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Segunda-feira, 26 de junho de 2017

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Startup é um modelo de negócio que dá certo mas é preciso cautela, afirmam especialistas

Da Redação - Viviane Petroli

11 Jul 2016 - 08:27

Foto: Assessoria

A AgroSig é um aplicativo mato-grossense criado pela empresa Nuvem Tecnologia e recentemente foi destaque mundial durante um evento da Microsoft, a ‘Xamarin Evolve 2016’.

A AgroSig é um aplicativo mato-grossense criado pela empresa Nuvem Tecnologia e recentemente foi destaque mundial durante um evento da Microsoft, a ‘Xamarin Evolve 2016’.

Montar uma ‘startup’ é uma oportunidade de negócio que dá certo, porém é preciso cautela e a existência de uma base. O novo modelo de empreendedorismo a cada dia cresce em Mato Grosso e no país, em especial diante a situação econômica vivida atualmente. Os modelos criados, segundo especialistas, são os mais variados indo desde ‘startup’ de relacionamentos até voltados para o setor agronegócio.

Hoje, há um boom do empreendedorismo no Brasil ocorrendo por vários motivos. Por um lado nota-se uma crise que acaba reduzindo o números de postos de trabalho, o que acaba levando as pessoas a empreenderem por necessidade, e por outro lado uma democratização do processo de tecnologia.

Em Mato Grosso, é difícil mensurar o quanto cresce a criação de startups. “O que percebemos é que há muita demanda, muitos curiosos”, comenta o gestor do Núcleo de Startups do Sebrae-MT, Fernando Pscheidt.

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O representante brasileiro na rede Acadêmica NetExplo, ligada à Unesco, Marcelo Pimenta, ressalta que o consumidor está cada dia mais exigente e participativo. Ele pontua, ainda, que esse consumidor compartilha, reclama em público. “Isso faz com que ele busque por novas opções de negócios, até negócios que ainda não existem. Isso leva as pessoas a empreenderem. No caso das startups são várias oportunidades. Temos, por exemplo, startups que ajudam as empresas a se transformarem, a se relacionarem melhor com os clientes”.

Segundo Pimenta, a crise econômica muitas vezes é a provocadora dessa mudança por parte do consumidor de experimentar algo que seja diferente e que substitua o antigo. “O momento de crise pode até ser uma oportunidade da pessoa empreender. Muitas vezes por essa necessidade hoje há, realmente, esse potencial com que você possa estar utilizando e gerando negócios de forma diferente”.

Se modernizar é obrigatório?

Hoje, modernizar, se inovar e buscar cada vez mais a tecnologia não é mais essencial, de acordo com Marcelo Pimenta, e sim obrigatório. “É condição de sobrevivência. Às vezes as coisas dão erradas, mas as pessoas devem olhar para o lado porque existem outras oportunidades surgindo. Muitas vezes de um problema surge uma oportunidade”.


“O momento de crise pode até ser uma oportunidade da pessoa empreender", afirma o representante brasileiro na rede Acadêmica NetExplo, ligada à Unesco, Marcelo Pimenta. (Foto: Reprodução/Internet)

Modelos


Em Mato Grosso, conforme gestor do Núcleo de Startups do Sebrae-MT, Fernando Pscheidt, são os mais variados modelos de startups. Ele comenta que há modelos de relacionamentos, astrologia, que auxiliam empresas, na área de estudo e do agronegócio.

Entre as startups mato-grossenses está o AgroSig, um Sistema de Informações Gerorreferenciadas (SIG) com foco na agricultura. O projeto foi criado pela Nuvem Tecnologia. Recentemente o aplicativo foi destaque mundial durante um evento da Microsoft, a ‘Xamarin Evolve 2016’.

O AgroSIG exibe as principais informações de planejamento, plantio, acompanhamento e colheita da safra, simplificando em dados georreferenciados todas as planilhas e relatórios complexos do dia a dia, explica Bruno Pacola, diretor da Nuvem Tecnologia.

"A idéia surgiu quando um de nossos clientes agrícolas expressou ter uma grande dificuldade em obter informações no campo. A partir de então notamos que muitos já utilizavam softwares de gestão, mas não conseguiam ter respostas rápidas do que estava acontecendo na lavoura. A proposta do AgroSIG desde o início foi responder as principais dúvidas operacionais que o trabalhador, o gerente da fazenda e até mesmo o proprietário tem dia a dia no campo. Isso tudo com a premissa de ser simples e rápido, e o caminho adotado foi o uso de mapas, mobilidade e integração com outros softwares", diz Pacola.

Pacola comenta que a escolha de criar um aplicativo voltado para o agronegócio é pelo fato de que "estamos no coração do agronegócio no Brasil, uma cadeia de negócios completa que se movimenta em todos os cantos do estado de Mato Grosso, o que nos garante uma posição geográfica estratégica e privilegiada para atuar", além de o setor econômico fazer parte de suas vidas.

O diretor da Nuvem Tecnologia revela que inúmeros convites de produtores e parceiros estrangeiros já os procuraram para aplicar a ferramenta em suas propriedades. "Mas, a realidade da agricultura brasileira é muito diferente da agricultura em outros países, como por exemplo o clima e extensão das fazendas. O software é construído para atender essas e outras características. Por isso focamos no mercado nacional, principalmente nas culturas de grãos (soja e milho) e algodão".

Negócio arriscado

O diretor da Nuvem Tecnologia confessa que startup é um negócio arriscado como qualquer outro. "O risco está presente em todas as atividades, mas trata-se de correr risco sem correr perigo, logo, é preciso conhecer ao máximo onde está “pisando”. Fazer um estudo de mercado, vivenciar a realidade do campo e identificar as dificuldades dos produtores é essencial para o nosso sucesso. É preciso sujar a botina".

De acordo com o gestor do Núcleo de Startups do Sebrae-MT, Fernando Pscheidt, a startup sendo um negócio ela exige que se tenha uma base. “Ela tem que ter uma base de negócio, tem que ter uma coisa concreta por traz para que não se derrube. Ela tem que ter parceiros. Você pode ser bom na ideia, bom como programador, mas que será bom para vender aquilo? Tem que ser bom para arranjar investidores. Fazer startup é muito difícil para uma pessoa. Tem que ter ciência que assim como qualquer negócio as startups também não são um ‘céu cor de rosa’. A pessoa tem que lutar e ir atrás. Uma startup em menos de dois anos tem que se entender se deu certo ou não e caso não tenha dado partir para outra ideia”.

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