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Mecânico de caminhões de Rondonópolis faz cover de boyband e ganha supercarro no Caldeirão do Huck fotos

Da Redação - Jardel P. Arruda

13 Jul 2013 - 19:54

Foto: Topo e Galeria de Vanessa Alves/OD

Mecânico de caminhões de Rondonópolis faz cover de boyband e ganha supercarro no Caldeirão do Huck  fotos
Apesar de ter 20 anos, o rondopolitano Luan ria como se fosse uma criança de cinco. Com um botão que ele apertava, o capô da sua Caravan 1980 levantava e abaixava, com outro a suspensão descia ou subia. O carro havia chegado ao Caldeirão do Huck caindo aos pedaços, sem cor e sem o capô que agora se mexe sozinho. O veículo foi transformado em uma máquina superpotente de dar inveja a um carro atual.

Já o dono do carro continuava o menino vindo do interior de Mato Grosso, com um jeito meio acanhado, apesar de estar vestindo uma calça cor vinho brilhante, com suspensórios, e uma camisa hype. Era uma alma caipira, no sentido mais romântico da palavra, vestida de boy para superar um desafio e conseguir seu prêmio.

Mas antes que Luan pudesse sorrir dentro do carro reformado, antes que a lata velha fosse transformada em um bólido ultramoderno, antes de o herói beijar a noiva em seu final feliz, há uma história de acasos conectados um ao outro, somados a superação, que quase dá para dizer que foi uma conspiração do Universo.

E a história começa no dia 21 de maio, quando Luciano Huck decide, junto de sua equipe, jogar um dardo em um mapa do Brasil para escolher a primeira cidade onde o participante do já conhecido quadro Lata Velha – no qual um carro deteriorado é reformado e melhorado para depois ser entregue de volta ao dono, caso ele seja bem sucedido em um desafio - seria escolhido aleatoriamente.

Normalmente Luciano escolheria o participante através das cartas que recebe, sempre optando por uma história comovente. Dessa vez não. Rondonópolis foi espetada pela agulha arremessada. Luciano e a equipe do Caldeirão do Huck chegaram à cidade já no dia seguinte, 22 de maio. Logo pela manhã anunciaram através de uma rádio local que escolheriam um participante para o quadro Lata Velha em uma seletiva no estádio de futebol da cidade, o Lutero Lopes.

A própria presença de Luciano já foi um acontecimento para Rondonópolis e boa parte dos seus 200 mil habitantes. Assediado, ele precisou ser acompanhado de perto pela Polícia Militar enquanto gravava e/ou distribuía autógrafos. A caminho do estádio, encontrou três postulantes ao quadro e quando chegou lá mais 37, além de cerca de cinco mil pessoas que só queriam observar tudo.

Dentre os 40 carros, tinha todo o tipo de velharia. Carro que o volante era o manche de um avião, outro cujo tanque de gasolina era uma embalagem de plástico totalmente improvisada, um até serviu de casa por cinco anos e outro que, se reformado, seria vendido para bancar a festa da filha de um casal que já perdera dois filhos.

A decisão de quem seria o participante coube a sorte. Foi feito um sorteio a partir dos números das placas e depois de seis etapas Luan sagrou-se “vencedor” com sua caravana 1980. O carro estava totalmente depenado, sem capô, com peças faltando, mal andava. Já Luan está no auge dos seus 20 anos.

Típico descendente dos sulistas que colonizaram Mato Grosso, alto, fino, branco e loiro, Luan ostentava certo ar de ingenuidade interiorana. Apesar da pouca idade, já é noivo e jura que ama ser montador de caminhões, sua profissão. Cercado de quatro amigos, todos aparentemente mais jovens que ele, continha a emoção para ouvir Luciano falar qual seria a tarefa a ser cumprida para ter o carro reformado.

“Luan, você canta?”, perguntou o apresentador, recebendo logo um sim ao estilo “topo qualquer parada”. “Então você conhece ‘One Direction’?”, questionou de novo, dessa vez obtendo um não risonho como resposta. One Direction é uma “boyband” (tipo Backstreet Boys), e Luan mais seus amigos teriam de cantar e dançar a música Makes You Beautiful, principal sucesso da banda.


Agora era hora de viajar para o Rio de Janeiro, conhecer o mar e receber aulas de canto e dança. Armando Sousa, que sempre tem a tarefa de ensinar pessoas comuns o suficiente para conseguirem se sair bem nos desafios do Caldeirão, não titubeou em afirmar que estava frente ao seu maior desafio. “Sempre treino só uma pessoa. Agora são cinco e são cinco muito ruins”, disse dando ênfase ao “ruins”.

Luan e seus amigos Alisson, Felipe, Lucas e Gilvan eram péssimos mesmo. Mas tiveram coragem e subiram ao palco do Caldeirão mesmo assim. Vestidos igual a boyband inglesa, eles fizeram muita gente sentir “vergonha alheia”, mas cativaram a plateia pelo destemor. Mesmo com poucos passos de feitos, eles se soltaram e foram ovacionados do início ao fim da música.

Como resultado, 95% dos presentes votaram a favor de Luan ficar com o carro. “Obrigado a toda essa plateia, a toda essa galera. Obrigado a Deus”, disse Luan, tímido, ao agradecer o apoio de todos. Agora era hora de ver o possante. A Caravan ganhou rodas de Porsche, suspensão a ar com controle interno e remoto, motor retificado, bancos em couro e muitas outras melhorias.

Dentro da Caravan nem mesmo a timidez de Luan teve vez. “Se ficou bonita? Tá mais que linda. Está show!”, disse sorrindo, contente como uma criança. Depois desceu do carro e se dirigiu a sua noiva a quem deu um beijo e convidou: “Vem viajar comigo”.

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