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Quarta-feira, 10 de agosto de 2022

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Varíola do macaco: estamos diante do risco de uma nova pandemia? Infectologista explica

Foto: Reprodução

Varíola do macaco: estamos diante do risco de uma nova pandemia? Infectologista explica
A varíola do macaco atingiu, na terça-feira (31), mais de 500 casos registrados, em cerca de 24 países pelo mundo. No Brasil, são quatro os casos suspeitos em análise pelo Ministério da Saúde. Em Cuiabá, nesta quinta-feira (2), o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) emitiu alerta de risco para contaminação pela doença em Cuiabá. 

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Nesse cenário, Olhar Direto entrevistou a infectologista e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Márcia Hueb, que disse considerar improvável que este seja o caso do possível surgimento de uma nova pandemia, como foi a da Covid-19. Apesar disso, ela enfatizou que a situação merece vigilância e medidas de contenção, para que a enfermidade não se torne um novo desafio para saúde pública no País e no mundo.  

À reportagem, a infectologista disse que a varíola do macaco é uma variação mais branda da varíola humana, doença considerada erradicada no mundo ainda em 1980. Ela também esclareceu que é uma enfermidade febril semelhante à varíola, mas com menor índice de mortalidade. 

“O potencial de levar ao óbito na varíola humana chegava a 30% dos casos diagnosticados, enquanto a varíola atualmente descrita tem mortalidade estimada de 3 a 6 %.”, disse a reportagem. Sobre os registros recentes em países da Europa e nos Estados Unidos, a pesquisadora diz que ainda é cedo para caracterizar as ocorrências como surtos. 

“O que houve foi a descrição de alguns casos dessa forma dita do macaco, mas que vem ocorrendo desde 1970, quando identificado o 1º caso humano. São ocorrências ocasionais, geralmente associadas à presença ou contato com pessoas procedentes do continente africano, tanto na África Ocidental quanto na região central africana.”, explicou. 

Apesar disso, Hueb destacou que, desta vez, o que chama a atenção é o registro de casos sem vínculo epidemiológico com a África. Até terça-feira (31), 568 infectados já haviam sido registrados em cerca de 24 países, todos fora do país africano. Os dados são da Global.health Monkeypox, iniciativa que monitora os números divulgados por cada nação. 

No Brasil, são quatro casos suspeitos sob análise pelo Ministério da Saúde (MS). Sendo eles no Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. 

Origem do nome

Márcia argumenta que o nome “varíola do macaco” é inadequado, porque são os roedores os reservatórios da doença, segundo a descrição conhecida da doença na África. Ela ainda conta que foi um episódio registrado nos anos 50 que deu origem à denominação do vírus como ele é conhecido hoje em dia. 

“Em 1958, colônias de macacos utilizados em pesquisa apresentaram infecção por um vírus semelhante ao da varíola - smallpox - e, a partir de então, o vírus e a doença passaram a ser conhecidos como monkeypox, ou varíola do macaco. Os macacos são suscetíveis como os humanos, mas não é deles o papel de reservatório natural na doença”. 

Grupo de risco

Em relação aos públicos que seriam de maior risco para a infecção pela varíola do macaco, a infectologista argumenta que não há um público específico para que ocorra a contaminação. Segundo ela, como o contágio se dá por gotículas do trato respiratório, ou principalmente pelo contato com secreção das feridas, todos estão suscetíveis. 

A diferença, porém, reside na possibilidade de agravamento da doença em determinados públicos. “A evolução da doença com maior gravidade parece ocorrer mais frequentemente em crianças de baixa idade, idosos e aqueles que apresentam comorbidades.”, esclarece.

Uma nova pandemia?

Para a pesquisadora, a pandemia da Covid-19 trouxe ensinamentos que são reafirmados pelos registros recentes da varíola do macaco: “Estamos sempre diante de uma pandemia potencial e os vírus são os que têm maior potencial pandêmico”. Apesar disso, ela ainda acredita que este não é o caso de uma nova pandemia, como foi a do novo coronavírus. 

“Esta doença tem condições diferentes de transmissão, o vírus não parece ser disseminado pelo ar (aerossóis), o que já diminui a sua capacidade de transmissão. Aparentemente esta não será uma nova pandemia, mas a varíola merece vigilância e medidas de contenção para não vir a ser um novo desafio à saúde pública e à saúde mundial.”

A infectologista também enfatiza que em comparação com a pandemia da Covid-19, a situação que envolve a varíola do macaco tem uma vantagem: a existência de vacinas disponíveis para a doença. A única dificuldade, porém, reside no fato delas não serem produzidas em larga escala. 

“[Isso] é fruto da pesquisa que surgiu a partir dos casos em macacos e a descrição dos primeiros casos humanos. Então, o primeiro e mais importante passo já foi dado pela ciência”.De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes se tratam da Jynneos, produzida pela Bavarian Nordic, e da ACAM2000, produzida pela farmacêutica francesa Sanofi Pasteur.  

Recomendações para autoridades 

Neste momento, Márcia defende que alerta e vigilância são substantivos que devem refletir na atuação das autoridades. Entre as medidas necessárias, ela destaca, por exemplo, a investigação e isolamento de qualquer caso suspeito e a notificação desses casos às autoridades sanitárias. Desta forma, é possível que se contenha a disseminação da doença. 

“[Além disso,] fomento às pesquisas que já estão em andamento, tanto para a compreensão da complexidade do agente viral, como para medidas de tratamento e prevenção como as vacinas”, acrescenta.
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