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Sexta-feira, 27 de novembro de 2020

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Namorada de ex-mister nega agressões e afirma que disparos durante briga em estacionamento foram acidentais

Da Redação - Wesley Santiago

27 Out 2020 - 14:30

Foto: Reprodução

Namorada de ex-mister nega agressões e afirma que disparos durante briga em estacionamento foram acidentais
Gabriela Cristina Batistela, namorado do empresário e ex-mister Cuiabá, Michel Bruno Silva Batista, de 29 anos, preso na noite do último domingo (25), acusado de atingir ela e um policial militar, durante confusão no estacionamento da boate Nuun Garden, na capital mato-grossense, disse em entrevista exclusiva ao Olhar Direto que os disparos efetuados no local foram acidentais, no momento em que seu companheiro estava em luta corporal contra o PM, no intuito de se defender. Além disto, ela negou que estivesse sendo agredida, em vídeo que aparenta ser arrastada na frente do estabelecimento.

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“Dentro da boate não teve nada, tudo aconteceu no estacionamento. Nós ficamos conversando. Enquanto esperávamos o carro, o motorista veio e deixou a porta aberta. Quando íamos entrar, chegou o policial e uma mulher, dizendo que o carro era dele. Meu namorado disse que não, que era nosso. Porém, não sei se ele achou que estávamos tentando furtar e começou uma discussão, já que os dois estavam um pouco alterados”, disse Gabriela.
 
Ainda conforme o relato dela, foi então que o policial militar sacou a arma e efetuou disparos para cima. “No impulso, meu namorado foi tentar desarmar, nos proteger. Eu fiquei ali e entrei no meio para também tentar tirar a arma, para não acontecer nada demais com nenhum dos dois. Nisso, aconteceram os disparos. Na hora eu nem senti. Peguei a arma e joguei para o lado. Foi tudo acidental, ele não teve intenção alguma de tentar me matar ou o outro rapaz”.
 
“O carro era nosso e o homem nos acusou de estar roubando. O próprio manobrista disse que era o nosso veículo, tanto que nós demos o papel para ele buscar. Por infelicidade, os carros eram iguais.  Quero deixar bem claro que ele [Michel] não atirou em mim. Não foi o que aconteceu. Foi acidental. Eu, se não tivesse me enfiado no meio da briga, não tinha me atingido. Só que na hora a gente pensa em defender”, explicou.
 
O tiro que atingiu o braço direito de Gabriela transfixou. Ela foi atendida em uma unidade de saúde e recebeu alta posteriormente.
 
Gabriela ainda fez questão de explicar um vídeo de câmeras de segurança, em que aparenta estar sendo agredida pelo namorado. “Não foi o que aconteceu. Ele não me bateu de jeito nenhum. Teve uma hora que ele correu para a boate de novo, eu estava toda ensanguentada, porque na hora eu nem senti o disparo, só fui ver depois. Quando ele veio de encontro comigo, eu estava caindo, mole já. Ele tentou me puxar, me arrastar”.


 
“Dá para ver no vídeo, que inclusive parece ter algum tipo de corte nas imagens, que o bombeiro chega com a arma na mão. Ele não estava me batendo, só tentava me tirar da situação. Se tivesse me agredindo, esse rapaz tinha relatado isso também no boletim de ocorrências. Ele pega no meu braço tentando me levantar, inclusive evita pegar onde foi o tiro. Tanto é que não tenho nenhum roxo, lesão alguma”, completa Gabriela.
 
Por fim, Gabriela afirma que a situação está sendo muito difícil para a família e que até agora não consegui falar com o namorado, que teve a prisão em flagrante convertida para preventiva e segue detido. “Estão aparecendo coisas que não são verdades. Só queremos resolver tudo isto. Ele não tentou matar ninguém, o que aconteceu foi acidental”.

Prisão convertida

O Ministério Público Estadual (MPE) se manifestou alegando garantia de ordem pública e “para evitar a reiteração delituosa, ressaltando que o autuado possui histórico de crimes decorrentes de violência doméstica e familiar".
 
