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Quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

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Mutação da ferrugem asiática no Brasil é identificada pela FRAC Internacional

Da Redação - Viviane Petroli

09 Mar 2017 - 14:32

Foto: Reprodução/Internet/Ilustração

Mutação da ferrugem asiática no Brasil é identificada pela FRAC Internacional
Uma mutação no fungo causador da ferrugem asiática (Phakopsora pachirhyzi) foi identificada no Brasil pelo FRAC Internacional (Fungicide Resistance Action Committee).  A mutação confere uma menor sensibilidade do fungo aos fungicidas do grupo dos SDHIs (carboxamidas). A alteração foi identificada numa população presente em uma região com alta pressão da doença e uso intenso destes fungicidas.
 
A informação sobre o anuncio oficial da existência de mutação da ferrugem asiática no Brasil foi feita pela FRAC Brasil em carta (confira aqui).

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Segundo a Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), casos de menor eficácia das carboxamidas no controle do fungo tem sido observado através de seus campos experimentais, principalmente na safra 2016/2017.
 
A carta da FRAC Brasil revela que "Amostras de Ferrugem asiática da soja vem sendo testadas quanto a sua sensibilidade para SDHIs desde 2007. A performance no campo dos fungicidas contendo SDHI permanece em geral boa, mas pela primeira vez na safra 2015/16 e particularmente na safra 2016/17, em áreas com um histórico intensivo do uso de SDHIs e em condições de alta pressão de doença, foram detectados casos de redução de performance das mesmas”.
 
A carta revela ainda que uma nova reunião da SDHI FRAC WG será realizada quando novos dados de monitoramento estiverem disponíveis. A reunião deverá ocorrer entre maio e junho. Além disso, as recomendações para a safra 2017/2018 serão revisadas.
 
"Espécies de fungos podem apresentar mutações diferentes que afetam os SDHIs. Algumas mutações podem levar a diferentes níveis de sensibilidade, dependendo da estrutura química do ingrediente ativo. Como todos os SDHIs apresentam resistência cruzada, o gerenciamento da resistência deve ser o mesmo para todos os SDHIs. Todo o monitoramento e recomendação aqui relatados referem-se a todo o grupo dos SDHIs", explica a carta.
 
"Os experimentos da Fundação MT estão no campo, em avaliação e informações conclusivas estarão disponíveis quando terminar o levantamento de todos os dados, juntamente com as recomendações. Por enquanto, seria precipitado afirmar que qualquer resultado “diferente” das carboxamidas fosse devido a esta mutação", afirma a Fundação MT em nota.
 
A Fundação MT pontua que "Independentemente dos resultados que virão, a Fundação MT reitera a constante necessidade de se fazer o manejo integrado de doenças na cultura da soja, com o intuito de diminuir a possibilidade de surgimento da resistência do fungo a quaisquer fungicidas, através das recomendações amplamente divulgadas pela Empresa ao longo dos últimos anos".
 
Levantamento do Consórcio Antiferrugem mostra um total de 34 ocorrências de ferrugem asiática nesta safra 2016/2017 em Mato Grosso. Há casos confirmados em Campo Novo dos Parecis, Campo Verde, Canarana, Chapada dos Guimarães, Confresa, Diamantino, Itiquira, Juscimeira, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Poxoréo, Primavera do Leste, Rondonópolis, Rosário Oeste, Santo Antônio do Leste, Sapezal, Sorriso, Tangará da Serra, União do Sul e Vera. No Brasil são 361 casos confirmados e publicados no Consórcio Antiferrugem.

Atraso na área de defensivos
 
Na manhã desta quinta-feira, 09 de março, deputados federais da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) participaram de uma audiência pública, em Brasília (DF), sobre o uso de defensivos agrícolas em pequenas culturas. O evento, que foi promovido pela comissão especial que analisa o Projeto de Lei 6299/2002, contou com a presença de especialistas dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, que relataram as experiências na área em seus países.
 
A presidente da comissão especial e vice-presidente da FPA, deputada Tereza Cristina (PSB-MS), destacou que os relatos dos especialistas quanto as experiências em seus países demonstram o quanto o Brasil está atrasado nesta área.
 
“Em todos os países ouvidos, percebe-se claramente a agilidade nos processos de registros de novos produtos para combater as pragas. Claro que tudo sendo feito com responsabilidade e dentro dos parâmetros de segurança para a saúde humana e ambiental”, disse Tereza Cristina.
 
Participaram da audiência pública Daniel Kunkel, PhD, diretor associado do Projeto IR-4, focado em soluções para manejo de pragas e pequenas culturas, vinculado à Universidade Estadual de New Jersey (EUA); Marcos Alvarez, diretor associado do Departamento de Agricultura e Agroalimentos  do Canadá (AAFC); e Alan Norden, diretor executivo de Registro e Avaliações da Autoridade Australiana de Pesticidas e Medicamentos Veterinários.

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