Olhar Direto

Domingo, 20 de janeiro de 2019

Opinião

A contradição da tradição continuará?

Autor: Marcelo Portocarrero

02 Jan 2019 - 08:00

Você sabia que o (P)MDB foi um dos dois únicos partidos beneficiados por um Ato Institucional, o AI n° 2 em 1966? (Entre 1966 e 1979, o Brasil viveu o bipartidarismo onde apenas  a Aliança Renovadora Nacional, mais conhecida como ARENA, de apoio ao governo militar e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição consentida, eram considerados partidos políticos legais. O MDB surgiu informalmente em 1965 e oficialmente no ano seguinte.) (Google)

Que o agora MDB, em seus 53 anos de existência, jamais dirigiu o Brasil através de um Presidente da República eleito diretamente?

Pois é, os três políticos desse partido que chegaram a presidência foram José Sarney, devido à morte de Tancredo Neves, também (P)MDbista, que venceu a eleição indireta em janeiro daquele ano, mas adoeceu e morreu antes mesmo de tomar posse.

Alguém pode até dizer que Sarney acabou sendo eleito presidente, mesmo que indiretamente, pelo (P)MDB. Bem, nesse caso é importante lembrar que até 1984, ano anterior as eleições de 1985 Sarney era um dos mais influentes políticos da ARENA, partido que foi criado para apoiar a ditadura militar como descrito anteriormente então,…melhor parar por aqui. Certo é que o governo Sarney foi tão rejeitado que nos deixou Fernando Collor de Mello como seu sucessor e cujo governo, todos sabem, acabou em impeachment.

Que o segundo presidente (P)MDBbista se filiou em cima da hora? pois é, Itamar Franco assinou ficha em maio de 1992, quando o governo Collor já enfrentava uma grave crise de popularidade. Então, Itamar foi eleito pelo PRN junto com Collor, mas deixou o partido após uma reforma ministerial feita em abril daquele ano. Em 2 de outubro, assumiu como presidente interino após abertura de processo de impeachment que viria a ser aprovado em dezembro.

Que tal o Presidente Temer vice de Dilma Roussef, esse MDBista que tomou posse em função do outro impeachment? Ele também veio a reboque, e sabemos muito bem de qual partido. É, do PT mesmo, aquele que dirigiu o país por mais de 14 anos, que afundou nosso barco em uma “marolinha” tisunâmica decantada pela molusco que presidiu o país com seus nove tentáculos. O curioso é que a lula dos moluscos cefalópodes originais tem dez tentáculos, oito para capturar e dois com a função de reprodução. A outra curiosidade sobre esse molusco vem bem a calhar, cefalópode é uma palavra que vem do grego e quer dizer “pés na cabeça”, o que pode explicar tudo.

E o mais estarrecedor, desde 15 de março de 1985, exceto em três ocasiões, uma com Antônio Carlos Magalhães do PFL (entre fevereiro de 1997 e fevereiro de 2001 – por quatro anos), Edson Lobão, também pelo PFL (interinamente durante quatro meses de setembro a dezembro de 2001) e Tião Viana do PT (também interinamente por três meses entre outubro e dezembro de 2007) todos os presidentes do Senado foram do (P)MDB.

Depois disso tudo ainda tem gente querendo recolocar um deles, o mais polêmico sobrevivente da já despejada velha política novamente na Presidência do Senado com dois argumentos, sua “experiência” e para  manter a tradição. Não podemos permitir que uma sandice dessas possa persistir em um momento tão importante para o futuro do nosso país.

“Nada, absolutamente nada, justifica a continuidade dessa contraditória tradição e mais, não podemos manter o Senado da República presidido por um político comprometido com tudo que o país está buscando afastar.”

Precisamos acabar com o domínio hegemônico de um grupo que desde 1985, o primeiro governo civil, vêm presidindo o Senado Federal em uma permanência no mínimo condenável, vez que esta pode ser uma das causas da decadência moral das instituições do país, inclusive dos outros poderes que juntamente com o Legislativo deveriam estar cumprindo seus papéis constitucionais de forma transparente, ética e com a necessária alternância.

Que a chegada do Novo Ano inspire os Senadores da República e Deputados Federais a continuar a faxina moral, ética e política que ansiamos, da qual tanto necessitamos e pela qual continuaremos a lutar.


Marcelo Augusto Portocarrero é Engenheiro Civil pela UFMT.
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