Levando em consideração o pedido, também as acusações dos crimes relacionados à prisão da boate e os antecedentes do empresário, a juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, do Núcleo de Audiências de Custódia, decidiu por converter a prisão em flagrante em preventiva até a finalização do inquérito policial.
 
A magistrada pontuou que, apesar das alegações do empresário que tomou a arma do policial militar à paisana em legítima defesa, "é certo que não soube explicar como ocorreu o disparo que atingiu a vítima e sua própria esposa". Ela ainda considerou a ameaça ao bombeiro que estava na boate e a gravidade no uso da pistola.
 
A advogada Celia Silva de Queiroz, que patrocina a defesa de Michel, pediu liberdade provisória, destacando que ele não possui condenação em processos, tem emprego e residência fixa. Também requisitou soltura mediante pagamento de fiança ou aplicação de medidas cautelares diversas.

O caso

O empresário e ex-mister Cuiabá, Michel Bruno Silva Batista, de 29 anos, foi preso em flagrante na noite do último domingo (25), acusado de atingir a própria esposa e um policial militar, durante confusão no estacionamento da boate Nuun Garden, na capital mato-grossense.

Versão do boletim

Conforme o boletim de ocorrências, o suspeito estava com uma pistola apontada para o militar quando um oficial do Corpo de Bombeiros foi chamado para intervir na situação. Ao ver a cena, o homem então começou a gritar “polícia, polícia” para que o empresário largasse a arma.
 
Ao reconhecer o homem, o empresário então teria jogado a arma no chão e partido para cima do oficial do Corpo de Bombeiros, que, no intuito de se defender, atingiu o suspeito com um soco no nariz. Uma viatura da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), passava pelas imediações e realizou a abordagem.
 
Ainda conforme o boletim, uma testemunha disse que a discussão entre o empresário e o PM teria começado dentro da boate. No estacionamento, houve uma confusão e o militar teria dado tiros para cima. Na sequência, Michel tomou a pistola da mão dele e atirou na mão da vítima.
 
Depois, ele ainda teria atirado na sua esposa. Os dois feridos por arma de fogo foram socorridos para um hospital particular de Cuiabá. Eles foram medicados e passam bem, sem risco de morte.
 
Michel foi encaminhado para atendimento médico também e, depois de liberado, levado para a Central de Flagrantes. Durante o trajeto, ele começou a filmar o seu transporte e encaminhou para contatos dizendo que foi preso por "policiais filhos da puta" e que estavam deixando ele "morrer dentro da viatura".
 
Além disto, o empresário acusou os policiais militares que atenderam a ocorrência de corrupção, ao dizer que eles tinham pego a corrente e a pulseira de ouro dele. O ex-mister Cuiabá foi autuado em flagrante por desacatado, ameaça e tentativa de homicídio. Ele ainda teria feito ameaças de morte ao bombeiro que interviu na briga.

Versão do empresário

Em seu depoimento, o empresário contou que estava no estacionamento da boate, se preparando para ir embora, aguardando o seu veículo (BMW), quando chegou o policial militar (à paisana) e disse que o carro seria dele. O manobrista então teria dito que verificaria se havia outro igual e que retornava em um instante.
 
Ainda conforme a versão do empresário, o policial militar teria então sacado uma arma de fogo e ameaçado disparar contra ele. Alegando legitima defesa, o ex-mister então disse que entrou em luta corporal com o PM, para tentar impedi-lo de realizar o disparo.
 
O empresário ainda relatou que não se lembra da arma de fogo ter disparo e de quem ela acertou. Depois do ocorrido, Michel conta que chegou ao local um bombeiro, o qual ele conhecia por frequentar a academia da qual ele é dono e também sua casa, em Chapada dos Guimarães.
 
Michel nega que tenha partido para cima do bombeiro e pontua que ele dizia com arrogância para que ficasse deitado no chão esperando a chegada da polícia. Além disto, também diz que não é verdade que tenha partido para cima do homem com a intenção de pegar a arma dele.
 
O empresário ainda confirma que disse palavras ofensivas ao bombeiro, já que o considerava como amigo e o fez passar por toda esta situação. Michel ainda nega que tenha iniciado a discussão, questionando se só ele poderia ter uma BMW ou que tenha desferido socos no policial militar.

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