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Terça-feira, 19 de outubro de 2021

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'Mais MT Muxirum'

Programa de alfabetização cria turmas para atender estudantes de comunidade quilombola de MT

Foto: Seduc-MT

Programa de alfabetização cria turmas para atender estudantes de comunidade quilombola de MT
O programa Mais MT Muxirum formou duas turmas, com 10 alunos cada, para atender a comunidade quilombola Vãozinho, zona de difícil acesso localizada no município de Barra do Bugres (165 km de Cuiabá). Técnicos da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) realizaram uma primeira visita e levantaram o número de moradores que necessitam de alfabetização. A expectativa é que mais turmas sejam criadas.

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De acordo com o Executivo Estadual, o programa, que foi lançado pela Seduc, em agosto deste ano, tem o objetivo de erradicar o analfabetismo nos próximos cinco anos. Com investimentos de R$ 14,7 milhões, a expectativa do Mais MT Muxirum é atender, no segundo semestre deste ano, mais de 48 mil pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever. 

O secretário de Estado de Educação, Alan Porto, ressaltou que a visita técnica realizada na comunidade de Vãozinho é mais uma das programadas em pontos de difícil acesso no Estado, com o propósito de apresentar a ação do programa aos moradores e incentivar a participação.

“Temos uma meta audaciosa, mas possível de ser alcançada justamente pelos esforços do Governo do Estado em mudar a história da educação de Mato Grosso. Esse programa visa dar dignidade a milhares de mato-grossenses que não tiveram a oportunidade de serem alfabetizados nas séries iniciais”, destacou Alan Porto.

Superintendente de Diversidades Educacionais da Seduc, Lucia Santos afirmou que o projeto Mais MT Muxirum significa a mudança de vida para o povo quilombola. “Esse projeto vai dar possibilidades para as pessoas que nunca tiveram. A partir de agora aquilo que eles escreveram eles vão ler, eles vão conseguir expressar de uma outra forma aquilo que eles não conseguiam expressar”.

Ela ainda enfatizou que as mudanças apresentadas pelo projeto representam dignidade e oportunidades. “Daqui para frente eles conseguirão, com as próprias pernas, com as próprias mãos, pegar o ônibus que eles não conseguiam pegar sozinhos. Eles vão conseguir assinar o documento entendendo qual é o documento que eles estão assinando. Ninguém mais vai poder passar a perna e passar por cima deles só porque eles não sabiam”.

Engajamento

Durante a visita, os moradores da comunidade ficaram entusiasmados. Isto, porque devido ao fato da comunidade estar localizada em uma área de difícil acesso, muitos deles possuem dificuldades para frequentar as aulas nas unidades escolares.

“É a primeira vez que o programa vai à comunidade e foi um encontro ótimo, para guardar na lembrança. Já conseguimos duas turmas, com dez alunos cada e dois alfabetizadores da comunidade, além disso temos perspectivas de formarmos mais turmas. É uma comunidade que vamos tratar com muito carinho, como se fosse a menina dos nossos olhos”, declarou Manoel Silveira, responsável pelo projeto.

De acordo com Manoel, as turmas são formadas, em grande parte, por alunos com idade média de 50 anos. O aluno mais velho cadastrado para o programa na comunidade tem 81 anos. Além dele, a visita contou com a presença de mais de 30 moradores da comunidade.

Servidoras da Prefeitura de Barra do Bugres, membros do Movimento Negro Unificado (MNU), lideranças quilombolas, membro do Comitê de Povos e Comunidades Tradicionais, representante da Secretaria de Assistência Social e Cidadania do Estado de Mato Grosso e da Coordenadoria de Educação do Campo e Quilombola da Superintendência de Diversidade da Seduc também estiveram presentes.

“É um desafio muito grande, mas hoje em dia nada se faz sem desafio. Esperamos erradicar o analfabetismo na comunidade do Vãozinho nessa etapa, mas, se não finalizarmos, possivelmente voltaremos em 2022” afirmou Silveira.

A Coordenadoria de Educação do Campo e Quilombola, da Superintendência de Diversidades, vem contribuindo com a interlocução das necessidades do povo mato-grossense garantindo o atendimento aos povos tradicionais e fortalecendo o acesso das comunidades quilombolas à educação.
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