Olhar Direto

Quarta-feira, 17 de julho de 2019

Opinião

Chupetas Eletrônicas

Autor: Thaysse Prates de Oliveira

16 Mai 2019 - 08:00

Há alguns anos o que mais encontrávamos eram crianças com os dentes da frente em forma de arco, devido ao constante uso de chupeta. Se você visse uma criança chorar, segundos depois estavam os pais embalando-aincansavelmente na tentativa de fazer com que ela pegasse a chupeta como forma de conter o choro.Ter a chupeta por pertoeracomo portar uma ferramenta capaz de tranquilizar o filho e anular uma birra prolongada.

Hoje os pais estão mais cientes sobre os malefícios do uso da chupeta. Pois, além de causar deformações e afetar o desenvolvimento estrutural da boca e do rosto, tambémpode trazerconsequências à respiração da criança.

Mas apesar de dotados desses conhecimentos, o que os pais tem feito para “acalmar” seus filhos?

Um dia desses estava em um restaurante, quando observei uma criançade aproximadamente um ano resmungando e a mãe procurando em todos os cantosda bolsa um objeto que parecia precioso. Em seguida, pediu insistentemente que o pai fosse procurá-lo no carro. Segundos depois ele retornoucom um tablet, protegido com aquelas capinhas coloridas e engraçadas. Rapidamente entregou ao bebê, que, sem grandes surpresas,parou imediatamente de chorar. Ele começou a assistir um desenho animado.Durante essa sessão particular, a criança foi alimentada pela mãe sem olhar ao menos uma vez, para a comida que ingeria.

Os exemplos estão diante dos nossos olhos, e também das próprias crianças. Recentemente deparei-me com uma postagem nas redes sociais um tanto curiosa! Uma mãe muito satisfeita, registrou em seu status, uma receita que para ela seria infalível na hora de medicar a filha. Enquanto a criança de um ano e meio assistia um vídeo da “Galinha Pintadinha”, recebia via oral doses de remédio por meio de uma seringa. Durante todo o processo ela sequer fez “cara feia”, ou mesmo percebeu o que estava acontecendo.

Essas alternativas estão cada vez mais comuns em nosso dia a dia,incentivando, assim, a inclusão precoce de crianças aos meios eletrônicos. Mas cá entre nós, isso não seria puramente uma saída encontrada pelos pais como forma de descanso ou até mesmo como uma “trégua” das exigências demandadas?Ou uma desculpa para o cansaço gerado pela dura rotina e atividades do trabalho?

O problema é que essa providência disfarçada de distração e entretenimento, pode expor as crianças a riscos eminentes e ainda provocar sérias sequelas. Está mais do que comprovado, que o usode aparelhos eletrônicos por crianças menores de dez anos pode ser uma guia perigosa para os danos comportamentais e emocionais.

Um estudo realizado pelo Departamento de Ciência da Computação, Instituto de Matemática e Estatística da USPem 2011, relata os sérios danos à saúde de uma criança com uso constante de aparelhos eletrônicos como: obesidade, diabetes e convulsões. Além disso,algumas crianças analisadas em outros países apresentaram quadros epilépticos. Também foram destacados sintomas equivalentes a distúrbios do sono, comportamentos agressivos, déficit de atenção e hiperatividade, comportamentos antissociais, dessensibilizacão dos sentimentos, depressão e medo excessivo. Estes últimos têm surgido como principais queixas dos pais ao buscarem tratamento psicológico para seus filhos, geralmente encaminhados pelas escolas.

Por fim, sabemos que esses meios de entretenimento e estímulos atrativos sempre existiram e com o passar do tempo e a evolução da tecnologia surgirão outros mecanismos como forma de conter as crianças. Mas lembre-se! Nada substituirá a atenção, paciência e a proximidade entre pais e filhos.
 
 
Thaysse Prates de Oliveira é Psicóloga da Infância e Adolescência
(CRP – 18/01321) Contato: (65) 9 9994-5233 E-mail: thaysseprates@gmail.com
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