Olhar Direto

Quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Opinião

Sobre o "Maravilhoso" mundo comunista de Marx e a violência Política dos dias atuais

Autor: Julio Cezar Rodrigues

11 Set 2018 - 08:00

“Assim que a distribuição do trabalho passa a existir, cada homem tem um círculo de atividade determinado e exclusivo que lhe é imposto e do qual não pode sair; será caçador, pescador, pastor ou um crítico, e terá de continuar a sê-lo se não quiser perder os meios de subsistência.

Na sociedade comunista, porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva, é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar da manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico.

Esta fixação da atividade social, esta petrificação do nosso próprio trabalho num poder objetivo que nos domina e escapa ao nosso controlo contrariando a nossa expectativa e destruindo os nossos cálculos, é um dos fatores principais no desenvolvimento histórico até aos nossos dias”.

Por incrível que possa parecer, o texto acima descrito descreve como seria a sociedade comunista, o último estágio do “socialismo científico” proposto por Karl Marx. É o relato mais longo em toda a obra do filósofo alemão encontrada. Consta no livro “A ideologia alemã” escrito em conjunto com  Engels e publicado somente em 1932.

“Caçar de manhã, pescar a tarde, pastorear à noite e fazer crítica depois da refeição”, este é o paraíso marxista perseguido pela esquerda durante todo o século XX. O homem que desafiou a história, concebendo-a deterministicamente e profetizando que ela terminaria com a “sociedade comunista” não conseguiu escrever ao menos um capítulo de livro dedicado exclusivamente a nos fazer compreender de que forma continuaríamos a gerar os bens e serviços necessários à existência humana em um ambiente de escasses, sob tal arranjo político-econômico.

Não obstante, dedicou rios de tinta para conceber a “fórmula” para migrar a sociedade capitalista (fonte de todo o mal segundo sua “tese”) para o paradisíaco mundo da “sociedade” sem classes, sem opressão, sem exploradores e explorados e ... finalmente, quando tudo fosse Estado ... sem Estado. Como? Para aqueles que possuem paciência e “estômago”, basta ler a obra intitulada “O manifesto comunista”, publicado em 1848.

“Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados PELA DERRUBADA VIOLENTA DE TODA A ORDEM SOCIAL EXISTENTE. Que as classes dominantes tremem à idéia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar”.

Esse é um dos inúmeros trechos da citada obra em que o ídolo e semi-deus da esquerda mundial prega a transição para o socialismo científico, garantido pela “ditadura do proletariado” até o ápice e glória final: o comunismo.

O fenômeno Jair Messias Bolsonaro liderando as pesquisas de intenção de voto para presidente da república, uma vez que o presidiário Lula está inelegível, tem provocado reações de uma esquerda acomodada a não ser desafiada em sua visão de mundo. Há décadas o Brasil não tem uma direita conservadora e liberal econômica que pudesse rivalizar em ideias e posicionamento político com as várias esquerdas existentes (dos radicais do PSOL, PSTU, PcdoB, passando pelas sociais-democracias do PSDB, PDT e outros ao PT e seu socialismo-democrático nasserista). A alavancagem de um candidato auto-declarado de direita aliado a uma parcela significativa da sociedade que defende abertamente sua plataforma política desestabilizou a inteligentzia esquerdista como poucas vezes se viu desde a redemocratização em 1985.

A violência física absurda sofrida por Bolsonaro, bem como os discursos que incitam à violência como os de Lindiberg Farias, Gleisi Hoffman, Ciro Gomes, José Dirceu e outros devem ser analisados à luz dos textos marxistas, entre eles os acima citados.
É preciso diferenciar os discursos. Não há que se falar em “equalização” ou nivelamento quando representantes políticos da esquerda e da direita falam em violência. Quando o candidato Jair Bolsonaro, em diversas oportunidades, prega o uso da violência contra pessoas que praticam crimes, o faz em nome do estado weberiano, ou seja, sendo o Estado, por definição, possuir o monopólio do uso da força, deve fazê-lo sempre que o próprio Estado, suas instituições ou seu povo estão ameaçados ou sofreram qualquer tipo de violência de outros. Trata-se de violência legítima, proporcional e necessária, sob pena da volta à barbárie e auto-tutela.

Diferentemente, a violência pregada pela esquerda não tem esse viés. Trata-se de uma violência de cunho “marxista”, com matriz revolucionária e voltada à destituição e/ou deslegitimização do poder vigente.  Sua raiz está nas teses marxistas e/ou gramscistas que visam, em última instância, substituir o modelo político econômico vigente pelo arranjo socialista, seja ele o socialismo-real (com a ditadura do proletariado) seja o socialismo-gradual (revolução cultural gramscista). Fazem parte dessa estratégia de utilização da violência, primeiro dissimulá-la, mascarando-a como auto-proteção, imbuída de fim social ou defesa de “minorias”. Fazem parte dessas ações as invasões de propriedade privada e pública (como as praticadas pelo MST e MTST), as agressões contra pessoas que defendem ideias conservadoras (como os ataques ao alunos da Universidade da Bahia quando da apresentação do filme de Olavo de Carvalho), as agressões em passeatas e mobilizações, a própria tentativa de assassinato contra Bolsonaro e assim por diante. O leitor, inteligente como é, saberá perceber as diferenças nos casos concretos acontecidos e outros que certamente ainda poderão, infelizmente, ocorrer.

Não vale mais a pena dedicar tempo e energia para argumentar que o marxismo já foi demolido por Karl Menger (1902/1985), Ludwig von Mises (1881/1973) e Friedrich Hayek (1899/1992), para ficar em apenas três expoentes da Escola Austríaca de Economia. Dificilmente os esquerdistas lerão tais obras e, se o fizerem, pouco efeito produzirá em suas mentes já enrijecidas pelos dogmas marxistas. Restam-lhes frases de efeito, distorção da realidade objetiva e repetição de mentiras com objetivos psicológicos de tornarem-se “verdades”. Assim, repetem-se os mantras do “Lula inocente”, “o impedimento de Dilma foi golpe”, e, mais recentemente, a tentativa de assassinato de Bolsonaro por um militante de esquerda foi “forjada”.

Para o bem de nossa democracia, o surgimento de um movimento político de caráter conservador e econômico liberal é fundamental para o equilíbrio das forças políticas e o arrecefecimento das tendências autoritárias que podem surgir diante de um quadro de esfacelamento da autoridade do Estado legitimamente constituído pela Carta Magna.

Fiquemos atentos.

 
Julio Cezar Rodrigues é economista e advogado (rodriguesadv193@gmail.com)
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