Olhar Direto

Terça-feira, 21 de setembro de 2021

Notícias | Política BR

DESCONHECEM A REGIÃO

‘Quem fala que Ferrogrão vai devastar floresta está mentindo’, afirma ministro ao rebater críticas de ativistas

Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

‘Quem fala que Ferrogrão vai devastar floresta está mentindo’, afirma ministro ao rebater críticas de ativistas
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, rebateu as críticas feitas a Ferrogrão, projeto capitaneado por gigantes do agronegócio para ligar Mato Grosso a hidrovias da Amazônia. Ele afirmou que ativistas ambientais que se opõem à proposta não conhecem a região nem os estudos.

Leia também:
Ferrovia estadual de R$ 12 bilhões irá gerar mais de 235 mil empregos, garante secretário de Fazenda

“A gente tem que separar o que é ideologia, interesse comercial e o que é de fato visão de proteção ao meio ambiente. Tenho certeza absoluta que nenhum desses ativistas percorreu a BR-163 ou conhece com profundidade o projeto da Ferrogrão. Quem fala que vai devastar floresta ou acabar com meio ambiente está mentindo”, afirmou em live promovida pelo jornal Valor Econômico, nesta terça-feira (20).

Uma delegação internacional de ativistas e políticos de esquerda deve desembarcar no Brasil no dia 15 de agosto para pressionar contra a construção da Ferrogrão. A comitiva é ligada à Internacional Progressista, entidade criada no ano passado pelo senador americano Bernie Sander e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, e que reúne políticos, ativistas e celebridades de diferentes países.

Quem fala que vai devastar floresta ou acabar com meio ambiente está mentindo
 
A ideia da ferrovia, a linha que ligaria Sinop até o Porto de Miritituba, no Pará, foi lançada há pelo menos sete anos pela iniciativa privada e é de interesse de multinacionais como ADM, Cargill e Amaggi. O projeto, no entanto, não saiu do papel até hoje por incertezas em torno do empreendimento e de sua viabilidade.

O Supremo Tribunal Federal (STF), em maio desse ano, suspendeu o projeto ao apontar pontos inconstitucionais no modal.

De acordo com Tarcísio, a Ferrogrão usará a faixa de domínio da BR-163 e funcionará como uma barreira à pressão fundiária ao limitar a abertura de ramais rodoviários em região de floresta. Defende ainda que Mato Grosso precisa de diferentes empreendimentos para o escoamento da sua produção agrícola e que pensar apenas na duplicação da rodovia não seria ambientalmente sustentável e quem defende isso “não entende nada de sustentabilidade”.

“Como um empreendimento ferroviário que é multimodal, que integra ferrovia e hidrovia, funciona como barreira verde e contém a expansão da pressão fundiária, que tira um milhão de toneladas de CO2 da atmosfera, que promove plantio compensatório, que vai nascer com selo verde, que vai se submeter ao processo de licenciamento ambiental, que vai ter limitação de transporte por combustível fóssil, que diminui quantidade de acidentes não vai ser sustentável?”, questionou.

“Quem fala que vai devastar floresta e acabar com o meio ambiente está mentindo. Falo como quem conhece a realidade da região, tenho certeza que esses ativistas nunca colocaram os pés lá. Essa é a minha diferença pra eles”, completou.

Terra indígenas

Estudo do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que analisou as consequências das construções para a T.I. Capoto Jarina e para a T.I. do Xingu, ambas localizadas em Mato Grosso, aponta que as obras da ferrovia devem acelerar a invasão e desmatamento em terras indígenas (T.I.) mato-grossenses.

Entre um dos pontos abordados pela investigação está um terminal de grãos em Matupá (717 km de Cuiabá), que também está relacionado às obras da ferrovia. Nesse ponto, caso seja realizada a sua construção, deve ocorrer o carregamento do trem com a soja, e o asfaltamento e substituição de uma balsa por uma ponte na MT-322, uma estrada de terra que cruza o Xingu.
Entre em nosso grupo de WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet