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Quarta-feira, 16 de outubro de 2019

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Coren critica salário de R$ 2 mil em seletivo para Hospital Municipal e classifica proposta como imoral

Da Redação - Fabiana Mendes

16 Mai 2019 - 09:55

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Coren critica salário de R$ 2 mil em seletivo para Hospital Municipal e classifica proposta como imoral
O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) emitiu uma nota de repúdio contra o processo seletivo realizado pela Prefeitura de Cuiabá, através da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), para a contratação imediata de 1.243 funcionários para o Hospital Municipal de Cuiabá Dr. Leony Palma de Carvalho. Conforme o edital, a remuneração para técnicos de enfermagens é de R$ 2.004,25. Para os enfermeiros o salário é de R$ 2.369,98. Ambos os cargos são para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

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Para o presidente do Coren-MT, Antônio César Ribeiro, o processo seletivo foi recebido como “uma surpresa muito desagradável”, “uma proposta imoral”, que demonstra descaso em relação aos profissionais que são centrais no processo de cuidado hospitalar.
 
Ele lembrou que o enfermeiro é o responsável pelo diagnóstico de enfermagem relativo aos cuidados necessários aos pacientes e pelo planejamento das condições para a oferta da assistência. Além de responsabilizar-se pela assistência de enfermagem, ainda reponde pelo planejamento e organização do ambiente terapêutico, inclusive preparando-o para a atuação de outros profissionais.
 
Já o técnico de enfermagem, sob a supervisão do enfermeiro, executa todo o processo de cuidar, o que inclui o cumprimento das prescrições médicas. Neste contexto a equipe de enfermagem enfrenta alto grau de pressão por suas responsabilidades, já que é ela quem está presente nas 24 horas ao lado dos pacientes.
 
O presidente questionou ainda a jornada de trabalho de 40 horas semanais previstas para os profissionais contratados via processo seletivo, diante das 30 horas cumpridas pelos concursados.
 
“Os contratados via processo seletivo não têm carreira, não têm estabilidade no trabalho, nem expectativa de crescimento na empresa, além de trabalhar mais que os estatutários e ganhar bem menos. É a desvalorização do trabalho de enfermagem”, lamentou. Do seu ponto de vista, tais condições evidenciam a precarização do trabalho, agudizada pela reforma trabalhista. “O ideal seria que nenhum profissional se inscrevesse, mas isso não vai acontecer, pelo grau de desemprego que enfrentamos hoje”.
 
Confira a nota na íntegra:
 
NOTA DE REPÚDIO
 
O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) vem a público manifestar seu repúdio contra os salários previstos para os profissionais de enfermagem no edital do processo seletivo realizado pela Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) para o provimento de vagas imediatas e em cadastro de reserva para o Hospital Municipal de Cuiabá Dr. Leony Palma de Carvalho.
 
O Coren-MT considera vergonhoso para a administração pública de Cuiabá que profissionais envolvidos diretamente na atividade-fim da unidade de saúde sejam alvo de tamanha desconsideração, que demonstra desconhecimento da realidade do mercado e de suas competências.
 
É injusto que a remuneração dos técnicos de enfermagem, linha de frente no atendimento assistencial (de apenas R$ 2.004,25 para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais), seja a mesma praticada para cargos como o de técnico de informática, o de telefonista e de vigia, alguns dos quais com jornadas inferiores, diante do grau de responsabilidade assumida pelo profissional de enfermagem no cuidado com a vida do paciente.
 
A situação é ainda mais vexatória quando se observa os salários que serão destinados a enfermeiros, profissionais de nível superior (R$ 2.369,98 para 40 horas semanais), o que demonstra a ignorância da administração municipal a respeito da posição central destes na prestação do serviço.
 
Enfermeiros com especialização em áreas como auditoria, cardiologia e centro cirúrgico receberão R$ 2.505,31, valor que não corresponde ao grau de qualificação técnica exigido e é inferior ao que será pago a advogados e engenheiros clínicos, entre outros, dos quais se exige apenas a graduação!
 
