A jornalista Larissa Malheiros, diretora de Comunicação da Câmara Municipal de Várzea Grande, registrou um boletim de ocorrência nesta quarta-feira (11) contra os vereadores de Cuiabá Ilde Taques (Podemos) e Demilson Nogueira (PP) por difamação. O caso teria ocorrido durante uma reunião na Câmara Municipal no dia 4 de março, quando os parlamentares a acusaram de ter vazado para a imprensa áudios de um grupo de WhatsApp dos vereadores da capital.
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Conforme mostrou o
Olhar Direto, as gravações divulgadas envolvem Demilson Nogueira e o vereador Jefferson Siqueira (PSD). Em um dos áudios, Jefferson admite que houve um "acordo" entre os parlamentares em torno de um projeto que permite a conversão de 30 dias de férias em abono pecuniário. Em outra gravação, Demilson faz críticas à cobertura da imprensa local e sugere uma reação articulada dos colegas diante do que classificou como "ataques ao Legislativo".
De acordo com a ocorrência, a jornalista foi chamada até o gabinete da vereadora Baixinha (Solidariedade) para tratar da acusação feita pelos parlamentares durante uma reunião fechada com cerca de 19 vereadores. Na ocasião, Demilson teria afirmado que Larissa foi a responsável pelo vazamento.
Segundo o relato da vítima, Ilde Taques disse aos presentes que havia investigado junto com Demilson quem teria vazado o conteúdo. Demilson afirmou que um jornalista de Várzea Grande teria dito, em um evento, que Larissa era a responsável, chegando a mencionar que teria "provas" de que ela teria enviado mensagens pelo celular da vereadora Baixinha. Ainda durante a reunião, Demilson teria dito que a jornalista teria "clonado" o aparelho da vereadora para repassar o áudio à imprensa.
O jornalista citado por Demilson teria condicionado a informação a um almoço. Segundo o relato, ele disse que se Demilson pagasse um almoço, contaria quem era o responsável pelo vazamento. Após o vereador dizer que não sabia, o jornalista ainda assim apontou Larissa como autora.
Larissa esclareceu no boletim de ocorrência que trabalhou para a vereadora Baixinha apenas entre janeiro e outubro de 2025. Desde então, afirma que não tem mais acesso presencial ao gabinete da parlamentar nem ao seu celular. Ela afirmou que, mesmo quando atuava como assessora, não tinha acesso ao aparelho da vereadora.
A chefe de gabinete Dione Duarte questionou Demilson sobre as provas da acusação. Segundo o relato, o vereador teria dito que "viu, mas não tinha as provas" e que não serviria como testemunha. Ele teria ainda pedido para que deixasse o caso quieto porque "bosta quando mais mexe, mais fede".
Consta no BO que após a reunião, Larissa procurou a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), que confirmou ter presenciado as acusações, mas disse que sem provas nada poderia ser feito. A jornalista solicitou uma retratação pública dos vereadores diante dos presentes, mas disse que isso não ocorreu.
Demilson ainda teria proposto uma reunião com o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), para contar o caso do vazamento dos áudios. Larissa disse que também procurou o parlamentar para relatar o ocorrido.
A jornalista afirmou na delegacia que a situação tem causado constrangimentos profissionais, já que sua função exige contato com todos os vereadores de Várzea Grande, e muitos estariam "com um pé atrás" após as acusações.
O caso foi registrado como difamação na 1ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande e encaminhado à 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.