Olhar Conceito

Sexta-feira, 14 de maio de 2021

Notícias / Religiosidade

Para todos

Ex-assembleiana, drag Queen se torna pastora da primeira igreja inclusiva de Cuiabá

da Redação - Isabela Mercuri

25 Nov 2019 - 14:48

Foto: Arquivo Pessoal

Kauanny montada (à direita) e sem se montar (esq.)

Kauanny montada (à direita) e sem se montar (esq.)

Nascida de uma família conservadora e tradicional de membros da igreja Assembleia de Deus, a cuiabana Kauanny Garcia viveu por muitos anos, como ela mesma diz, ‘no armário’. Foi em São Paulo que ela conheceu no ‘Evangelho Inclusivo’, se descobriu drag Queen e tornou-se pastora. Hoje, ela está na luta para abrir as portas da primeira igreja inclusiva de Cuiabá, que atualmente atua somente em células na casa dos fieis.

Leia também:
Em MT, irmãs se dividem entre estudos e tranças: “têm importância na autoestima de meninas negras”

A grande inspiração de Kauanny foi a pastora Rosânia Rocha, e sua esposa Lanna Holder, que mantém um ministério inclusivo em São Paulo. “Eu fui para o ministério cidade de refúgio, onde começamos a nossa caminhada de fé no evangelho inclusivo”, contou ao Olhar Conceito. “É um evangelho que te acolhe da maneira como você é, até porque Jesus te fez daquela forma e te aceita como você é”.

Depois de conhecer o ministério, Marcello Moura criou a Kauanny, sua drag Queen, e passou a pregar tanto como homem, quanto como a drag. “Eu fui uma das primeiras pastoras drag Queen a ser levantada no evangelho inclusivo no Brasil. [Antes] Se pregava muito que não podia se montar, que não podia ser travesti, trans, porque Jesus não aceitava. A pastora Lanna foi a primeira a quebrar o tabu, a falar que Deus nos aceita da maneira que nós somos”, lembra. “Ela mesmo, quando se assumiu e casou com a Rosana, foi a primeira a raspar a cabeça, trocar suas vestes, e caminhar como homem’”.

O exemplo de Lanna deu forças a Kauanny, e ela se tornou pastora de uma igreja em Carapicuíba. Decidiu voltar para Cuiabá por amar sua terra, e ter vontade de mostrar aos LGBTQ+ daqui que há um caminho na fé também para eles. “Vi que aqui tem aumentado o número da mortalidade no meio LGBT, o preconceito tem sido muito grande, e muitos têm entrado em depressão... porque a família não aceita, as pessoas não aceitam. Então eu decidi voltar e trazer essa visão transformadora, mostrar que nós podemos ser cristãos e ser como somos”.

Por enquanto, a igreja só funciona em células na casa das pessoas. A vontade de Kauanny é unir uma comunidade para, em breve, alugar um salão, onde serão realizados os cultos. Segundo ela, a maior parte dos fieis da Igreja Inclusiva vêm de outras denominações, onde foram rejeitados, mas também há aqueles que se tornam cristãos depois de conhecer este ministério.

A chegada desta igreja tem incomodado outros fieis. “Somos muito perseguidos, falam que a gente prega um evangelho morto, hipócrita, mentiroso, que Jesus não aceita esse tipo de pessoa, que no fundo nós iremos para o inferno... sabendo que no fundo mesmo Jesus nos aceita como somos”, afirma. “Eu levo na esportiva, e quando passa para a bíblia eu procuro mostrar textos que relatam e explico, dentro da teologia inclusiva, o que realmente aquele texto quer dizer”.

Quem quiser conhecer a igreja inclusiva ou fazer um encontro de célula em sua casa, basta entrar em contato com a pastora pelo (65) 98446-6068.

Comentários no Facebook

Redes Sociais

Sitevip Internet