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Maria Clara Spinelli, do 'Supermax': 'Transex é nome de panela! Sou atriz'

Ego

02 Nov 2016 - 15:06

Maria Clara Spinelli, do 'Supermax': 'Transex é nome de panela! Sou atriz'
No último episódio de “Supermax”, Janete, personagem de Maria Clara Spinelli, foi agredida depois que Luizão (Bruno Belarmino) se relaciona com ela e descobre que a presidiária é transexual. Como na história de ficção da série da Globo, Maria Clara também enfrentou muito preconceito para se assumir mulher.

Nascida na cidade de Assis, no interior de São Paulo, o então jovem tinha 20 anos quando contou para a mãe, Lydia, que iria fazer a readequação de sexo para se transformar em Maria Clara. Ela lembra que Lydia, naturalmente, levou um choque. “Minha mãe é o exemplo de mulher e ser humano que eu sonho um dia ser parecida. Ela me teve aos 47 anos e me criou sozinha. Quando lhe dei a notícia, seu grande medo era como o mundo iria reagir e me tratar. Minha mãe temia que eu sofresse”.

E o maior apoio veio da própria Lydia. Certa que a filha ocupara até então um corpo que não lhe pertencia, ela incentivou Maria Clara doando-lhe peças de seu próprio guarda-roupa. “Minha mãe me deu toda a sua coleção de bolsas, certa que ficariam bem com as minhas roupas. Também trocávamos peças do nosso armário”.

Lydia não se enganou a respeito do preconceito que a filha enfrentaria. Além do que ela viveu ainda criança na escola, justamente por ser diferente dos demais meninos, Clara também lutou contra o bullying na faculdade. “Meu primeiro curso foi Processamento de Dados e o preconceito que sofri me obrigou a abandonar a faculdade. Hoje aprendi a me defender”, disse ela.

Premiada aos 15 anos

O despertar para a carreira artística aconteceu quando Maria Clara integrava o um grupo de balé contemporâneo de sua cidade. O palco a cativou e a levou a alçar voos mais altos. “Me matriculei em um curso de teatro na cidade de Ourinhos, interior de São Paulo, e aos 15 anos apresentei meu primeiro monólogo, ‘O Ser Gritante’, no qual ganhei o prêmio de atriz revelação no Mapa Cultural Paulista de 2003, que reúne as mais variadas expressões artísticas do estado de São Paulo. A partir daí, não parei mais”.

Em 2013, Clara fez uma participação na novela "Salve Jorge", de Gloria Perez, como Anita, transexual traficada por Wanda (Totia Meirelles). A atriz reconhece que o fato de ser uma transexual a limita profissionalmente. “Me prejudica muito. Nunca tive um papel que não fosse um transgênero. Quero fazer outra coisa. Acho que se me colocassem como uma religiosa preconceituosa, iria ser transgressor.”

"Supermax" está sendo revolucionário para a atriz. Vaidosa a ponto de ter dois dermatologistas e viver maquiada e de salto alto diariamente, Maria Clara precisou "se abandonar" para o papel. "No programa apareço de cara lavada. Estava superpreocupada em ser vista na TV Full HD sem maquiagem, mas está sendo incrível. Essa personagem é um presente e me possibilita experimentar todas as formas de interpretação."

O rótulo de transexual é rejeitado veementemente por ela, que não culpa quem a chama assim. “Um dia um amigo meu fotógrafo me convidou para fazer um ensaio transex. Disse para ele que ‘transex’ é feio, é nome de panela. Sou uma atriz”.

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