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Mulher que morreu após plástica esperou cerca de uma hora por avaliação de médico

Da Redação - Vinicius Mendes

14 Mai 2018 - 17:30

Foto: Rogério Florentino / OD / Reprodução

Mulher que morreu após plástica esperou cerca de uma hora por avaliação de médico
Simone Bueno Pall, esposa de Edleia Daniele Ferreira Lira, 33 anos, que morreu neste domingo (13) após ser submetida a uma cirurgia plástica, narrou à Polícia  Civil por meio de Boletim de Ocorrências (BO) os momentos seguintes ao término do procedimento cirúrgico pelo qual Daniele passou.

Na descrição, ela conta em detalhes que ao chegar ao quarto no Hospital Militar, após a cirurgia, a vítima estava com os dedos brancos e com sangue nas costas.Mesmo passando muito mal, Daniele teve de aguardar por cerca de uma hora até que um médico chegasse. Simone  ainda conta que teve que deixar um cheque caução no valor de R$ 17,5 mil para que Daniele fosse transferida do Hospital Militar onde estava internada para outro hospital (Sotrauma) onde acabou falecendo.

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De acordo com o boletim de ocorrências, Simone e Daniele chegaram ao Hospital Militar na manhã de sábado (12) para que a vítima fosse submetida a uma cirurgia de lipoaspiração grande e mamoplastia redutora. O procedimento foi iniciado às 8h15 e terminou por volta das 14h30.

Simone conta que acompanhou Daniele ao quarto, no hospital, e que a vítima teria dito que estava cansada e que conversariam depois que ela dormisse um pouco. Logo depois um enfermeiro entrou no quarto para observar Daniele e ao ver que os dedos dela estavam brancos disse que algo estava errado.

O enfermeiro então pediu a ajuda de Simone para virar Daniele e viram que ela tinha sangue nas costas. Ele disse que poderia ser por causa da anestesia e então chamou outro enfermeiro. Simone verificou que Daniele estava sem pulso e alertou os enfermeiros.

Descreve "eles então começaram a correr e agilizar o equipamento desfibrilador, adrenalina, e uma bomba manual de oxigênio para tentarem recuperar o pulso da vítima". Ela relata ainda que percebeu que não havia médico no local, apenas os enfermeiros de jaleco, sem identificação.

Na sequência, os enfermeiros fizeram massagens cardíacas no peito de Daniele, causando hematomas na cirurgia recém realizada e após aproximadamente uma hora o médico chegou ao local. Eles disseram que iriam encaminhar Daniele ao hospital Sotrauma, mas que Simone deveria deixar um cheque caução no valor de 17,5 mil.

Simone conta que sua esposa foi encaminhada ao outro hospital após as 18h30. Lá ela foi medicada, mas sofreu várias paradas cardíacas e na sequência teve paralisia cerebral, e veio a óbito às 17h do domingo (13). De acordo com um amigo da família, na certidão de óbito a causa da morte foi registrada como choque hipovolêmico.

Ela contou à polícia que conseguiram agendar a cirurgia através de um grupo de Facebook e Whatsapp, que custa R$ 50 para entrar e que pagaram R$ 50 para marcar uma consulta médica. O grupo em questão é do programa Plástica para Todos.

Hospital Militar 

Procurado pelo Olhar Direto, o diretor do Hospital Militar, coronel Kleber Duarte, afirmou que o centro cirúrgico foi locado para os médicos do Plástica para Todos e que ninguém da equipe que atuou na cirurgia de Daniele faz parte do quadro do hospital.  Explicou ainda que nos casos de cirurgia baixa e média complexidade, como no caso da médica, não é uma exigência que se tenha a UTI.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Mato Grosso esclareceu nos casos de cirurgia de baixa e média complexidade é necessário que a unidade  de terapia intensiva esteja instalada em outro hospital localizado em um raio de cinco quilômetros de onde se realizou o procedimento.

Ele ainda explicou que todos os procedimentos foram perfeitos, que tudo ocorreu dentro da legalidade e sem erros médicos. “Conferimos todos os documentos da equipe médica que realizou o procedimento, estava tudo correto. Vimos os exames, ela passou por todos, estava apta a passar pela cirurgia, o que aconteceu foi uma fatalidade porque todos os procedimentos foram feitos corretamente”.

