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Quinta-feira, 29 de outubro de 2020

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Presidente da federação de tiro afirma que não recebeu ligação de empresário e chegou após saída do corpo

Da Redação - Wesley Santiago/Max Aguiar

04 Ago 2020 - 12:10

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Presidente da federação de tiro afirma que não recebeu ligação de empresário e chegou após saída do corpo
O presidente da Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT) e policial militar, Fernando Raphael Oliveira, disse nesta terça-feira (04), após prestar depoimento na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), que não recebeu nenhuma ligação do empresário Marcelo Cestari ou de familiares que estavam na casa, no condomínio Alphaville, em Cuiabá, onde a adolescente Isabele Guimarães Ramos, 14 anos, foi morta por um suposto tiro acidental.

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“Não houve ligação do Marcelo [Cestari], de ninguém da casa para a gente. A federação esteve no local pelo simples fato de estarem envolvidos atletas. Como presidente, assim como acontece com a OAB, por exemplo, estive no local para saber o que aconteceu”, explicou Fernando.
 
Segundo ele, sua ida até a casa aconteceu após, ficar sabendo por terceiros, que havia acontecido a morte de uma pessoa no Alphaville e que o caso envolveria atletas que fazem parte da sua federação.
 
Questionado se teria ajudado Marcelo com algo, ele disse que não ter com que ajudar. “A documentação estava com os despachantes dele, tudo encaminhado. “Estivemos na casa para falar e saber o que tinha acontecido, porque no outro dia iria ter a matéria de que um atirador esportivo estaria envolvido no caso”.
 
Depoimento de um policial militar que atendeu a ocorrência no dia do episódio, Fernando Raphael esteve na residência de Marcelo Cestari e inclusive ajudou o empresário a apresentar registros das armas que possui. Ele teria ido até o piso superior da casa para ajudar no reconhecimento do corpo da vítima.
 
“Cheguei duas horas e meia após o fato, já sem o corpo estar no local. Armas estavam apreendidas. Quanto ao caso da arma ter caído e ela [adolescente] levantado, não posso falar sobre isso. Não é normal quem tem treinamento levantar a arma desta forma. Em situação nenhuma. Estamos tratando, até o momento, de um incidente. Nunca tivemos nada deste tipo no Estado”, pontuou.
 
Segundo o presidente, todas as armas utilizadas por atiradores esportivos possuem travas, mas cada uma com sua especificidade. “Se a arma foi modificada ou não, é a perícia quem vai dizer”.
 
“Envolvendo tiro, desafio a imprensa a achar qualquer incidente dentro de um torneio ou campeonato. Atiro tem 15 anos e nunca vi em uma competição algo deste tipo. É mais fácil jogador de futebol quebrar uma perna, do que um atirador acertar alguém. Em casa, é outra questão”, acrescentou o presidente.
 
Por fim, Fernando disse que, se condenado, qualquer atirador esportivo perderia sua licença, já que não conseguiria renovar os seus certificados.
 
A promotoria que dá apoio na investigação também pediu que a Polícia Civil investigue a conduta do presidente da Federação. No dia seguinte da morte, ele chegou a emitir uma nota em grupos de WhatsApp. “Não nos cabe especular maldades, responsabilizar pais, ou julgar o esporte”, afirmou.
 
O caso
 
Segundo informações da Polícia Judiciária Civil, por volta das 22h30 Isabele já foi encontrada sem vida no banheiro da casa. A amiga informou à Polícia que efetuou o disparo acidentalmente contra a colega.
 
Isabele morreu com um tiro na cabeça (entrou na região da narina e saiu pela nuca), efetuado pela amiga ao manusear uma pistola PT 380, dentro do condomínio Alphaville I, no bairro Jardim Itália, em Cuiabá.
 
A amiga de Isabele disse que o disparo foi acidental, pois no primeiro momento a arma, que pertencia ao pai do namorado dela, caiu e ao tentar recoloca-la no case, ela disparou e matou Isabele na hora.
 
Indiciamento
 
A Polícia Judiciária Civil indiciou, por posse irregular de arma de fogo, o empresário Marcelo Cestari, pai da adolescente que matou, com um tiro – supostamente acidental – a amiga Isabele Guimarães Ramos, 14 anos, no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá. O inquérito estava na 2ª Delegacia do Planalto (Carumbé) e foi coordenado pelo delegado Jefferson Dias Chaves.

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