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abandono da alma

Tendo praça como símbolo da alegria carnavalesca, centro histórico aparenta abandono e melancolia

Da Redação - Jardel P. Arruda

02 Mar 2014 - 17:00

Foto: Jardel P. Arruda - OD

Tendo praça como símbolo da alegria carnavalesca, centro histórico aparenta abandono e melancolia
A Praça da Mandioca já um dos locais mais tradicionais do carnaval cuiabano. Colorida e movimentada durante o feriadão, ela é símbolo de alegria. Contudo, nos arredores de tanta festa e diversão, ficam as ruas sinuosas do Centro Histórico de Cuiabá, ladeadas por casarões desmoronando, cujo único sinal de alegria é aquela que ecoa pelas marchas carnavalescas.

Abandonado pelo poder público e pela própria população cuiabana, as construções do Centro Histórico caem aos pedaços fazem um contraste de tristeza e melancolia contra a alegria do carnaval. As ruas vazias, as paredes pichadas e os becos cheirando a urina e mofo. Os casarões velhos de adobe com portas lacradas e paredes por cair.

“Quê que eu tenho pra dizer disso aqui? Quem se importa? Me diz rapazinho, quem se importa com isso aqui de verdade? Ninguém. Todo mundo fala desse lugar. Falam das ruas, dos becos, das histórias, mas não fazem nada. Ninguém move um dedo. Querem que esse as casas se ergam sozinha. Querem que tudo se reforme sozinho. O que vai acontecer é que tudo vai chão abaixo. Até lá, eu fico por aqui. É só isso que eu tenho pra te dizer”.

Esse desabafo misturado com ironia e raiva é de Antônio Garcia Gonçalves, 57, morador da região. Segundo ele, um dos poucos que ainda gosta do lugar “verdade”. Para ele, a única salvação daquele pedaço da história é o povo. “Ou as pessoas acordam, ou vão olhar para trás e ver que não tem do que se lembrar”, resumiu.

Mas, nem tudo é melancolia. Alguns prédios públicos mostram como essa arquitetura antiga pode ser tão bonita quando preservada e revitalizada. A Secretaria de Estado de Cultura é uma dessas exceções, muito embora a porta de vidro não seja condizente aos grossos portais de madeira.

O Centro de Referência dos Direitos Humanos também ajuda a imaginar o esplendor da região na época do garimpo de ouro no córrego da Prainha, onde se encontrava ouro de aluvião em quantias imensuráveis, como relatam os livros e a população local. Agora, em contraposição aos tempos áureos, moradores de rua usam os casarões abandonados como abrigo temporário. Resta esperar o retorno da era de glória.

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