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Segunda-feira, 23 de novembro de 2020

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Volante do Cuiabá relata pânico em avião e lembrança de tragédia com a Chapecoense: “achei que a gente ia morrer”

Da Redação - Wesley Santiago

16 Out 2020 - 08:25

Foto: Reprodução

Volante do Cuiabá relata pânico em avião e lembrança de tragédia com a Chapecoense: “achei que a gente ia morrer”
O volante do Cuiabá Esporte Clube, Jean Patrick, relatou à ESPN Brasil o pânico vivido no voo que trazia a delegação de Guarulhos para a capital mato-grossense, após jogo da Série B do Campeonato Brasileiro, competição liderada pelo ‘Dourado’. Segundo o atleta, no meio da tempestade e da forte turbulência veio a lembrança da tragédia ocorrida com a Chapecoense e o temor de não ver mais a sua família: “achei que a gente ia morrer”.

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“Eu nunca passei medo assim. Achei que a gente ia morrer. Porque você que está lá em cima não tem o que fazer, é complicado. Pensava no meu filho, esposa, nas coisas aqui embaixo. E você, lá em cima, sabendo que alguma coisa podia acontecer a qualquer momento”, disse o jogador.
 
Emocionado com a situação, o atleta contou que o clima era bom chegando em Cuiabá, mas logo começaram as turbulências por conta da tempestade. Foram duas as tentativas de pouso, com cerca de 40 minutos entre elas, antes da desistência e partida para Goiânia, onde o avião precisou ser reabastecido.
 
O momento de maior tensão foi na segunda tentativa de pouso, quando o avião, ao tentar arremeter com os fortes ventos, “parecia que estava perdendo força”, segundo Jean.
 
“Até o Felipe Marques [atacante do Cuiabá], falou para mim: ‘a gente não vai aguentar, a gente vai cair’”, disse. “Foi aí que fiquei mais apavorado, achando que não ia sair dessa. Até tinha mandado mensagem lá em cima para a minha esposa, falando: 'reza por nós, porque aqui em cima está difícil’. Até achei que não poderia sair vivo".
 
“Às vezes os caras falam: 'ah, Jean, pode ser exagero', mas a gente tem filho, sai de casa e não sabe se vai voltar, mas ontem... gravei até o vídeo falando, assim ‘pode ser uma última mensagem, né', porque eu sei agora o que o pessoal da Chapecoense passou. Não desejo isso para ninguém. Foi difícil”.
 
“Só quem passou por aquilo sabe o que sentiu. Aqueles minutos de tensão. Você vê as pessoas orando e tudo, e tentando fazer alguma coisa e não conseguindo”
 
Depois do pouso e reabastecimento em Goiânia, o jogador disse que não queria continuar a viagem. Mesmo assim, eles foram acalmados e o trecho foi cumprido. “Quando a gente chegou, recebemos muitas mensagens. Até falei com o Felipe: ‘A gente escapou. A gente está vivo’. Cheguei em casa e meu filho estava dormindo, até acordei ele. Depois que a gente pousou foi um alívio. O que passei ali... aquela aflição. Foi um alívio grande. Agora estou aqui, com o meu filho”.
 
Jean, que acredita que o incidente vai unir mais o grupo, ainda exaltou a campanha e todo o trabalho dos companheiros na liderança da Série B.
 
“É um grupo bastante família, a gente vive sempre junto, não tem vaidade, a gente sempre torce pelo companheiro. Porque só assim você se torna um grupo vencedor, e você vê aí que os resultados não são em vão”.
 
“Acontecem alguns jogos abaixo, mas o calendário está sendo um pouco difícil pela pandemia, mas o grupo está ciente, estamos com o pé no chão. O clube tem uma estrutura muito organizada, eles facilitam tudo para a gente só jogar e tudo acontecer da melhor maneira, como vem acontecendo”, concluiu.
 
O Cuiabá voltou ao Mato Grosso com derrota para o Guarani no compromisso em questão, por 1 a 0, mas segue na ponta da tabela da Série B, com 32 pontos - 3 a mais que a Chapecoense, que tem dois jogos a menos.

Voo

Em nota, a assessoria de imprensa do Cuiabá informou que na vinda da delegação, que saiu do aeroporto de Guarulhos com destino ao Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande, chovia bastante durante o pouso. Sendo assim, a aeronave da Gol Linhas Aéreas não conseguiu pousar e houve um pouco de turbulência.
 
A companhia explicou que, por conta das condições meteorológicas adversas, precisou alternar para o Aeroporto de Goiânia, onde pousou em segurança. Ainda segundo a Gol, após a melhora no clima, todos os clientes seguiram viagem e desembarcaram em seu destino.
 
De acordo com registros do Flight Radar, site que acompanha voos em tempo real, o voo da Gol que veio de Guarulhos estava já no procedimento final de aproximação, próximo de pousar, quando o comandante decidiu arremeter, já que não havia condições de realizar o processo com total segurança.
 
O procedimento de arremetida é normal de voo e utilizado para garantir a segurança nas operações. Ele acontece quando durante a aproximação, o piloto decide voltar a subir, como se estivesse decolando novamente, ao acionar potência máxima nos motores.
 
No momento em que o piloto tentava pousar, uma forte chuva caia em Cuiabá e Várzea Grande. Os fortes ventos também derrubaram inúmeras árvores.
 
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, foram registradas quedas de 15 árvores em Cuiabá, sendo uma delas no bairro Santa Helena, outra no Primeiro de Março e uma na avenida Barão de Melgaço, no Centro. Três árvores caíram em Várzea Grande, mas não há informações quanto aos bairros das ocorrências. 

Tragédia da Chape

O voo que tranportava a equipe da Chapecoense partiu de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em direção a Medellín, em 2016. Segundo a imprensa local, a aeronave perdeu contato com a torre de controle entre as cidades de La Ceja e Abejorral, e caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín.

O Comitê de Operação de Emergência (COE) e a gerência do aeroporto informaram que a aeronave se declarou em emergência por falha técnica às 22h (local) entre as cidades de Ceja e La Unión.

A queda se deu por conta de falta de combustível.  Ao todo, 71 pessoas morreram na tragédia.

Confira o vídeo com a entrevista completa AQUI.


  


 

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