O Programa

O Plástica para Todos é um programa que oferece cirurgia plástica a preços acessíveis. Primeiro o paciente agenda uma consulta e paga R$ 50 reais. O paciente depois retorna à sede do programa, faz o agendamento e então passa pela cirurgia. O Olhar Direto entrou em contato com a empresa, que disse que só deve se manifestar após a conclusão do laudo da perícia.

A delegada Juliana Palhares, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), já investiga o caso e também aguarda a finalização do laudo, que deve ser concluído em 15 dias.

 

13 comentários

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  • FERNANDA
    16 Mai 2018 às 16:33

    Meus sentimento a familia ..... mais uma coisa eu digo com certeza sabiam dos riscos da cirurgias, fizeram exames e sabiam que iria realizar nesse hospital, um hospital que não tem UTI, e os médicos realizaram assim mesmo, isso foi falta do profissionalismo da parte dos medicos sabendo que jamais realizarem um hospital sem UTI

  • Glycerio
    15 Mai 2018 às 11:10

    Quantas pessoas já morreram vitimadas por esse tipo de procedimento? Médico que acha que capar um porco é a mesma coisa que sugar gordura de um ser humano. Não tem o menor preparo e se acha que é Médico Cirurgião Plástico. Quais os nomes dos envolvidos no caso em questão? E o protecionismo "acobertativo" da classe vai permitir a divulgação dos participantes do "ATO"?

  • Fatima
    15 Mai 2018 às 09:36

    Cadê o nome do médico acho engraçado a mulher dela não sabe vcs da Impresa tbm não porque não divulgam toda vez e isso impossível ninguém saber ...

  • Elaine
    15 Mai 2018 às 08:56

    Legal a sua dica, Zé, obrigada!!!

  • Cuiabano Sensato
    14 Mai 2018 às 23:11

    Infelizmente, o bonito saiu muito caro demais! Se tivesse investido em alimentação adequada e exercícios físicos regulares, ainda estaria viva. A verdade é que as pessoas querem obter um corpo bonito, sem se preocupar com os possíveis riscos que um procedimento médico desse atrai. Lamentável!

  • ingrid
    14 Mai 2018 às 22:41

    sujeitinho recalcado. pega um livro e vai estudar.

  • Moa
    14 Mai 2018 às 22:38

    Eu só vou ao médico se estiver com problema de saúde. O velho ditado permanece, quem procura acha,

  • ZE NINGUÉM
    14 Mai 2018 às 21:58

    COM TODO O RESPEITO A DOR E A TRAGÉDIA, MAS PESQUISEM SOBRE ESSE PROGRAMA "PLASTICA PARA TODOS"

  • Suzana
    14 Mai 2018 às 21:13

    As normas de uma entidade como a da Sociedade de Cirurgia Plástica é uma vergonha e indecência para a boa medicina. Vejam se este prédio todo desbotado tem condições de ser hospital, ainda mais para cirurgia. Quem disse que um hospital pode repassar responsabilidade a uma entidade com suposta sede em Belo Horizonte, e que diz reunir vinte cirurgiões plásticos, mas que não informa o nome nem o CRM de nenhum deles. O site é de uma suspeita imensa e o CFM deve investigar isto com seriedade. Que a cirurgia plástica não tenha histórico de seriedade, já sabemos, mas este tipo de atividade deve ser amplamente vigiada pelos órgãos competentes da medicina e do judiciário. Que os bons médicos atuantes em Cuiabá saibam também se posicionar com relação a este tipo de atividade de medicina, que tem discurso de ativismo social, mas carrega a marca da insegurança médica. Já bastou aquele médico do Big Brother Brasil dizer em seu maketing pessoal que trabalhava em vários hospitais supostamente sérios em Cuiabá. Que os bons e sérios médicos que atuam em Cuiabá se isolem destes maus profissionais. Cabe também à categoria dos enfermeiros dar uma resposta a este tipo de situação, pois em geral médicos se calam, e a categoria dos enfermeiros nunca faz qualquer tipo de pronunciamento.

  • Fulano
    14 Mai 2018 às 21:09

    Nada mesmo. Ainda mais se o médico for oficial da PM. Qual a referência este hospital tem nesses procedimentos? Cadê o MP ?

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