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Segunda-feira, 22 de julho de 2024

Notícias | Ciência & Saúde

'Não quero ser reconhecida', diz mulher que emagreceu com remédio

A dona de casa Marta*, de 68 anos, começou a tomar sibutramina há três meses para intensificar os resultados de uma dieta que está fazendo há um ano. Ao todo, ela perdeu 12 quilos, os últimos quatro com a ajuda do medicamento.


“Eu estava fazendo acompanhamento com endocrinologista, e ele recomendou que tomasse o remédio para acelerar a perda de peso”, afirmou ao G1.

(Série 'Emagrecedores: sim ou não?'. O G1 publica nesta semana reportagens com exemplos de pessoas que lutam contra a obesidade, com ou sem a ajuda de remédios moderadores de apetite)

Mesmo com o sucesso do tratamento e usando a medicação com acompanhamento profissional, a dona de casa prefere não se identificar por medo de ser repreendida por parentes e conhecidos, que não querem que ela use o remédio.

Moradora de Goiânia, Marta disse que, com a dieta, mudou sua alimentação e reduziu o consumo de açúcar. “Sou uma formiguinha, gosto de comer doce em prato de refeição, não de sobremesa.”

Caminhadas diárias e hidroginástica três vezes por semana passaram a ocupar espaço na agenda da dona de casa. Mas, sem o remédio, ela acredita que não teria conseguido alcançar o peso que tem hoje.

“Acho que não teria emagrecido os últimos quilos. Estava muito difícil. Quando a pessoa tem ansiedade, é mais difícil controlar o peso sem medicação”, declarou.

Marta afirma que não sentiu nenhum efeito colateral com o uso da sibutramina e avalia que as restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao uso de inibidores de apetite são exageradas. “É certo que eles são uma 'muleta', mas, com acompanhamento médico, não há problemas.”

Feliz com os resultados da combinação dieta-atividade física-sibutramina, Marta estima que já no próximo mês seu médico vai recomendar que ela interrompa ou diminua o consumo do medicamento. “As pessoas têm que usar, não abusar.”

Sem vergonha
Para o endocrinologista Antônio Roberto Chacra, da Unifesp, não há problemas em tomar o remédio, desde que ele seja acompanhado por um médico, como fez Marta. “Há casos em que os remédios se justificam e muitas pessoas precisam deles para perder peso. Não há vergonha nenhuma em tomar emagrecedor. Mas qualquer paciente que queria tomar precisa de prescrição e acompanhamento médico”, afirma.

O que a sibutramina faz no cérebro não é exatamente inibir o apetite, mas estimular a saciedade. “Na prática, o indivíduo fica satisfeito com menos comida”, resume o endocrinologista Walmir Coutinho, pesquisador que participou da maior pesquisa já feita sobre o remédio, que acompanhou quase 10 mil pacientes durante um período médio de 3 anos e 5 meses.

A nutricionista Karin Honorato, da Clínica Funcional, acredita que mesmo quem usa remédios deve ter junto uma alimentação saudável e a atividade física, como fez a dona de casa. “Não basta o médico prescrever o remédio, ele deveria exigir que o paciente também faça um acompanhamento para melhorar seus hábitos de vida, aprendendo a se alimentar, se exercitando mais e fazendo um trabalho psicológico”, diz a especialista. “O medicamento deve ser uma opção no curto prazo e sem retorno constante.”

A endocrinologista Leila Maria Batista Araújo concorda. “Se não houver mudança de estilo de vida, nenhum tratamento para obesidade vai ter sucesso,” diz. “De cem pessoas que vêm ao meu consultório, somente 15 mantêm o peso baixo no longo prazo.”

Sobre a vontade Marta de não aparecer para não ser reconhecida por seus parentes, o psicólogo Carlos Henrique Bohn afirma ser um comportamento comum. “Colegas e familiares às vezes reforçam essa ideia [de que emagrecer com remédios não deve ser valorizado]”, afirma. “Não é tanto uma questão de vergonha. Se ela falar que tomou a medicação, essa valorização [do esforço] é muito menor", completa

Para Bohn, no entanto, desde que a pessoa esteja usando uma medicação permitida pela Anvisa e com acompanhamento médico, não tem do que se envergonhar.
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