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Quinta-feira, 17 de outubro de 2019

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Abin ataca relatório da PF que chama participação da agência na Satiagraha de "espúria"

Folha de S.Paulo

10 Abr 2009 - 17:00

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) rebateu o relatório do corregedor da Polícia Federal Amaro Vieira que chama a participação da agência na Satiagraha de "espúria" e"clandestina". Vieira apura eventuais excessos cometidos pelo delegado Protógenes Queiroz à frente da Satiagraha --que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Em nota, a Abin diz considerar "inapropriado o emprego de adjetivação negativa à cooperação ocorrida entre os órgãos".

De acordo com relatório final da PF, obtido pelo blog do Josias, os servidores da Abin manusearam "o conteúdo das gravações de áudios de interceptações telefônicas e telemáticas".

No relatório final, Amaro diz que Protógenes faltou com "a verdade" ao minimizar a participação da Abin na Satiagraha ao dizer que os agentes haviam feito apenas "pesquisas em fontes abertas e checagens pontuais de endereços".

O corregedor diz que "a análise do material apreendido confirmou intensa participação dos servidores da Abin nos trabalhos da Operação Satiagraha".

Na nota, a Abin cita decisão do TRF-3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que considerou legal o compartilhamento de dados entre a PF e a Abin na Satiagraha.

Vazamento

No relatório final, Vieira atribui a agentes da Abin o vazamento de dados da operação para a imprensa. A Abin critica essa conclusão do corregedor.

"A Abin também rejeita a possibilidade de que vazamentos sejam atribuídos a seus servidores, sem que para isso a autoridade policial tenha conseguido obter um sólido conjunto probatório material, baseando, aparentemente, suas ilações no sentido de exculpar alguns e tecer juízos acerca de servidores da Abin", diz a nota.

A Abin também condena a divulgação dos nomes dos servidores da agência que participaram da Satiagraha. "Cumpre lembrar que a revelação da identidade de integrantes de um serviço de inteligência pode importar grave prejuízo ao exercício de atividades operacionais, além de, não raras vezes, resultar em ameaça à vida e à integridade física dos servidores e respectivas famílias."
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