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Quinta-feira, 17 de junho de 2021

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SUSPEITO INDICIADO

"Discordo da decisão do juiz", diz delegado após prisão de PM que matou universitária ser negada

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto / Reprodução

O delegado Caio Albuquerque, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), que conduziu as investigações sobre a morte da universitária Adriele da Silva Munis, disse que não concordou com a decisão da Justiça em negar o pedido de prisão preventiva do acusado de cometer o crime, o policial militar Edivaldo Junior Rodrigues Marques de Souza. O crime ocorreu em dezembro de 2016, mas o inquérito só foi concluído recentemente. 

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De acordo com o delegado, a princípio a investigação seguia tentando identificar as pessoas armadas que compareceram à mesma boate que a vítima, na noite do crime. No entanto, ele sugeriu outro caminho e foi feito um estudo mais aprofundado do projétil extraído na necropsia, que apontou que se tratava de um projétil .40 de uma arma da marca Imbel. Esta marca, segundo o delegado, não é muioto utilizada, e com esta informação conseguiram localizá-la e identificar o suspeito.

Além disso, durante a equipe de investigação conseguiu apurar que o carro que aparece nas imagens obtidas pertence à mãe do policial. A DHPP então, em posse sobre informações sobre o autor, veículo e arma utilizados e motivação, interrogaram o suspeito. O PM confessou o crime apenas no segundo interrogatório, após trocar de advogado, mas alegou que agiu em legítima defesa. 

Na última semana, o delegado encaminhou representação pela prisão preventiva do investigado ao juízo da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, que indeferiu o pedido. 

"Eu discordo da decisão do juiz, tanto é que eu representei, porque é muito grave, [...] Eu acho que quando você renova as investigações, toda aquela gravidade que tinha anteriormente volta à tona, e é o caso da Adriele, mas respeitamos a decisão e se o promotor entender que é o caso ele pode recorrer", disse o delegado.

O suspeito foi indiciado e o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deve decidir se denuncia ou não o policial militar pelo homicídio de Adriele, além de decidir se irá recorrer contra a decisão que negou a prisão preventiva do indiciado.

“Condutas como essa [da Justiça], notadamente perpetradas por quem se espera o contrário, são inaceitáveis; uma jovem perdeu a vida sem dar o mínimo motivo, e, por muito pouco, seus amigos não tiveram o mesmo triste fim. Uma mãe, até hoje, peregrina à Polícia Civil e Ministério Público, suplicando a apuração do ocorrido com a filha”, destacou Caio Albuquerque.

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