No entender do Coren-MT, tal atitude condiz com todo o processo ilegítimo pelo qual foi eleita a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), no final de 2018, à revelia da posição contrária assumida à época por entidades integrantes do Conselho Municipal de Saúde, entre elas este conselho.
 
Alertamos que este processo de contratação, calcado no barateamento do serviço a partir da desvalorização dos trabalhadores, tende a promover a precarização do trabalho e a queda na qualidade da assistência.
 
O Coren-MT salienta ainda a omissão do sindicato dos trabalhadores (Sinpen-MT), que até o momento não se posicionou sobre o caso, e questiona a conivência desta entidade em relação ao mesmo.
 
Conclamamos os profissionais de enfermagem, parlamentares e toda a sociedade para que cobrem da Prefeitura Municipal de Cuiabá mais seriedade na gestão dos recursos e respeito ao usuário e ao trabalhador da saúde.
 
A luta histórica da categoria pela regulamentação de um piso salarial e pela jornada de trabalho de 30 horas semanais está sendo afrontada!

10 comentários

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  • Ashton Zaviaski
    16 Mai 2019 às 14:59

    Sociedade farta de sustentar salários altos. Terceirize mesmo. Chega de aumentar folha do estado. Dois mil estão bom demais. Vivemos numa sociedade capitalista. Insatisfeitos? Peçam boné.

  • gilberto
    16 Mai 2019 às 14:58

    Hipócrita! Será que ele não sabe que o Salario dos Téc de Enfermagem pagos em todos os Hospitais do Estado não chega nem perto disso? Na Santa Casa de Rondonópolis por ex. o salario de um Técnico, já acrecido de todos os direitos legais como adicional de periculosidade e noturno chega a míseros 1700 Reais e o Coren, apesar de provocado, nunca se manifestou em defesa dos trabalhadores! Agora só por que é o Estado o Patrão, eles acordaram? Ha anos que o projeto de regulamentação da categoria "dorme" la no Senado e ninguém cobra ou exige sua aprovação pra corrigir essa barbaridade com essa Categoria indispensável e tão sofrida!

  • Simples assim
    16 Mai 2019 às 13:28

    Esse é o reflexo da terceirização se fosse concurso público com certeza o salário seria melhor por isso os governantes querem privatizar tudo pois assim podem ter mão de obra qualificada e pagar salario miseráveis, a verdadeira escravidão e quando o.povo quer lutar pelo serviço público a grande massa críticas e chama funcionário público tá aí resultando de quem apoia terceirização e privatização escravidão branca.

  • Roberto
    16 Mai 2019 às 12:59

    Lamentável ! ?????????

  • MARIA AUXILIADORA
    16 Mai 2019 às 12:31

    Os psicólogos devem exigir de seus órgãos de classe um posicionamento a respeito do baixo salário e questionar sobre a qualificação tecnica da empresa desconhecida que fará o processo seletivo da prefeitura.

  • Cindy Loper
    16 Mai 2019 às 11:55

    Concordo plenamente.. os salários é um absurdo!! imoral mesmo...

  • Cilene Sandrini
    16 Mai 2019 às 11:15

    Acha pouco, procure emprego na iniciativa privada e verá o que é trabalho. Dois mil está bom demais nessa crise. PIB negativo.

  • MARIA TAQUARA
    16 Mai 2019 às 10:52

    Vejam, esse salário oferecido não chega a 40% do auxílio moradia do judiciário.

  • FELÍCIA
    16 Mai 2019 às 10:32

    Concordo plenamente, msm nao fazendo parte desta categoria. Os (as) enfermeiros com formação de graduação (as) deveriam ter saçarios equiparados aos profissionais de outras áreas, qto aos técnicos tbém deveriam ter salário compatível com sua importancia em uma unidade hospitalar.

  • Mário Luís da Costa e Silva
    16 Mai 2019 às 10:14

    Se acha absurdo o salário/carga horária do profissional em enfermagem, vejam o absurdo maior que é o salário/carga horária para o psicólogo.

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