O prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União), comentou a repercussão provocada pela proposta informal de batizar um futuro município na região médio-norte de Mato Grosso como “Gilmarlândia”, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, seu irmão. Segundo ele, o nome surgiu em tom de brincadeira, embora esteja ligado a uma discussão considerada séria sobre o desenvolvimento regional.
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A ideia de criação de um novo núcleo ganhou visibilidade após lideranças do agronegócio apresentarem o projeto de implantação de distritos administrativos que, no futuro, poderiam resultar na emancipação de um novo município. O nome sugerido, no entanto, repercutiu.
“Na verdade, eu acredito que foi uma brincadeira com uma coisa séria e que pode soar, a olhos vistos de alguém, como soberba, arrogância, que não faz parte da família. A gente é a favor do desenvolvimento. Acredito que foi uma brincadeira, acabou tomando uma dimensão a nível nacional, até por conta de o ministro Gilmar ser uma figura nacional”, afirmou.
Apesar da polêmica envolvendo a denominação, o prefeito defendeu que a discussão principal deve se concentrar na necessidade de estruturar a região, que hoje reúne trabalhadores rurais e grandes empreendimentos do agronegócio. Para ele, a criação de um distrito ou vila poderia melhorar o acesso a serviços básicos e estimular o crescimento local.
“Mas isso é resolvido. O que a gente pensa é o seguinte: se for possível, vamos criar uma vila, vamos criar um distrito, porque as pessoas que estão ali precisam, e eu acredito que o potencial de ter duas usinas ali, uma já construída e a outra, um grande lago, aproximadamente mil hectares, quem sabe sonhar com uma cidade”, disse.
A área onde o projeto é discutido fica na divisa entre os municípios de Diamantino e São José do Rio Claro, o que, segundo o prefeito, torna mais complexa a definição administrativa do território caso o distrito seja efetivamente criado.
“Nós estamos ali exatamente na divisa, tem uma ponte que separa o município de Diamantino e o município de São José do Rio Claro. E isso certamente beneficiaria ou não beneficiaria um dos dois”, explicou.
De acordo com ele, a motivação inicial para pensar em um núcleo urbano na região está relacionada ao crescimento econômico impulsionado por empreendimentos energéticos e pelo agronegócio, além da presença de um grande lago que pode estimular atividades turísticas.
“Eu vejo que o fato de ter uma usina, um lago grande, foi a motivação para que as pessoas pensassem ali”, afirmou.
O prefeito também destacou que a criação de uma vila poderia ajudar a resolver uma dificuldade recorrente enfrentada por grandes propriedades rurais da região: a retenção de trabalhadores. A distância entre as fazendas e os centros urbanos, segundo ele, dificulta a permanência da mão de obra.
“Nós também ali estaríamos resolvendo um problema dos grandes proprietários, porque está muito difícil segurar a mão de obra nas fazendas. Se criar uma vila, certamente o aporte da saúde, o aporte da educação, permite que essas grandes empresas também tenham mão de obra mais próxima, o que hoje é uma grande dificuldade”, disse.