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Segunda-feira, 08 de março de 2021

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Pacientes com hanseníase ganham sapataria itinerante para facilitar acesso à próteses

Da Redação - Bruna Bom

18 Nov 2020 - 10:03

Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Pacientes com hanseníase ganham sapataria itinerante para facilitar acesso à próteses
Uma parceria firmada nesta segunda-feira (16) entre a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) e o instituto Alliance Against Leprosy – em português “Aliança Contra a Hanseníase” – disponibilizará uma sapataria móvel itinerante em Mato Grosso, que facilitará o acesso de pacientes do interior do estado acometidos pela hanseníase às órteses-sapatos, próteses, trocas e adaptações de palmilhas.

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A parceria com o instituto foi firmada durante assinatura do Termo de Cooperação Técnica em prol do projeto “Mato Grosso em Redes: Cuidado Integral em Hanseníase”. Segundo a secretária adjunta executiva da SES, Danielle Carmona, “a iniciativa é um marco para Mato Grosso, que é considerado um Estado hiperendêmico''.

“Já fazemos o cofinanciamento de municípios que realizam o atendimento desses pacientes, mas não podemos pensar somente na Atenção Primária. Precisamos fortalecer também o trabalho de reabilitação, pois grande parte desses pacientes têm sequelas físicas e esse projeto vai ao encontro disso, contribuindo para o atendimento especializado", avaliou Danielle.

Além da sapataria itinerante, haverá a oferta de teleconsultorias e tele interconsultas médicas desenvolvidas por médicos especialistas em hansenologia disponibilizados pela Aliança, garantindo suporte especializado aos pacientes e capacitações para os profissionais da Atenção Primária à Saúde via Programa Telessaúde MT.

Para a médica especialista e presidente do Aliança Contra a Hanseníase, Laila de Laguiche, Mato Grosso está no caminho certo por escolher encarar a hanseníase que, segundo ela, “é uma doença que desafia a saúde pública por ser transmissível, crônica, exigir reabilitação e cirurgia reparadora”.

Após a assinatura do documento, Laila visitou o Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac) e Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac), onde foram discutidos os panoramas da hanseníase em Mato Grosso e a explanação do projeto.

Projeto piloto

A primeira cidade a ser percorrida pela carreta será Alta Floresta. O município foi escolhido devido à presença de um profissional hansenólogo especialista na área, por ter um trabalho já consolidado realizado pelo AAER e por ser a primeira cidade do Estado a ter representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

De início, o instituto Aliança Contra a Hanseníase já disponibilizou uma técnica terapeuta ocupacional de São Paulo para ser consultora na implementação da sapataria híbrida digital, que funcionará por meio da carreta. Devido aos recessos de fim de ano, a previsão é que a carreta inicie os atendimentos em 2021.

Morhan

Também nesta semana, o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), que tem 39 anos de atuação no Brasil, inaugura um núcleo no município de Cuiabá, capital de Mato Grosso. A assembleia que elege a coordenação do núcleo será realizada na mesma data da inauguração, dia 18 de novembro, às 19 horas, na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso. O evento contará com a presença do coordenador nacional do movimento e conselheiro nacional de saúde, Artur Custódio, vindo do Rio de Janeiro.

"Este núcleo é estratégico, considerando que Mato Grosso é o estado com a maior incidência de hanseníase no país e precisamos fortalecer o enfrentamento à doença de forma transversal nas políticas públicas da região, com o viés dos direitos humanos", destaca Custódio. 

O Morhan tem representação em esferas do controle social, como o Conselho Nacional de Saúde (CNS), e atua em interlocução com governos, entidades da sociedade civil organizada e organismos internacionais em defesa dos direitos humanos das pessoas atingidas pela hanseníase no país. A eliminação da hanseníase, o enfrentamento ao estigma relacionado à doença, a qualificação da assistência - do diagnóstico à reabilitação - e o direito à reparação por violações de direitos que historicamente atingiram as pessoas afetadas pela doença e seus familiares são alguns dos objetivos do movimento.

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