023 e 2025. No período de 2019 a 2022, o volume destinado ao estado havia sido de aproximadamente R$ 13 milhões.
Além disso, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concedeu 2.732 bolsas de pesquisa no estado, com investimento superior a R$ 34 milhões.
O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Alan Kardec, afirmou que os avanços no setor são resultado da articulação entre os governos estadual e federal. “Os programas buscados no MCTI, na Finep e em outras agências federais foram fundamentais para ampliar os investimentos em ciência, tecnologia e inovação em Mato Grosso”, disse.
Segundo o governo federal, os investimentos também incluem incentivos superiores a R$ 880 milhões, entre renúncia fiscal e contrapartida de empresas em projetos de pesquisa e desenvolvimento. As medidas buscam estimular a inovação tecnológica, ampliar a competitividade do setor produtivo e fortalecer áreas estratégicas para o desenvolvimento regional.