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Domingo, 27 de setembro de 2020

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“Mães pela Diversidade MT” emite nota de repúdio por atitudes homofóbicas da última semana

Da Redação - Isabela Mercuri

02 Jul 2020 - 10:04

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

“Mães pela Diversidade MT” emite nota de repúdio por atitudes homofóbicas da última semana
O grupo “Mães pela Diversidade MT” emitiu uma nota de repúdio em relação a duas atitudes homofóbicas que aconteceram no estado de Mato Grosso na última semana. Uma delas, inclusive, protagonizada por um apresentador de televisão.

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“Quando um LGBTQI+ é agredido, exposto ao vexame e diminuído nesta sociedade discriminatória e violenta, dói o coração de todas as Mães pela Diversidade que, irmanadas nesta dor, gritam por respeito a seus filhos. Respeitem nossos filhos”, afirma a nota.
 
O primeiro caso aconteceu na cidade de Alta Floresta (791km de Cuiabá), no último dia 17 de junho. Nesta data, o apresentador Welerson de Oliveira Dias, da TV Nativa/Record, fez comentários sobre o defensor público Vinicius Ferrarin, ironizando o “jeito gay” dele de ser. O profissional ainda imitou trejeitos e tentou ridicularizar o defensor.
 
Em resposta, a Defensoria Pública de Mato Grosso ingressou com uma ação civil pública (ACP) contra a TV Nativa, afiliada da TV Record em Alta Floresta, na pessoa de sua sócia-proprietária, Vera Lúcia Cardoso, e contra o apresentador de TV e radialista no município, solicitando uma indenização de R$ 100 mil por dano moral coletivo contra a comunidade LGBTI.
 
Já no dia 28 de junho, outro caso ganhou repercussão nacional: o de uma mulher, identificada como Rosenete Ribeiro Taques, que foi presa por agredir e ameaçar um vendedor de passagens, no Terminal Rodoviário de Lucas do Rio Verde (a 330 quilômetros de Cuiabá). Em vídeo gravado por uma testemunha também mostra a suspeita praticando crime de homofobia contra a vítima e dizendo ser “profeta de Deus”.
 
Segundo o grupo ‘Mães pela Diversidade’, o mais impressionante é que ninguém interferiu neste caso. “Tanto João Victor quanto Vinicius afirmam que nunca se sentiram tão impotentes, sem forças para reagir aos ataques”, lamentaram.
 
Leia a íntegra da nota:
 
NOTA DE REPÚDIO
RESPEITEM NOSSOS FILHOS - MÃES PELA DIVERSIDADE MT CONTRA A HOMOFOBIA

 
Duas situações vergonhosas, registradas nos últimos dias em Mato Grosso e que tiveram repercussão nacional, mostram como a homofobia pode ser cruel, humilhante, vexatória e perigosa à vida da população LGBTQIA+.
 
Dia 17 de junho, em Alta Floresta, o apresentador Welerson de Oliveira Dias, da TV Nativa/Record, expôs o defensor público Vinicius Ferrarin, em rede de televisão, ironizando o “jeito gay” dele de ser. Imitou trejeitos, tentou ridicularizá-lo. O evento foi o estopim de uma série de insultos que o apresentador já vinha dirigindo ao defensor. Um absurdo inaceitável, um jornalismo desprezível.
 
O outro caso aconteceu neste domingo (28), justamente no Dia do Orgulho LGBTQIA+. Uma mulher, identificada como Rosiane Ribeiro, dizendo-se “serva de Deus”, não somente insultou um jovem trabalhar de 23 anos, João Victor da Silva Pedroso, que estava a serviço no guichê da Rodoviária de Lucas do Rio Verde, como também pegou uma barra de ferro e atentou contra ele e os equipamentos do local, pelo simples fato dela ter percebido que ele é homossexual e acreditar que isso é “coisa do diabo”. O impressionante é que ninguém, nenhum dos presentes, interferiu.
 
Tanto João Victor quanto Vinicius afirmam que nunca se sentiram tão impotentes, sem forças para reagir aos ataques.
 
Diante disso, a organização não-governamental Mães pela Diversidade MT vem a público repudiar tais ofensivas e se solidarizar com os dois rapazes ofendidos em sua dignidade. Nessa hora, não importa classe social, a homofobia fere e iguala todos.
 
Mas não, eles não estão sozinhos. Responsáveis por essas vergonhas serão acionados judicialmente e igualmente cobrados socialmente.
 
Quando um LGBTQI+ é agredido, exposto ao vexame e diminuído nesta sociedade discriminatória e violenta, dói o coração de todas as Mães pela Diversidade que, irmanadas nesta dor, gritam por respeito a seus filhos. Respeitem nossos filhos!
 
É tempo de extirpar a homofobia de Mato Grosso. Não é vergonha ser quem se é. Amar quem se quer. Construindo um mundo onde todos podem usufruir de direitos e dignidade.
 
Coordenadora do Mães pela Diversidade MT, Josi Marconi

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