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Quinta-feira, 05 de agosto de 2021

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Tecnologia da Embrapa controla a mosca-branca-do-cajueiro

A senha para um controle ecológico da mosca-branca-do-cajueiro, que vem destruindo grandes plantações no Nordeste, já é do domínio da Embrapa Meio-Norte, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Um estudo coordenado pelo entomologista Paulo Henrique Soares comprova que os óleos de mamona, de nim e de soja são eficientes no controle dessa praga.

Os experimentos com os óleos vegetais revelaram uma eficiência de 46,1 por cento a 72,1 por cento no controle de ovos da mosca-branca entre o quinto e o vigésimo dia após a aplicação. Uma eficiência ainda maior foi apresentada no controle da ninfa (estágio jovem da mosca-branca) 91,4 por cento a 92,5 por cento entre o segundo e o quinto dia depois da aplicação dos óleos.

O trabalho dos pesquisadores Paulo Henrique Soares, Jociclér Carneiro e Maria Teresa do Rego, apoiado pela estagiária Maria de Jesus Passos, começou em 2004 e foi concluído em 2007, com dois ensaios. O primeiro, em campo, para o teste da eficiência dos óleos no controle de ovos e ninfas da mosca-branca, foi instalado na localidade de Boa Viagem, no município de Picos, a 322 quilômetros a sudeste de Teresina, com o clone CCP 76, com idade de 5 anos.

O delineamento experimental adotado, segundo o pesquisador, foi o de blocos ao acaso com quatro repetições e quatro tratamentos, sendo a parcela representada por uma planta. A mistura de óleo e água na proporção de 2 por cento de óleo foi aplicada através de um pulverizador costal motorizado, equipado com tanque munido de agitador constante.

Foi no laboratório de entomologia da Embrapa Meio-Norte, em Teresina, o desenvolvimento do segundo ensaio. Nele, a equipe testou a ação dos óleos aplicados para o controle de ovos e ninfas da mosca-branca na mortalidade de operárias adultas de abelhas. Os testes, segundo Paulo Henrique, com óleo de soja, de nim e de mamona na concentração de 2 por cento não afetaram as operárias adultas de abelha. O projeto foi financiado pelo Banco do Nordeste, que aplicou R$ 30 mil.

O CICLO DA PRAGA – A mosca-branca-do-cajueiro faz miséria em 36 dias. Nesse período ela passa pelas fases de ovo, ninfa e adulto. Nesta última, ela sobrevive cerca de 16 dias. Nas fases de ninfa e adulta, de acordo como o pesquisador, ela se alimenta da seiva da planta e injeta também toxinas. As fezes adocicadas da mosca-branca depositadas nas folhas do cajueiro servem de substrato para o desenvolvimento de fungos de coloração escura, que interferem na fotossíntese e respiração da planta, provocando danos.

As pesquisas da Embrapa Meio-Norte revelam que o ataque da mosca-branca nos cajueiros do Nordeste, principalmente no semiárido, é mais intenso na seca. E é nesse período que começa a reprodução da planta, com o surgimento das flores e o desenvolvimento da castanha e do pendúnculo. E é também nesse período que as abelhas visitam as flores do cajueiro para a coleta de nécta e pólen, contribuindo, assim, na polinização das flores.

Os pesquisadores concluíram que a aplicação de agrotóxicos na tentativa de controlar a mosca-branca é de “extremo perigo”. É que não existe no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento agrotóxico com registro específico para o controle da mosca-branca. Os agrotóxicos registrados para o combate às pragas do cajueiro são extremamente tóxicos às abelhas.

O NATIVO – Rico em vitamina C, o caju é nativo do Nordeste brasileiro. A denominação caju vem de “Acaiu”, que no dialeto Tupi significa fruta amarela. Mas ele é encontrado também com a coloração vermelha e manteiga. A amêndoa, ou castanha, beneficiada, é quem movimenta a cajucultura interna e responde por uma boa fatia da pauta de exportações do agronegócio brasileiro.

Segundo dados do IBGE, em 2006 o Brasil produziu 243.770 toneladas de castanha. Deste total, o Nordeste foi responsável 241.518 toneladas. O Ceará foi o maior produtor, com 130.544 toneladas de castanha. Os cearenses respondem também pela maior área plantada: 371.032 hectares. O Rio Grande do Norte conquistou o segundo lugar na produção, com nada menos do que 47.862 toneladas de castanha. Lá, a área plantada foi de 114.754 hectares. O estado do Piauí ocupa a terceira posição no ranking. Produziu 41.853 toneladas de castanha, e venceu o Rio Grande do Norte em área plantada: 159.389 hectares.
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